Louis Dreyfus quer ampliar presença em café

A Louis Dreyfus Commodities (LDC) planeja mais do que dobrar sua movimentação de café no Brasil nos próximos quatro anos, o que vai exigir novos investimentos na estrutura logística dedicada ao produto.

Publicado por: CaféPoint

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A Louis Dreyfus Commodities (LDC) planeja mais do que dobrar sua movimentação de café no Brasil nos próximos quatro anos, o que vai exigir novos investimentos na estrutura logística dedicada ao produto.

De acordo com o diretor de supply chain da LDC, Octavio Pires, a multinacional deverá originar em 2011 perto de 1,5 milhão de sacas da commodity no Brasil. A expectativa é que esse volume atinja a casa de 4 milhões de sacas até 2015.

Apesar da safra menor, reflexo de um ano de baixa produtividade no ciclo bianual do café, as exportações do grupo devem crescer 13% neste ano, para 1,1 milhão de sacas. A expectativa é manter o ritmo de expansão em 2012. "Em quatro a cinco anos, vamos dobrar os embarques de café do Brasil", estima Pires.

Ao todo, a LDC movimenta cerca de 9 milhões de sacas de café em todo o mundo, volume que a coloca entre as três maiores tradings do mercado cafeeiro global. Atualmente, a commodity responde por 5% da receita da companhia. Segundo Pires, a maior parte do aumento de volume esperado para os próximos anos virá do Brasil, que ainda possui uma "posição tímida" nos negócios de café da companhia - a trading também quer aumentar sua originação em Vietnã, Colômbia e Indonésia.

Por isso, a LDC prepara uma série de investimentos com o objetivo de estruturar sua cadeia de fornecimento. "Eles podem vir de diversas formas, via greenfields [novas estruturas], aquisições e joint ventures", afirma Pires. Mais do que expandir sua capacidade, pondera o executivo, a multinacional quer aumentar o controle sobre as etapas de recebimento, armazenagem e transporte do produto, reduzindo a participação de parceiros nesse processo.A empresa não revela qual é a participação de terceiros hoje, tampouco a meta para os próximos anos, por considerar a informação "estratégica".

Segundo o executivo, os investimentos vão permitir à empresa melhorar sua gestão em questões relacionadas à qualidade, prazos e estoques. "Vive-se bem sem isso quando se tem uma operação pequena, mas não quando se tem planos agressivos de crescimento".

A LDC não revela quanto pretende investir na empreitada, mas deu seu primeiro passo no mês passado, com o anúncio da construção de um armazém próprio no Espírito Santo, onde já atua há 20 anos, no município de Nova Venécia. A estrutura vai consumir R$ 15 milhões e possibilitar à companhia quintuplicar sua capacidade de armazenagem na região, de 50 mil para 250 mil sacas. Atualmente, a LDC opera na região apenas como comerciante e utiliza um armazém alugado.

O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon (robusta) do país, com uma colheita próxima de 11 milhões de sacas na última safra. A variedade responde por 40% de todo o café originado pela LDC no Brasil. Nos últimos anos, observa Pires, o Estado registrou ganhos expressivos de produtividade, com o uso mais intensivo de tecnologias no campo, o que criou novas oportunidades para investimento na infraestrutura do café.

Quase toda a produção do Espírito Santo é absorvida pelo mercado interno, mas Pires não descarta que, no futuro, o Estado possa se transformar em um exportador regular da commodity - oferecendo uma alternativa ao Vietnã, maior produtor global de café robusta. "Não adianta achar que faz sentido nutrir esse sonho enquanto não tivermos safras com excedentes exportáveis e competitivos, mas queremos estar preparados para quando isso acontecer", afirma o executivo.

As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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