João Lopes (Assocafé) vê boas perspectivas para o café

João Lopes Araujo, presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia, afirma que o Brasil chegou ao final de 2009 com a conclusão que o café é um gigante na corda bamba. Contudo, acredita-se que a expectativa dos produtores para 2010 é positiva.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

João Lopes Araujo, presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia, afirma que o Brasil chegou ao final de 2009 com a conclusão que o café é um gigante na corda bamba. Contudo, acredita que a expectativa dos produtores para 2010 é positiva.

"Não há mais como apertar o cinto. Tudo que foi conseguido em produtividade, qualidade, redução de custos, certificação, etc. não se converteu em mais renda. Tivemos, logo no dia 1º de janeiro, um aumento do salário mínimo que é de grande impacto nos nossos custos, cerca de 10%. O real continua sendo o nosso maior problema nos últimos sete anos. De 2003 até hoje, valorizou-se 100,21%. E não tem qualquer possibilidade de desvalorizar-se, pois as condições do país são extraordinárias para a entrada de recursos. Seja para aplicação em títulos públicos, com nossos juros ainda campeões mundiais, seja para aplicação em atividades produtivas, onde temos opções ilimitadas de aplicação. Todo o setor exportador brasileiro está fragilizado.

Contudo, a expectativa dos produtores para 2010 nunca foi tão boa, tão positiva. As conquistas científicas e médicas confirmam a vantagem do consumo do café para a saúde humana. Além de prazer e alimento, café também é medicamento. O uso habitual pelas famílias de todas as classes sociais, consolidado em casa, aumenta rapidamente fora do lar onde as cafeterias despontam como molas propulsoras. As máquinas de café espresso estão até nas lojas de conveniências. A mídia tem disponibilizado os melhores espaços em horário nobre e nas páginas principais, para promover as qualidades físico-químico-medicinais do café.

O consumo continua, assim, crescendo firmemente no mundo, e no Brasil com o maior percentual, nos aproximando da liderança mundial também no consumo. Esperança maior porém vem das informações que nos chegam, às vezes pouco confiáveis, pela nossa fragilidade nos métodos de pesquisas de safra, de que os estoques no mundo estão animadoramente baixos.

Qualquer notícia de problema climático gera uma explosão de preço indesejada por produtores e consumidores. Sem falar em geada, hoje menos preocupante, temos regiões sujeitas a excesso de chuva, como o sudeste no momento, e outras à escassez. No resto do mundo as noticias de problemas climáticos em áreas produtoras são frequentes e não desprezáveis.

Sem qualquer especulação nem sonho infundado, o produtor acredita que o momento pode ser de recuperação de renda. Isto também irá permitir ao industrial o aumento de sua margem e assim investir mais na qualidade do café oferecido ao consumidor brasileiro, já muito exigente. A busca de qualidade pelo consumidor nos dá garantia de sucesso na luta pelo aperfeiçoamento no processo da produção, buscado nos ensinamentos focados nos concursos de qualidade.

O produtor, além de qualquer fato positivo do mercado, espera o apoio do Governo Brasileiro - como já delineado neste ano - no equacionamento do endividamento, no aporte de recursos que permita a entrada da safra no mercado com mais organização evitando a exploração da vulnerabilidade do pequeno produtor; com mais verba para o marketing e para o programa Café e Saúde, instrumentos fundamentais na nossa sustentabilidade. Em pesquisas, que sabidamente temos avançado e nos destacamos brilhantemente no mundo, precisamos continuar investindo.

Nós no Oeste da Bahia estamos adaptando com sucesso as tecnologias importadas de outras regiões, mas, é fundamental a disponibilização de recursos para somar-se aos investimentos dos próprios produtores e da Fundação Bahia na continuidade, sem solavancos.

A redução da carga tributária direta e indireta incidente sobre o setor terá que ser rapidamente revista para manter a cadeia café competitiva frente aos mais de 50 países produtores do mundo, que não têm problemas cambiais.

Conta também o produtor com o empenho diplomático para a retirada da taxação ao nosso produto industrializado em alguns países, e na liberação da cotação do café arábica brasileiro na bolsa de Nova Iorque, livrando-nos dos famosos deságios (diferenciais) nos preços de venda pelos exportadores de cafés descascados e despolpados, um beneficio descabido aos cafés colombianos e centrais.

Que 2010 seja o ano do cafeicultor!"

As informações são de João Lopes Araujo, resumidas e adaptadas pela equipe CaféPoint.
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no CaféPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Roberto Ticoulat
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 16/01/2010

Caro João Lopes,

Temos de agradecer a existência do Café Point que nos propicia a possibilidade de podermos ter acesso rápido e fácil a posições tão importantes como as destacadas em seu artigo.

A seu convite, tive a oportunidade de ter conhecido o Oeste Baiano e em outra oportunidade conhecer o Sul da Bahia, ambas regiões um exemplo para a cafeicultura nacional.

Sou um entusiasta do trabalho que está sendo realizado na Bahia, que apesar de todos os problemas relatados em seu artigo, mostra o profissionalismo da cafeicultura baiana dentro e fora da porteira.

Mas como você colocou brilhantemente em seu artigo: de que adianta nosso profissionalismo se temos tantas barreiras a nivel institucional a serem vencidas? O ano de 2.010 pode ser transformado em uma excelente oportunidade para o setor mas, para isto, temos de de deixar de dicutir somente as dividas e partirmos para realizar o Marketing do Café Brasileiro.

E quando me refiro a Marketing não me refiro a Propaganda somente mas, sim ao Marketing em todos os seus aspectos. Temos de discutir os impostos internamente e externamente, o controle cambial e sua taxa, o equacionamento das dividas, sem perder o horizonte que necessitam ser liquidadas, a qualidade, a entrega de nosso café em NY, a qualidade mínima de café a ser exportado, a penetração em novos mercados, a Propaganda Institucional, a mudança de atitude dos orgãos fiscalizados para serem parceiros dos agricultores e não os carrascos dos bem intencionados, entre tantos aspectos .

Parabéns mais uma vez pelo seu artigo.

Abraço,

Roberto Ticoulat
Vice-presidente Sociedade Rural Brasileira.