Leitor comenta a suspensão de impostos de importação

O leitor do CaféPoint Guilherme de Menezes Machado (Trader), de Belo Horizonte/MG, enviou um comentário ao artigo "<a href="http://www.cafepoint.com.br/?noticiaID=58934&actA=7&areaID=26&secaoID=47"><U>EUA culpam Amorim por impasse em Doha</U></A>". Acesse e leia a carta na íntegra.

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O leitor do CaféPoint Guilherme de Menezes Machado (Trader), de Belo Horizonte/MG, enviou um comentário ao artigo "EUA culpam Amorim por impasse em Doha". Abaixo leia a carta na íntegra.

"O Ministro está certíssimo. Os EUA estão querendo condenar os países que estão buscando um crescimento mais sólido, como é o caso do Brasil, a um estado permanente de subdesenvolvimento.

Se os produtos importados tiverem redução no imposto de importação nesse contexto de valorização do real (dólar barato), a indústria nacional enfrentará sérios problemas de concorrência com estes importados, que, apesar de significarem uma melhoria no padrão de vida a curto prazo, no longo prazo gerarão desemprego e sucateamento da indústria nacional.

Os EUA se esquecem que têm uma longa história de protecionismo e intervenção estatal na economia que perdura até hoje com os subsídios para o setor agropecuário. Eles querem chutar a escada que eles utilizaram para subir para que não usemos e não os ameacemos também.

Não sou defensor do protecionismo, mas o mercado desregulado só traria benefícios para os países produtores de produtos de alto valor agregado, com altos índices de produtividade e, consequentemente, de competitividade - leia-se países desenvolvidos.

De toda forma, o governo deve intervir de modo a não permitir a asfixia da economia nacional e a eterna dependência de outros países em se tratando de produtos de maior valor agregado.

Os oito anos dos quais o sr. Kirk se refere são oito anos de fortalecimento da economia nacional, com melhoria visível no setor industrial, aumento das exportações, incentivos a diversas áreas produtivas - embora o agronegócio merecesse muito mais atenção. Estes oito anos que nos possibilitaram enfrentar esta crise com muito menos dificuldade do que outros países e a sair dela muito melhor do que a maioria deles.

Só para dar um exemplo:

Imagine se o café torrado e moído alemão entrasse no Brasil com preços competitivos devido à suspensão de impostos de importação. Significaria a melhoria da qualidade do café nacional, que deveria se adaptar para concorrer com um produto sem palha de milho, mas poderia significar milhares de demissões nas torrefações, vendas menores no mercado interno, e aí por diante...

Assim não dá, né?"


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Guilherme de Menezes Machado
GUILHERME DE MENEZES MACHADO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - TRADER

EM 04/12/2009

O problema tem dois complicadores essenciais.

1) Produtividade
2) Balança Comercial

Concordo que um mercado fechado é altamente prejudicial, foi o que aconteceu conosco antes da abertura promovida por Collor em 1990. Eu tinha uns 5 anos, mas lembro que na época os carros eram todos de design antiquado e nem chegavam perto dos carros importados. As montadoras tiveram que se adaptar, lançando carros mais modernos e tudo. E hoje exportamos pro mundo.

O problema é que um carro japonês, por exemplo, tem um custo de produção muito menor do que o nacional porque eles têm muito mais tecnologia. Como se sabe, a tecnologia aumenta a produtividade e faz mais gastando menos, daí, a grosso modo, a redução de custos. Se não tivesse um imposto de importação de 35% (+ todos os impostos internos pagos por um carro nacional), quem iria comprar um modelo produzido no Brasil? O tipo de concorrência seria igual o que é feito pelos produtos chineses em frente aos produtos nacionais - estou pensando no caso dos sapatos, onde várias firmas tiveram que fechar as portas em Nova Serrana por não conseguir competir com os preços dos chineses.

Agora, vamos supor que o governo suspenda o imposto de importação desses veículos e todo mundo passe a comprá-los. Teríamos uma saída imediata de dólares do Brasil, mas poderia comprometer a balança comercial. Se houver déficit na balança, nós temos que pedir empréstimo nos órgãos financeiros do exterior (FMI, BID, etc), aí vem aquela velha história que já conhecemos bem (inclusive com intervenções em nossas políticas econômicas)
Mas essa abertura PLENA, como você falou, é ruim para nós que ainda não temos indústrias tão fortes e competitivas como estes países. O que temos que fazer é um projeto nacional - que não se esqueça do agronegócio - para termos uma indústria suficientemente forte para conseguir aguentar a concorrência externa sem precisar de impostos de importação tão elevados. Isto significa melhoria da qualidade e competitividade, o que não precisa ser feito através de importações, mas de exportações, onde temos que concorrer no mercado com produtos de todo mundo. A cultura exportadora é uma das maiores promotoras de qualidade.

Quanto aos impostos internos, concordo que prejudicam em muito os nossos produtos, mas no mercado interno, pois para exportação eles são suspensos. Você acredita que um produto brasileiro é mais barato no mercado chileno do que no nacional? É culpa do bendito do IPI... Lá é até 20% só, mas a maioria é taxada em menos de 10%.

Isso só não é mais sacanagem do que aquilo que fazem com meu Galo mesmo...

Vamos continuando a prosa, é bacana.
Joseph Crescenzi
JOSEPH CRESCENZI

ITAIPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 04/12/2009

Acredito que as vantagems de longo prazo serão para os paises com mercados mais livres, menos impostos e menos regulamentos sobre suas indústrias.
Como um pé de café na sombra, muita água e uréia á vontade fica viciado e não produz café, indústria protegida dos "males da concorrência" não fica competitivo.

Dizer que a indústria Brasileira não tem como competir com os alemães?
Com os impostos nacionais e estaduais no nível que estão, realmente, é como o Galo ganhar do Cruzeiro tomando 4 cartão vermelho. Agora,

Se limpar os regulamentos e os impostos nacionais e estaduais para equilíbrio com a concorrência, acho que Brasil ganha o jogo de competividade.
Isso irá permetir também que o dólar fica em um patamar mais vantagoso para o nosso produtor, pois vamos importar mais bens que faz mais dólares sair do país e por ai vai. Todos ganham.