Os jovens empresários estão reinventando o jeito de produzir e comercializar café. Eles adotaram uma administração empresarial e estão quebrando paradigmas. São descendentes de famílias com origem rural, algumas delas em colônias de café nascidas nos séculos XIX e XX. Mas construíram suas vidas em grandes cidades, onde estudaram, se capacitaram tecnicamente e eram totalmente urbanos quando decidiram investir em empreendimentos rurais. "Conseguimos informações valiosas sobre fornecedores, clientes e tendências de consumo", diz Pereira Carneiro, 33 anos, administrador, economista e sócio-proprietário da Carmo Coffees. A empresa exportadora nasceu para comercializar os cafés especiais produzido pela família. Fundada em 2005, vende por ano 35 mil sacas para o Japão, Canadá e os Estados Unidos, entre outros países.
O primo e sócio Pereira Filho também está na parada de desbravar o mercado internacional. "Incentivamos nossos pais a continuar na exploração dessa cultura e fizemos o trabalho da porteira para fora", diz Pereira Filho. Ele descobriu um mercado prazeroso, até mesmo para o seu networking. E brinca: "Imagine uma cidade como Carmo de Minas, com apenas 14 mil habitantes, ser projetada para o mundo." Pereira Filho iniciou sua trajetória empresarial aos 17 anos, apaixonado pelos verdes cafezais ao acompanhar os pais na lida das fazendas Serrado e Grupo Sertão, ambas em Carmo de Minas. Aos 30 anos, neste início de 2011, se tornou o presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, sigla em inglês), entidade destinada a promover e a difundir os grãos especiais mundo afora.
A 23ª Feira de Cafés Especiais, o principal evento do setor, realizada nos meses de abril e maio em Houston, nos Estados Unidos, é um exemplo do potencial de mercado. A estimativa é de US$ 3 milhões em negócios fechados pelos brasileiros durante a feira e de US$ 23 milhões em negócios que devem ser levados adiante, em contratos futuros. A nova geração ingressou até mesmo no ramo de maquinários. Ao terminar o curso de administração, Alonso Fontes, 32 anos e fundador da Café Store, descobriu um outro nicho. Em 2010, com investimento inicial de R$ 1 milhão, fundou uma loja virtual que oferece acessórios, além de mais de 200 tipos de cafés gourmet. O site tem uma média mensal de faturamento de R$ 55 mil e a expectativa de crescimento, ao longo de 2011, é de 10% ao mês.
Foi também graças ao grão especial que Pinto Júnior, de 29 anos, pôde expandir para todo o País as operações de sua empresa, a Unique, que faturou R$ 1,2 milhão em 2010. Há dez anos, Pinto Júnior, cuja família está há quatro gerações no ramo, decidiu investir no segmento. "Antigamente a gente só trabalhava com a matéria-prima, mas há cinco anos iniciamos o beneficiamento dos grãos", diz. O preço do café especial é, no mínimo, 50% superior ao produto tradicional.
Junto ao quarteto carmolense está um quinto elemento, uma jovem que há quatro anos caiu de amores pelos grãos de café. No seu caso, foi a vaidade que falou mais alto. E veio recheada de bons negócios. Vanessa Vilela, 33 anos, farmacêutica e bioquímica, na vizinha Três Pontas, investiu nas propriedades dos cafés especiais para o uso cosmético. Em 2007, criou a Kapeh. "O grão é certificado e vem das fazendas da própria família", diz Vanessa. Sabonetes, hidratanttes, gel pós-barba e outros produtos fazem parte do portfólio. Além do investimento de R$ 300 mil, Hoje, seus produtos são distribuídos em farmácias de manipulação e cafeteria, em mais de 300 pontos em cidades do Sul, Centro-Oeste e Sudeste.
A reportagem é da Isto É Dinheiro Rural, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
Jovens empreendedores: 'a nova safra do café'
Quando chegou apressado para a sessão de fotos desta reportagem, o empresário Jacques Pereira Carneiro, não tinha a menor ideia do que aconteceria. Mas não parecia preocupado. O encontro com os amigos Hélcio Carneiro Pinto Júnior, Caio Alonso Fontes e Luiz Paulo Pereira Filho com certeza se transformaria em confraternização na pequena Carmo de Minas (MG). O quarteto, na faixa dos 30 anos, ao mesmo tempo em que se ajeitava para as lentes, discutia ideias e até trocava figurinhas sobre seus negócios. Juntos, eles formam a novíssima safra de empreendedores no ramo de cafés especiais e contribuem com 40% de um mercado que movimenta R$ 1 bilhão por ano no País. "Os jovens são mais abertos a cooperar uns com os outros, a dividir e discutir ideias", diz Pereira Carneiro. Até pouco tempo atrás, a atividade cafeeira era coisa da roça. "Hoje, estar no mercado de cafés especiais é ´chique no Urtimo'", diz Pereira Filho.
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