Leitor faz análise sobre os preços do café
O leitor do CaféPoint Carlos Eduardo de Andrade de Viçosa/MG, enviou um comentário ao artigo "Até onde vai o preço da saca de café?", fazendo uma detalhada análise da sobre o cenário da atividade. Acesse e leia a carta na íntegra.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
"Fazer uma análise da perspectiva de preço para café não é fácil. Na atualidade, vários são os fatores e viés econômicos que deve ser levado em conta.
Estou em plena concordância com o Eduardo Carvalhaes, quando ele chama a atenção para a evolução da cafeicultura e evolução dos preços e quando ele diz que os parâmetros e as variáveis são outras e que o Brasil diversificou muito e são muitas as opções de investimento em agronegócio atualmente.
Está se fazendo muito alarde quanto à recuperação de preços, mas na verdade não houve essa recuperação. Os preços mais elevados são somente para os cafés de bebida mole e os cerejas descascados, ou seja, os cafés especiais.
Desde início deste século o cafeicultor está amargando prejuízos. Outro aspecto é quanto relativamente o produtor de café do Brasil produz de café de alta qualidade em sua propriedade. 70%, 60% ou 50%. Cada produtor consegue uma porcentagem, mas quanto representa a produção de café de alta qualidade a nível de Brasil.
Também só falar em qualidade é relativo, há um enorme mercado para café de bebida inferior. O que é qualidade para um pode não ser para outro.
Para se fazer uma análise mais apurada deve-se considerar que o valor do Dólar de hoje não é de forma alguma o mesmo de umas décadas atrás. O custo de produção que vem crescendo ano após ano, tanto em Real quanto em Dólar.
A logística de forma geral também mudou nos últimos anos. Em razão da mudança dela, a relação dos exportadores e dos importadores quanto a fazer ou não estocagem também.
Embora os produtos agrícolas seguem a teoria da economia perfeita muita alteração houve no mercado. Os Fundos de Pensão na atualidade têm influência muito maior do que a alguns anos atrás e o fundamento essencial da regra do mercado também mudou. Pensar somente na relação oferta - demanda, já não é suficiente para fazer previsão de preços.
A grande marginalização do campo e com ela uma enorme pressão sobre os que ainda moram no campo, forçando uma contínua migração para a cidade é contínua no Brasil. ( Exemplo: Quer xingar alguém de burro ou de bobo, no Brasil? Diga: você é da roça...! Veja a legislação ambiental. O povo do campo tem que manter a água dos cursos d água, limpa, para o povo da cidade, encher esses cursos de água de vários detritos e por aí vai...)
As informações, tanto de caráter técnico, quanto de mercado são distorcidas. Os dados estatísticos como um todo são muito imprecisos. A informação sobre produção, consumo, exportação, café torrado e moído com milho, café torrado e moído com palha de café, café torrado e moído com açaí não entra na informação estatística. Toda essa imprecisão acaba atendendo aos que mais ganham com o café. Na atualidade os países produtores ficam com 5% a 7% de toda a renda gerada pelo café no mundo. A margem em relação ao que os produtores de café recebem, comparativamente com as empresas que comercializam o café diretamente com países importadores, giram em torno de 10.000%, isso mesmo, 10.000%.
Penso que a velha teoria administrativa não pode ser esquecida de forma alguma. O produtor deve atentar para o planejamento, a organização, a direção e o controle como um todo ao gerenciar sua propriedade. O produtor não deve colocar todos os ovos na mesma cesta. Ele deve diversificar a produção em sua propriedade em pelo menos três atividades. Penso que talvez seja até conveniente diminuir a área existente com café na propriedade e melhorar a tecnologia de produção e por consequência aumentar a produtividade e a qualidade do café produzido. O produtor deve ser o mais profissional possível.
O produtor deve pensar sua produção como um negócio e se capacitar para tal. Não existe nenhum analista que sabe quando será o pico de preço e nem o ponto mais baixo de preço. Há bem mais facilidade de se manipular informação do que se imagina e na cadeia de produção quem menos entende sobre o mercado são os produtores. Quanto a diminuir os riscos de perder o momento de comercialização, a sugestão é de parcelar a comercialização.
Até a próxima!!!"
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SÃO PAULO - SÃO PAULO - TRADER
EM 02/11/2010
Voce tem razão porém o que ocorreu é que a maioria dos produtores já venderam a maior parte da safra deste ano a uma média de R$270,00 a R$300,00 a saca pois o mercado falava em 55 até 60 milhões de sacas a nossa produção, pagaram alguns compomissos porém ainda vão ficar com outros,isto para os de melhor qualidade. Agora os Exportadores a partir de janeiro continuam vendidos tendo que comprar o nosso café e quando chegar março a junho veremos realmente o que vai sobrar. Portanto a média infelizmente está prejudicada pois este ano tivemos uns 20% de varreção e 20 a 25% de catação e portanto estamos ficando com os cafés de pior qualidade para fazer a tal média.
Quanto aos preços pelas informações que temos a Colombia continua com problemas de bebida e de broca, assim como de quantidade e os Centrais tambem.Agora o preço do nosso café vai estar diretamente relacionado a velocidade da necessidade de abastecimento e nossa capacidade de diluir a venda e não vender a qualquer preço pois a Colombia continua vendendo bem acima da Cotação de N.York e nós bem abaixo inclusive os nossos Exportadores utilizando o Pis e Cofins (cerca de R$32,00 por saca) para dar desconto ao Importador).Realmente uma vergonha e apesar do mercado estar favoravel ao vendedor.Abraço e boa sorte.

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 01/11/2010