A Junta Executiva da OIC (Organização Internacional do Café) realizou sua 266ª reunião, ontem, em Londres. Durante o encontro, o diretor-executivo da entidade, Néstor Osorio, apresentou um panorama do Mercado Internacional do Café, demonstrando que, em termos históricos, as cotações se encontram em bons patamares. Os preços dos cafés arábicas ultrapassaram os níveis de US$ 1,20 por libra peso a partir de maio de 2007, enquanto os robustas, pela primeira vez nos últimos nove anos, romperam a equivalência de US$ 1,00 por libra peso.
Infelizmente, porém, o impacto da desvalorização do dólar em alguns países prejudicou os cafeicultores. Osorio demonstrou que, no Brasil, país onde os produtores foram mais prejudicados, o dólar saiu de R$ 3,08, em 2003, para R$ 1,90, em 2007, com perdas superiores a 38%. No ranking das perdas com o câmbio, a Colômbia vem no segundo lugar, com prejuízo de 27,46% no mesmo período, seguida por Uganda (-12,59%) e Índia (-10,41%).
Na contramão dessas perdas, os produtores de Honduras, Vietnã, Indonésia e México registraram valorizações na conversão cambial. Os ganhos foram, respectivamente, de 8,93%, 4,54%, 2,34% e 1,39%, fato que tornou essas nações mais competitivas no mercado externo. Já no que diz respeito ao consumo mundial de café, o diretor-executivo da OIC informou que permanece crescendo entre 1,7% e 2,0% ao ano. Com o contínuo aumento da demanda, o equilíbrio entre produção e consumo mundial verificado em 2007 deve permanecer neste ano, o que reforça a tendência altista nos preços do café.
Entretanto, o presidente do CNC (Conselho Nacional do Café), Gilson Ximenes, lembrou que a política cambial brasileira, conforme demonstrado pelos próprios dados da OIC, faz com que sejam estudadas e adotadas novas alternativas para a cafeicultura nacional. "Em vista da defasagem cambial, temos que quebrar paradigmas, assim como outras commodities já mudaram seus referenciais de preço, e fixar cotações acima de US$ 200 para o café brasileiro, caso contrário, nossa competitividade enfraquecerá, uma vez que os produtores não terão renda para investir ou mesmo para permanecer na cafeicultura", alertou.
Também na tarde de ontem, o consultor Carlos Brando, da P&A Marketing Internacional, apresentou o projeto da Rede de Promoção de Café - sistema via internet que visa criar comunidades virtuais para troca de informações e desenvolvimento de mercado -, para o qual foi contratado pela OIC. Exemplos de comunidade que devem ser criadas nesta rede são: "Café e Saúde", "Café na Escola", "Qualidade", "Modo de preparo", "Ciência", "Tecnologia", "Pesquisas", "Eventos", entre outros. Os interessados em participar desta nova rede deverão, a partir do dia 15 de fevereiro deste ano, acessar www.promotionetwork.com.
Ainda na reunião de ontem, definiu-se a realização do "Seminário sobre Indicações Geográficas", o qual ocorrerá ao longo da próxima rodada de reuniões da Organização Internacional do Café, prevista para o período de 19 a 23 de maio de 2008. Na tarde desta sexta-feira, será realizada reunião extraordinária do Conselho da OIC, oportunidade em que deverá ser definido o depositário do novo AIC (Acordo Internacional do Café), aprovado em setembro de 2007.
A delegação brasileira que participa dessa rodada de reuniões, em Londres, é chefiada pela ministra Ana Maria Sampaio Fernandes - recém nomeada Embaixadora do Brasil no Quênia, que, portanto, despede-se do comando das negociações do Brasil na OIC. Participam, ainda, Arnaldo Baena Fernandes e Felipe Ramos Costa, do Itamaraty; José Gerardo Fontelles e Lucas Tadeu Ferreira, do Ministério da Agricultura; e Jaime Junqueira Payne, presidente do Comitê de Estatísticas da OIC e assessor técnico do Conselho Nacional do Café.
Junta Executiva da OIC discute tendências de mercado e promoção
A Junta Executiva da OIC (Organização Internacional do Café) realizou sua 266ª reunião, ontem, em Londres. Durante o encontro, o diretor-executivo da entidade, Néstor Osorio, apresentou um panorama do Mercado Internacional do Café, demonstrando que, em termos históricos, as cotações se encontram em bons patamares. Infelizmente, porém, o impacto da desvalorização do dólar em alguns países prejudicou os cafeicultores. Osorio demonstrou que, no Brasil, país onde os produtores foram mais prejudicados, o dólar saiu de R$ 3,08, em 2003, para R$ 1,90, em 2007, com perdas superiores a 38%. No ranking das perdas com o câmbio, a Colômbia vem no segundo lugar, com prejuízo de 27,46% no mesmo período, seguida por Uganda (-12,59%) e Índia (-10,41%).
Publicado por: CaféPoint
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