Ipanema Coffees: terras têm ganhos acima da inflação
Com aproximadamente 6 mil hectares plantados e 18 milhões de pés de café em produção, a Ipanema Coffees viu suas terras se valorizarem nos últimos anos. Nem tanto pela recente alta dos preços, mas devido às circunstâncias econômicas favoráveis ao próprio mercado de terras para fins agrícolas.
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"Por causa de nossos investidores, fazemos avaliações semestrais de nossos ativos e presenciamos uma valorização nos preços de nossas terras além da inflação", afirma Washington Rodrigues, presidente da Ipanema Coffees. Segundo ele, nos últimos quatro anos os levantamentos da empresa indicam que as áreas ocupadas com os cafezais tiveram um ganho real anual - já descontada a inflação - de 15%.
Apesar de considerar que a alta dos preços do café não é o principal fator de valorização das terras da Ipanema, Rodrigues admite que a disposição dos investidores em direcionar recursos para o setor cresceu nos últimos seis meses, quando as cotações começaram a subir. Em sua opinião, parte dos investimentos que eram direcionados para compras de terras destinadas à cana-de-açúcar está migrando para os cafezais. "O café estava com uma valorização represada. Entre as commodities, foi a última a ter os preços reajustados".
Após as altas recentes e a perspectiva de novos ganhos para o café, vender uma fazenda de café na região do sul de Minas está mais difícil. Segundo Carlos Paulino, presidente da Cooxupé, maior cooperativa de café do mundo, vendas de grandes extensões geralmente ocorrem quando o produtor está endividado. "Nesses casos, o comprador assume a dívida, paga esse passivo de forma parcelada de acordo com o plano feito no passado, e o vendedor faz pagamentos parcelados da parte que lhe cabe", diz Paulino.
No caso de negociações de áreas menores, Paulino afirma que os produtores que dispõem de capital para aquisições venderam o café a preços médios de R$ 300 por saca. Já os produtores que pretendem vender suas áreas tomam como base o valor atual da saca de café, que está ao redor de R$ 400.
"Quem vende [a terra] pede muito porque o preço subiu e quem compra oferece menos, porque quando se capitalizou com a venda de café foi a preços menores. Com isso as negociações ficam travadas", diz o presidente da Cooxupé.
A reportagem é de Alexandre Inacio, para o jornal Valor Econômico, adaptada pela Equipe CaféPoint.
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