Leitor comenta: "nem reconheceram meu nome"

O Instituto de Pesquisas do Equador possuía um jardim clonal abandonado, com 7 clones já testados, que foi reativado por minha insistência. Na verdade, os atuais clones foram selecionados por mim, e não foram "adaptados a uma zona mais seca para evitar pragas", porque eu disse, apesar de duvidarem, que podiam ser plantados em Guayas sem problemas, como de fato aconteceu. Nem ao menos reconhecerem o meu nome.

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O leitor do CaféPoint, Leopoldino Figueiredo Júnior, consultor de café do Espírito Santo, comenta a notícia traduzida originalmente do site elcomercio.com pelo Centro de Inteligência do Café, "Equador: projeto desenvolve novos clones de robusta", reivindicando sua relevante participação na transformação da cafeicultura daquele país e participação na seleção de clones citados pela reportagem. Leia carta a seguir:

"Quem começou estas mudanças na cafeicultura do Equador fui eu, a convite da empresa Elcafé, em 2005, e à revelia do agrônomo citado pela reportagem, que dizia não ser possível plantar café sem sombra, nem seria viável o espaçamento 3m x 1m para robusta.

Na primeira apresentação que fiz na sala de reuniões da indústria Elcafé, mostrando fotos tiradas em lavouras aqui do ES, a reação dos representantes dos órgãos públicos equatorianos foi de desconfiança, de que as fotos seriam "montagem" de computador, tamanho assombro diante de tanta produtividade.

Na segunda e terceira vezes que estive por lá, a convite da Ard-pronorte, uma empresa americana que desenvolve projetos no terceiro mundo com verbas da USAID, fui com alguns desses agrônomos à Amazônia Oriental, em visita a pequenos cafeicultores indígenas.

Lá, identifiquei plantas com potencial para serem matrizes clonais, inclusive encontrei plantas de conilon perdidas em lavouras na floresta, que segundo produtores, foram plantadas com sementes vindas do Brasil há mais de 40 anos.

O INIAP, Instituto de Pesquisas, possuía um jardim clonal abandonado, com 7 clones já testados, que foi reativado por minha insistência. Na Primeira Conferência Nacional de Café no Equador, em abril, durante minha palestra, perguntei onde estavam os responsáveis pela cafeicultura equatoriana durante esses últimos 20 anos em que deixaram os produtores à própria sorte.

Na verdade, os atuais clones foram selecionados por mim, e não foram "adaptados a uma zona mais seca para evitar pragas", porque eu disse, apesar de duvidarem, que podiam ser plantados em Guayas sem problemas, como de fato aconteceu.

Gostaria de utilizar desse meio para externar minha revolta em ver o cinismo e a cara de pau desses senhores que tanto prejudicaram os cafeicultores de um país inteiro durante tanto tempo, insistindo em técnicas obsoletas e negando a aceitar mudanças, que agora aparecem como atores principais dessa transformação, sem nem ao menos reconhecerem o meu nome, já que por eles tudo teria se mantido como estava.

Semana passada, a trabalho no México, conversando com um equatoriano que testemunhou todo o processo, ele me dizia, revoltado, que na primeira oportunidade, estando no Equador, vai falar da nossa indignação à imprensa".

Acesse a carta.

Julio Frare, equipe CaféPoint
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