Japão: busca por aumento da demanda beneficia Brasil

Para os exportadores, o mercado japonês é especial, porque é lá que estão alguns dos melhores prêmios por qualidade pagos no mundo, que chegam a US$ 4 por saca. E isso acontece porque consumidores costumam ser bastante exigentes. Em 2006, o valor médio das exportações de café do Brasil chegou a US$ 119,2, já o Japão, pagou na média, US$ 131,8 por saca.

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O mercado japonês de café, um dos mais cobiçados pelos exportadores brasileiros devido aos bons prêmios pela qualidade que costuma oferecer, começou a enfrentar o desafio do contínuo crescimento, devido à tendência de declínio populacional no país.

Em 2006, o Japão importou, no total, o equivalente a 7,6 milhões de sacas de café, incluindo o grão verde e industrializado. Com isso, tornou-se o terceiro maior importador do produto do mundo, segundo a All Japan Coffee Association, que reúne toda a cadeia produtiva do segmento naquele país.

O volume de café importado em 1970 não passou de 1,5 milhão de sacas. Dez anos depois, foram 3,2 milhões de sacas, volume que chegou a 5,4 milhões no início da década de 90 e a 7 milhões em 2000. Especialistas dizem que o expressivo crescimento deu-se em razão da sedimentação de alguns costumes ocidentais, sobretudo após a segunda guerra mundial, mas também devido à estabilização da demanda por chá verde.

Atualmente, existe uma dificuldade maior em elevar a demanda e isso exige esforços para melhorar a apresentação do produto e realizar promoções para tentar elevar o consumo per capita interno.

De janeiro a abril de 2007, conforme o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), foram enviadas ao mercado japonês 663,3 mil sacas, 1,7% mais que em igual intervalo do ano passado, graças ao crescimento das vendas de café solúvel.

Kuzumi Hikita, presidente da Mitsui Alimentos, grande exportadora de café brasileiro para o Japão, sustenta que "os japoneses inventaram uma nova forma de beber café após a entrada do solúvel". Ele lembra que a indústria local criou o café em lata, pronto para beber, no início da década de 70. Gelado no verão e quente no inverno, puro ou com leite, com ou sem açúcar.

A companhia está entre as grandes multinacionais japonesas que vieram para o Brasil no rastro do café, a exemplo de Marubeni e Mitsubishi - por meio de sua subsidiária MC Coffee do Brasil. Todas também exportam para outros países, tanto que a Mitsui tem a perspectiva de embarcar, neste ano de 2007, um total de 900 mil sacas do produto brasileiro.

Para os exportadores, o mercado japonês é especial, porque é lá que estão alguns dos melhores prêmios por qualidade pagos no mundo, que chegam a US$ 4 por saca. E isso acontece porque consumidores costumam ser bastante exigentes. Em 2006, o valor médio das exportações de café do Brasil chegou a US$ 119,2, já o Japão, pagou na média, US$ 131,8 por saca.

Guilherme Braga, diretor-executivo do Cecafé, está entre os otimistas em relação ao Japão. Para ele, o café já é um hábito japonês e o consumo fora de casa é crescente. Além disso, Braga confia no avanço regional do café industrializado do Japão. "Não se trata de uma simples reexportação, no sentido tradicional, mas na colocação de um produto com valor agregado que se impõe pela qualidade e tem sustentabilidade", afirmou. Informou reportagem de José Rodrigues, para o Valor.
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