IAC completa 124 anos e lança Programa de Cafés Especiais

Para brindar, uma carta de cafés. E para avançar, um curso de MBA. É nesse contexto que o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, completou 124 anos nesta segunda-feira, 27 de junho de 2011. Como parte das comemorações, o IAC lança Programa de Cafés Especiais. A ideia é disponibilizar ao setor da cafeicultura uma "carta de cafés" - opções variadas de cultivares de alta qualidade - com a possibilidade de reorientações nas pesquisas científicas que possam resultar em materiais específicos para as demandas apresentadas e as regiões geográficas onde se pretende cultivá-los.

Publicado por: CaféPoint

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Para brindar, uma carta de cafés. E para avançar, um curso de MBA. É nesse contexto que o Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, completou 124 anos nesta segunda-feira, 27 de junho de 2011. Como parte das comemorações, o IAC lança Programa de Cafés Especiais e assina documento que viabilizará a implantação do primeiro MBA em Fitossanidade do Brasil, em parceria com a Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF). O documento foi assinado no evento comemorativo pelo diretor-geral do IAC, Hamilton Humberto Ramos, e o diretor executivo da ANDEF, Eduardo Daher. A primeira turma deverá ter início em janeiro de 2012.

Para os apreciadores da bebida, o cheiro e o sabor de um café recém preparado são de dar água na boca. No início das manhãs, para muitos, o cafezinho faz a diferença entre despertar e apenas levantar. Se ele já é tão valorizado, imagine então o café especial - com perfil sensorial diferenciado em sabor e aroma. Para contribuir com a disponibilização desse tipo de produto aos consumidores e a geração de nova oportunidade à cadeia de produção do café, o Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, lança o Programa de Cafés Especiais IAC ao completar 124 anos.

A ideia é disponibilizar ao setor da cafeicultura uma "carta de cafés" - opções variadas de cultivares de alta qualidade - com a possibilidade de reorientações nas pesquisas científicas que possam resultar em materiais específicos para as demandas apresentadas e as regiões geográficas onde se pretende cultivá-los. Isso porque a qualidade é muito sensível às variações de ambiente, diferentemente de características agronômicas, como resistência a pragas.

Além da adoção de padrões internacionais para avaliação da qualidade dos cafés especiais, o IAC está propondo com esse Programa um sistema inovador de trabalho, caracterizado pela reunião de áreas de pesquisas aliadas à cadeia de produção do café e ao mercado. Esse arranjo favorecerá o atendimento de demandas específicas de diferentes regiões produtoras e o alinhamento da produção de bebidas especiais com as exigências do consumidor. Outra característica do Programa de Cafés Especiais IAC está em ações que poderão contribuir para a redução do prazo necessário para obtenção de novas cultivares de café.

Há potencial para obtenção de cafés com nuances de sabor e aroma floral, frutado, achocolatado, cítrico, entre outros. "Os resultados preliminares são animadores e indicam a possibilidade de produção de cafés de altíssima qualidade sensorial que não deixam nada a desejar em relação aos especiais produzidos por outros países", comenta Giomo.

De acordo com o pesquisador, os novos materiais em estudo no Instituto são cultivares IAC. Participaram da formação desses especiais os cultivares: Bourbon Vermelho, Bourbon Amarelo, Caturra, Catuaí, Icatu, Obatã e Mundo Novo, dentre outros. O trabalho de seleção é focado nas características qualitativas que interessam ao café especial, como tamanho do grão e qualidade de bebida.

Materiais promissores estão sendo cultivados em escala experimental em Campinas, Mococa e São Sebatião da Grama para avaliações agronômicas e tecnológicas. "Essas avaliações têm apontado para a superioridade de alguns genótipos em relação às cultivares testemunhas, o que é de grande importância para a seleção de plantas com elevado potencial produtivo e qualitativo", diz Giomo.

Diferencial do Programa de Cafés Especiais IAC

O Programa de Cafés Especiais IAC concentra esforços no pré e pós-melhoramento para acelerar a obtenção de novas cultivares de café arábica, adaptadas aos diversos ambientes de produção e com maior aptidão genética para produzir cafés especiais.

O Programa irá aproveitar esses estudos realizando cruzamentos entre cultivares já estabelecidos com espécies pouco conhecidas e com alto potencial sensorial. Feita essa hibridização, o programa não irá esperar por quatro ou cinco anos necessários para a estabilização do material. A produção será feita a partir de mudas clonadas que reúnem todo o potencial de ambas as cultivares clonadas. Nesse sentido, o trabalho abre a possibilidade de desenvolvimento de novas cultivares em prazo bem menor que no melhoramento genético convencional, que pode chegar a 30 anos obtenção de novas cultivares. A expectativa é reduzir esse tempo em 30% a 50%.

O pesquisador explica que o processo de melhoramento genético do café especial é contínuo. "O Programa irá buscar continuamente a perfeição em cada aspecto, lançando cultivares cada vez mais adequadas a demandas específicas", diz.

O controle de qualidade do Programa de Cafés Especiais IAC usa métodos recomendados pela Specialty Coffee Association of America (SCAA) e pelo Coffee Quality Institute (CQI), dos Estados Unidos. "No programa de cafés especiais, os cafés são avaliados da mesma forma como são avaliados nos principais países consumidores e produtores de cafés especiais, como Estados Unidos, Japão, Etiópia, Quênia, El Salvador e Costa Rica", afirma o pesquisador.

Além de recursos do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, parte das atividades do Programa poderá ser financiada por agências de fomento e pela iniciativa privada por intermédio de parcerias. A interação com o setor privado é fundamental para a execução do Programa, considerando a aceleração e obtenção de resultados. O pesquisador destaca que, respeitando-se as limitações biológicas inerentes a qualquer processo de melhoramento genético e produção de café, a velocidade de geração de resultados será proporcional ao aporte de recursos financeiros, humanos e estruturais alocados ao Programa.

As informações são de Carla Gomes e Raquel Hatamoto, da Assessoria de Imprensa IAC, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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