Indústria e cafeicultores divergem sobre drawback

Importar matéria-prima para reexportar o produto industrializado, com valor agregado 280% maior. O <i>drawback</i> é comum. O que surpreende é a matéria-prima: o café, pois o Brasil é o maior produtor mundial. Por isso, o assunto foi tema de debate no 8º. Agrocafé, realizado na Bahia.

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Importar matéria-prima para reexportar o produto industrializado, com valor agregado 280% maior. O drawback é comum. O que surpreende é a matéria-prima: o café, pois o Brasil é o maior produtor mundial. Por isso, o assunto foi tema de debate no 8º. Agrocafé, realizado na Bahia.

O diretor-executivo da Café Solúvel Brasília e vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (Abics), Ruy Barreto Filho, explicou que a importação de café do Vietnã visa dar ao Brasil condições de agregar valor à mercadoria, tornando-o um grande exportador do produto industrializado.

O volume de café solúvel brasileiro exportado caiu 16,6% em 2006, em comparação com 2005. O líder nessa área é a Alemanha, país que não tem um único cafezal.

Como o café vietnamita é mais barato que o brasileiro, devido aos baixos custos da mão-de-obra, sua utilização aumentaria a competitividade das empresas nacionais. "O Brasil vem perdendo oportunidades no comércio externo por não adotar para o café o regime de drawback, que permitiria às suas indústrias importar o produto para revendê-lo como solúvel, agregando valor às exportações", observou.

"Futuramente sofreremos ainda mais com a escassez do produto, principalmente no Brasil, onde o mercado interno consome cerca de 50% da safra nacional, e este déficit vai inviabilizar as industrias brasileiras de café solúvel pela falta de produto que vão enfrentar no mercado mundial. Por isso, a única saída de mercado, real, concreta e de boa lucidez é sem dúvida alguma fazer o drawback do café do Vietnã, tirando assim todo excedente, trazendo-o para forma solúvel, garantindo ao produtor brasileiro uma melhor remuneração futura, preservando os mercados conquistados", acrescentou.

Mas o assunto requer reflexão ponderada. "O principal ponto a ser considerado é que o drawback constitui medida extraordinária - e, portanto, temporária - a ser adotada num momento em que há excesso de produção oriunda de países de baixo custo de mão-de-obra", comentou.

O que não deixa de ser polêmica, pois produtores acham que vão sair prejudicados. "O meu medo é que, ao invés de negociarmos uma solução aceitável, sejamos, um dia, surpreendidos por uma medida abrangente com casca e tudo. Pode acontecer como no trigo, importado durante a safra para ocorrer uma queda no seu preço", disse o presidente da Associação Cafeicultores do Paraná, Luis Suplicy Hafers.

As informações são da assessoria de imprensa do 8º. Agrocafé.
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Francisco Sérgio Lange
FRANCISCO SÉRGIO LANGE

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO

EM 08/12/2008

Drawback - Qualidade

A indústria vem, nestes últimos anos, tentando implantar o conceito da qualidade, e nós produtores, estamos tentando assimilá-lo. Rastreabilidade, certificação, preservação ambiental, organização social, cumprimento da legislação trabalhista, conscistência de fornecimento, padrão de qualidade, enfim, uma série de exigências que têm nos custado muito caro implantar.

Portanto, falar em drawback neste momento simplesmente é jogar por terra todo o esforço até aqui conseguido. Abandonarmos esta idéia da qualidade e buscarmos apenas os ganhos de produtividade talvez seja mais sensato. Acho que indústria precisa definir com clareza o tipo de produto que ela quer. Quando ela pede um café refinado como o café do Jacu, precisa ficar claro qual é o conceito que ela atribui à palavra JACU.