Indústria deve repassar a alta dos preços ao varejo

A indústria de café não quer absorver sozinha a recente valorização dos preços da commodity no mercado internacional e também no doméstico. As empresas já fazem cálculos para reajustar os preços do produto nas gôndolas dos supermercados, e o aumento poderá chegar aos consumidores já no início de julho - ou seja, em menos de dez dias.

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A indústria de café não quer absorver sozinha a recente valorização dos preços da commodity no mercado internacional e também no doméstico. As empresas já fazem cálculos para reajustar os preços do produto nas gôndolas dos supermercados, e o aumento poderá chegar aos consumidores já no início de julho - ou seja, em menos de dez dias.

A expectativa é de que o repasse médio das torrefadoras fique em torno de 25%, mas o tamanho e o prazo dos ajustes serão feitos de acordo com a estratégia comercial de cada indústria. A justificativa para o provável reajuste é que apenas a matéria-prima tem um peso próximo de 65% no valor do produto final.

E os preços do grão verde seguem em alta. Na semana passada, as cotações na bolsa de Nova York atingiram o maior patamar em 12 anos. Em comparação ao mesmo período do ano passado, o atual patamar dos preços é 40,5% superior.

"Essa não é uma valorização que reflete apenas a volatilidade do mercado. Quando altas desse tipo ocorrem, elas duram poucos dias. A atual conjuntura do mercado mostra uma alta consistente dos preços da matéria-prima nas últimas três semanas e as indústrias não têm condição de absorver todo esse impacto", afirma Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic).

No mercado interno a situação não é diferente. Mesmo no início da safra e com perspectivas de um ano de grande oferta, os preços do café também acumulam ganhos. Na sexta-feira (25), a saca foi negociada a R$ 315,16, segundo indicador Cepea/Esalq.

Diante da alta nos preços tanto no mercado interno quanto no externo, as indústrias ainda esperam a retomada dos leilões dos estoques públicos. Segundo estimativas da Abic, existem mais de 2,5 milhões de sacas em posse do governo, que poderiam ser disponibilizadas para as indústrias e aliviar a oferta restrita.

"Ainda não há um desabastecimento de café no mercado, mas, apesar dos atuais preços, já existem alguns sinais que as empresas relatam de dificuldades em se comprar o produto", afirma Herszkowicz, ao lembrar que o produtor tende a segurar ainda mais a oferta quando existe uma perspectiva de alta nas cotações.

A reportagem é de Alexandre Inacio, para o jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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