Indústria cresceu em países que possibilitaram drawback

Tenho viajado por diversos países e sofrido em verificar a perda da nossa competitividade por não praticarmos o drawback. Em todos os países que existe a possibilidade de drawback a indústria cresceu e com o aumento de demanda, em alguns casos, passou a se exportar menos café verde em detrimento a café industrializado. O número de indústrias aumentou na Índia, Equador, Indonésia, Vietnã, México e Colômbia dentre outros países.

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O artigo "Drawback de café pode ser um jogo de ganha-ganha?" foi comentado pelo leitor Roberto Ticoulat, de São Paulo, SP, que ressalta o crescimento das indústrias e das exportações de café industrializado em detrimento ao verde, em alguns países que possibilitaram o drawback. Leia a seguir.

Carta de Roberto Ticoulat

Toda vez que aparece um artigo sobre a possibilidade da realização do drawback eu agradeço trazer o assunto para a discussão para podermos ponderar e, com certeza, aprender sobre a possibilidade de ganhos ao setor como um todo.

Apesar de eu ter meu negócio focado na exportação de café solúvel, tenho defendido o tema tendo em vista meu conhecimento do mercado exterior e da constatação das perdas que nosso setor café tem em não poder praticar o drawback.

Antes de mais nada sou um defensor da competitividade do elo de nossa cadeia produtiva e, podemos afirmar, que o setor exportador não teve problemas com relação aos preços do café conilon neste ano que passou, quando inclusive aumentamos as nossas exportações de conilon, apesar da produção ter sido estável e termos observado forte aumento no consumo.

A defesa do drawback de café conilon é para evitar escassez que impossibilite a atividade por curtos períodos de tempo na entre-safra como vivenciamos em anos anteriores. Eu tenho uma experiência de ter comprado conilon em um mês de janeiro para entrega imediata a um preço e ao mesmo tempo ter comprado para entrega em abril safra nova pela metade do preço.

Recentemente apareceu a notícia de importação de café no Vietnã e os preços internacionais subiram. Cabe destacar que os países produtores de robusta estão do outro lado do mundo e os custos para trazer café de lá são extremamente elevados.

No caso do café arábica a defesa do drawback é para compor blends para atender as necessidades dos mercados consumidores que não aceitam cafés de somente uma origem.

Tenho viajado por diversos países e sofrido em verificar a perda da nossa competitividade por não praticarmos o drawback. Em todos os países que existe a possibilidade de drawback a indústria cresceu e com o aumento de demanda, em alguns casos, passou a se exportar menos café verde em detrimento a café industrializado. O número de indústrias aumentou na Índia, Equador, Indonésia, Vietnã, México e Colômbia dentre outros países.

Por incrível que pareça o nível de impostos para cafés industrializados nestas origens também é menor do que para o café industrializado no Brasil. O benefício de aumento no parque industrial brasileiro seria imediato e não entendo porque não experimentar. Os setores industriais já realizaram inúmeras propostas para iniciarmos o processo, havendo aceito todas as solicitações de todos os setores envolvidos.

Com certeza o drawback não é o único limitador para o crescimento da exportação de produtos com maior valor agregado e necessitamos da união do setor para eliminarmos os vários entraves que acabam sempre deprimindo o preço para o setor produtivo.

Acesse aqui e veja o texto na íntegra.

Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint
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