Honduras: colheita de café pode ser recorde em 2009/10

Honduras terá uma produção exportável recorde de café nessa safra por conta de boas condições climáticas e em consequência de programas de fomento à cafeicultura, de acordo com informações de um grupo privado do país, a despeito da crise política que vive o segundo maior produtor de café da América Central.

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Honduras terá uma produção exportável recorde de café nessa safra por conta de boas condições climáticas e em consequência de programas de fomento à cafeicultura, de acordo com informações de um grupo privado do país, a despeito da crise política que vive o segundo maior produtor de café da América Central.

O gerente geral do Instituto Hondurenho de Café (Ihcafe), Marcial Flores, disse que na safra que começou em 1º de outubro, o país produzirá 3,53 milhões de sacas de 60 quilos, cerca de 10% a mais que na temporada anterior.

A melhor temporada da história do café hondurenho foi de 2007/08, quando alcançou a produção exportável de 3,39 milhões de sacas. Enquanto o país inteiro tenta abrir pontes de diálogo para pôr fim ao conflito político entre o Governo de fato e o presidente deposto, Manuel Zelaya, a indústria de café sente que a crise não tem impactado nas exportações, apesar do rechaço ao regime interino pela comunidade internacional.

As exportações de café de Honduras tem como destino a Europa (70%) e Estados Unidos (20%), países que têm rechaçado o Governo de fato atualmente no poder. O restante se dirige ao Japão e Taiwan, entre outros. Flores comentou que, dado o atual nível de pedidos, não se tem percebido um efeito da crise nas exportações para os meses de outubro, novembro e dezembro, que tradicionalmente são muito baixas, voltando a aumentar em janeiro.

A decisão dos EUA de limitar a entrega de vistos a hondurenhos e revogar os vistos a alguns empresários partidários do presidente de fato, Roberto Micheletti, tampouco incidiu na atividade, disse ele.

Nos últimos anos, o mercado de café tem se caracterizado por sua volatilidade, ainda que os preços tenham permitido ao menos cobrir os custos dos produtores hondurenhos, disse Flores. "A instabilidade sempre existirá, dependendo dos estoques exportáveis dos países de origem". Nesse cenário, o Ihcafe estima que, na safra recém iniciada, o preço médio do grão deverá ficar entre US$ 120 e US$ 135 por quintal (saca de 46 quilos). Esse seria um valor "aceitável, que deixa uma margem ao produtor que cobre seus custos e pode ficar com um lucro".

Na colheita recém terminada, o preço ficou em US$ 117 em média, um valor que apesar de cobrir os custos deixou poucos lucros, de forma que os cafeicultores hondurenhos esperam repetir os preços de US$ 131-132 registrados na safra 2007/08.

Flores disse que o alcance de preços previsto dependerá obviamente dos níveis de envios ao exterior dos grandes países produtores, como Colômbia e Brasil. "Em função dos volumes deles, creio que isso permitirá que mantenhamos esses níveis de preços", afirmou.

A reportagem é da Reuters, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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