As variedades de café desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) são referência no exterior, especialmente na França. Após o Genoma Café, as pesquisas brasileiras tiveram um avanço grande na questão da resistência a doenças e qualidade da bebida. Prova disso está nos 16 trabalhos de pesquisadores do instituto apresentados durante o 22º Congresso Internacional de Café, ocorrido na semana passada em Campinas. Os trabalhos estão focados na agronomia, ecologia, biotecnologia, processamento e melhoramento das variedades.
Hoje, o Brasil e a França estão entre os países de maior avanço em biotecnologia cafeeira e isso se deve ao trabalho em rede de pesquisadores de diversas instituições como Iapar, Embrapa, Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e Centro Internacional de Pesquisa para o Desenvolvimento (Cirad/França), que fazem parte do Consórcio Brasileiro de Pesquisa de Café.
''É impressionante como os avanços são cada vez maiores em genética. A variedade de café Iapar 59 está sendo utilizada em alguns países, em especial pela França, em trabalhos que buscam genes desenvolvidos à resistência a nematóides (parasitas) e ferrugem'', explica o pesquisador Luiz Gonzaga Esteves Vieira, que apresentou 8 trabalhos sobre biologia molecular e biotecnologia, em conjunto com pesquisadores da Embrapa, IAC, e Cirad.
Segundo ele, após o Genoma Café o Brasil conseguiu uma posição bastante razoável em relação à biotecnologia. Desde 2004, o País detém o maior banco de dados sobre o Genoma Café. Esse banco contém mais de 200 mil seqüências de DNA, o que permitiu a identificação de cerca de 30 mil genes de expressão, que apresentam maior tolerância à seca e mais resistência às pragas.
Durante o congresso, o nome do instituto foi citado várias vezes por pesquisadores estrangeiros que utilizam a metodologia brasileira. Só para ter idéia, o trabalho de resistência à ferrugem, desenvolvido pelo pesquisador Tumoru Sera foi citado em slides pelo Centro de Investigação de Ferrugens do Café de Portugal (CIFC) como alternativa de metodologia e recomendado para leitura aos demais participantes do evento. ''Esse foi um momento importante para o Iapar e mostra que o nosso programa de melhoramento genético está em condições iguais aos de centros mais avançados'', salienta Tumoru Sera.
''O Iapar está inserido no mapa do mundo e isso nos dá um grande orgulho porque mostra que o nosso pessoal é altamente capacitado'', afirmou o diretor-presidente José Augusto Teixeira de Freitas Picheth, que participou da abertura do congresso como convidado. Ele destacou que o ganho e a velocidade da pesquisa cafeeira em genética estão colocando o Iapar no centro das discussões mundiais, o que ficou evidente na conferência internacional.
Programa Café
O Iapar tem enfocado no seu Programa de Pesquisa em Café no desenvolvimento de modelos tecnológicos de produção adequados às regiões cafeeiras do Estado, com ações direcionadas ao aumento da produtividade da cafeicultura, à melhoria da qualidade do produto e da bebida, à promoção da diversificação das atividades agrícolas nas propriedades, à redução de custos de produção, insumos e energia, ao aumento da eficiência da mão-de-obra e da infra-estrutura disponível e, ainda, à preservação do meio ambiente.
O Instituto tem 12 cultivares de cafés registrados no Ministério da Agricultura, das quais quatro foram lançadas ao longo de 30 anos de pesquisa - Iapar 59, IPR 98, IPR 99 e IPR 103. O Iapar 59, por exemplo, já está nos principais países latino-americanos. Os franceses também estão utilizando os genes do Iapar 59 em processo de clonagem. As informações são de Vera Barão, da Folha de Londrina.
IAPAR: pesquisa de ponta em biotecnologia cafeeira
As variedades de café desenvolvidas pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) são referência no exterior, especialmente na França. Após o Genoma Café, as pesquisas brasileiras tiveram um avanço grande na questão da resistência a doenças e qualidade da bebida.
Publicado por: CaféPoint
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