Indústria tenta reverter alta e produtor segura vendas

Pressionados pelo aumento nos custo de produção, indústrias de alimentos e fundos de hedge tentam reverter a tendência altista para as cotações de café em 2009. A expectativa por uma oferta deficitária na safra 2009/10 por parte dos principais países produtores fez o Goldman Sachs prever uma disparada de 25% no valor dos contratos futuros de café arábica este ano.

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Pressionados pelo aumento nos custo de produção, indústrias de alimentos e fundos de hedge tentam reverter a tendência altista para as cotações de café em 2009. A expectativa por uma oferta deficitária na safra 2009/10 por parte dos principais países produtores fez o Goldman Sachs prever uma disparada de 25% no valor dos contratos futuros de café arábica este ano.

Sem condições de realizar o repasse necessário de preços, em razão da crise mundial, grandes empresas e redes de cafeteria continuam emitindo sinais de dificuldades e intensificam a pressão sobre a cotação do café.

Os preços do grão nas principais praças internacionais de comercialização chegaram a registrar queda superior a 5% na semana passada. No último levantamento semanal de preços divulgado pela Organização Internacional do Café (OIC) - de 11 a 18 de fevereiro - os preços diários compostos (calculados a partir da cotação de colombianos suaves (14%), outros suaves (20%), brasileiros naturais (31%) e robustas (35%) - tiveram queda de 4,17%. Os grãos brasileiros ficaram cotados a 96 centavos de dólar por libra-peso, e tiveram uma desvalorização de 6,11%.

Os produtores se afastaram das vendas ao perceber que os compradores queriam repassar as baixas das bolsas para os preços do físico. Segundo informações do Escritório Carvalhaes, o mercado físico no Brasil tem se mostrado calmo, com vendedores desinteressados. "Os negócios realizados, poucos frente à necessidade diária da indústria e da exportação, foram para cumprir compromissos inadiáveis", afirmou Sérgio Carvalhaes no último boletim da Corretora.

A queda-de-braço entre indústria e produtores já dura semanas e não tem previsão para terminar. No final de janeiro, quando os preços internos do café arábica operavam em alta, os negócios já estavam restritos, movimentado apenas pelas exportadoras com urgência em obter o grão.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), agentes comentaram que algumas grandes empresas estiveram ativas, obtendo lotes de arábica de melhor qualidade a cerca de R$ 280 a saca, no intuito de completar embarques imediatos. "A maior procura elevou as cotações do grão, mas boa parte das empresas segue receosa, aguardando maior liquidez do mercado interno", explicou Margarete Boteon, pesquisadora do Cepea.

Liquidez que não deve acontecer no curto prazo, pelo menos no Brasil. Com a sinalização do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, de que haverá novos leilões de opções em meados de maio, o cafeicultor brasileiro deverá segurar ainda mais o produto a espera de que o mercado remunere pelo menos o valor equivalente ao que poderá ser obtido com a venda ao governo, da ordem de R$ 320 a saca.

Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, confirma o baixo fluxo de negócios. "O mercado está complicado, não tem nenhum comprador agressivo e o produtor também não está querendo fazer negócio", avalia.

Barabach explica que uma elevação nos preços já era prevista, mas que esta ainda não atingiu o patamar esperado pelos produtores e não é maior que os valores que a indústria já trabalhava em 2008. "Em fevereiro e março do ano passado, o café era cotado, em média, a 170 centavos por libra-peso. Hoje, gira em torno de 120 centavos", disse.

Ele destaca ainda que a ação dos fundos de investimento está bem mais inibida esse ano, o que evita grandes altas artificiais. Enquanto no dia 26 de fevereiro de 2008 os fundos detinham 58.400 posições compradas, hoje atuam com cerca de 7 mil posições também compradas. "Hoje o cenário para a indústria é bem mais interessante do que foi, mais confortável em termos de preço. O problema não é o custo para a aquisição da matéria-prima, mas sim a demanda em meio a uma economia desaquecida", afirma.

Outros países produtores também registram números que mostram uma diminuição nas vendas. Na América Central, as exportações de café caíram 8,4% em janeiro. Só na Colômbia, a retração foi da ordem de 18%, segundo a Federação Nacional de Cafeicultores (FNC). Nos últimos 12 meses encerrados em janeiro de 2009, as exportações de café da Colômbia caíram 5%.

A matéria, de Priscila Machado, foi publicada no Diário do Comércio e Indústria/SP, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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Mara Freitas
MARA FREITAS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2009

Creio que a alternativa mais inteligente é a intensificação dos negócios na BM&F/Bovespa. O Brasil é o maior produtor, o segundo maior mercado consumidor per capita do mundo, mas não é formador de preço em nível global. Ainda estamos sujeitos aos humores de Wall Street. Fora isso, a política cafeeira ainda continua a demandar um encontro de ideias com o pós-modernismo, impresso em vários exemplos de nossa arte. No dia em que as curvas de Niemayer, pós-modernas, eternas, silencionas, simples, aparecerem impressas nos documentos, nas deliberações políticas nacionais em torno da cafeicultura, a discussão não será centrada sobre a busca de culpados. Teremos respostas definitivas, atemporais como o Estado, no seu sentido mais lato. O Estado, sustentáculo da dignidade, da moral, locus da cidadania plena, sustentável.

A explicação sobre a eterna questão dos preços está na Riqueza das Nações, de David Ricardo. O Brasil optou durante séculos em investir na sustentação da sua vantagem comparativa, o café verde. Eu tive que reler esta obra seminal e aprofundar meus estudos na área de comércio internacional, para compreender este detalhe, historicamente construído, que muda tudo. A indústria jamais foi um centro de referência. É uma opção, que tem um preço, no caso a minimização dos lucros dos cafeicultores, a qualquer tempo.

Essa regra do jogo só vai mudar no dia em que as autoridades que representam o setor no CDPC resolverem mudar a estratégia até então adotada. Ceteris paribus, não.
Lucas Antonio Quintanilha
LUCAS ANTONIO QUINTANILHA

VARGINHA - MINAS GERAIS

EM 26/02/2009

Concordo com a declaração do Dr João Carlos Remedio, o produtor sempre espera o ano que vem para que as coisas melhorem e sempre são sacrificados pelos atravessadores e compradores. Mas como estamos em um país de muita fé, vamos esperar que se concretizem as perspectivas dos especialistas, e que esses especialistas se transformem em PROFETAS
João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 26/02/2009

A indústria tem agido como uma iena, querendo comer a carcaça do produtor já abatido. Agora tudo é culpa da crise mundial. Os preços praticados não cobrem nem o custo de produção. Pena que a maioria dos cafeicultores estão descapitalizados e não podem segurar todas suas produções.

Todos os países produtores de café terão redução em suas colheitas. Especialistas estão prevendo uma disparada de preços do café com crise ou sem crise. Afinal, se têm um setor que entende bem de crise é a cafeicultura. Que bons ventos possam soprar em nossas lavouras!