Reunidas no último dia 9, no Coffee Fórum Brazil, lideranças acreditam que o setor cafeeiro vive seu melhor momento nas últimas safras. E não é para menos. A alta do café, que costuma ocorrer próximo ao Natal, se antecipou e o preço do produto começou a dar sinais de elevação, já no final de outubro, intensificando as vendas e a procura por financiamento de estocagem no mercado físico tradicional.
"Os preços têm sido os melhores, portanto o produtor deve participar do mercado, independentemente do seu fluxo de caixa, com venda futura na Bolsa e contrato de garantia de preço", disse o superintendente comercial da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Lucio Dias.
A Cooxupé, que teve nessa safra o recebimento médio de 425 sacas de café por cooperado, está orientando os produtores a estocarem parte do produto já que existe a previsão de 25% de quebra de safra na próxima colheita. A cooperativa também cobra do governo a criação de um seguro de performance para quem estoca, informou reportagem do Diário do Comércio e Indústria/SP.
Já o presidente do conselho deliberativo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), João Lian, acredita na tendência de consolidação das exportações do setor cafeeiro e aponta a promoção do café como principal ferramenta para consecução deste objetivo. "Nosso desafio é estabilizar em 30% nossa participação no mercado mundial", disse.
Lideranças comemoram recuperação de preços
Reunidas no último dia 9, no Coffee Fórum Brazil, lideranças acreditam que o setor cafeeiro vive seu melhor momento nas últimas safras.
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BRUNO FAVARO BEGGIATO
VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 13/11/2006
Ainda acho que não há o que comemorar em relação ao aumento nos preços do café. Nos últimos anos, vendemos o café abaixo do custo de produção, o setor ficou endividado e sem ter condições de um crescimento sustentado. De nada adiantou um único ano (2005) de preços melhores.
No primeiro semestre de 2006, apesar do bom preço em U$$, o mercado ficou abaixo das expectativas, já que muitos produtores seguraram a safra 2005/2006 e os preços tombaram a níveis próximos e até mesmo abaixo dos custos de produção. Quando se compara os custos de produção com a receita gerada pelo café há que se lembrar que devem ser descontados impostos, seguros, além do fato de que em torno de 18% da safra é de bebida inferior e outros 7% são de escolha.
Concluindo, o preço não esta animando ninguém. O governo contribuiu sim com a política anticíclica para um nivelamento maior nos preços do café, porém precisa rever urgentemente a política cambial adotada além de uma divulgação mais ampla (marketing) do café brasileiro lá fora, já que do modo como vão as coisas atualmente acabam por comprometer diretamente a renda do setor além de impedir a geração de novos empregos, inibir o crescimento da economia como um todo e deixar o setor e todo o agronegócio de mãos atadas.
A cotação do café em termos das bolsas internacionais teve uma melhora significativa nos últimos dois anos, só que esse efeito foi anestesiado pela valorização do real. Será que realmente estamos num bom momento? Acho que não, alias, tenho certeza que não.
No primeiro semestre de 2006, apesar do bom preço em U$$, o mercado ficou abaixo das expectativas, já que muitos produtores seguraram a safra 2005/2006 e os preços tombaram a níveis próximos e até mesmo abaixo dos custos de produção. Quando se compara os custos de produção com a receita gerada pelo café há que se lembrar que devem ser descontados impostos, seguros, além do fato de que em torno de 18% da safra é de bebida inferior e outros 7% são de escolha.
Concluindo, o preço não esta animando ninguém. O governo contribuiu sim com a política anticíclica para um nivelamento maior nos preços do café, porém precisa rever urgentemente a política cambial adotada além de uma divulgação mais ampla (marketing) do café brasileiro lá fora, já que do modo como vão as coisas atualmente acabam por comprometer diretamente a renda do setor além de impedir a geração de novos empregos, inibir o crescimento da economia como um todo e deixar o setor e todo o agronegócio de mãos atadas.
A cotação do café em termos das bolsas internacionais teve uma melhora significativa nos últimos dois anos, só que esse efeito foi anestesiado pela valorização do real. Será que realmente estamos num bom momento? Acho que não, alias, tenho certeza que não.