Hafers diz que quer regras, não intervenções

A época dos estoques foram feitos para a lavoura. Não diria que o governo não liga para a lavoura. Faz parte de um queixume que não contribui. Temos que mostrar problemas mas também apontar soluções. Passou a época de controle de preços. Precisamos sim de políticas contra cíclicas para evitar altas e baixas que não servem nem ao produtor nem ao consumidor. Quero regras, não intervenções. O preço vai subir, e duzentos dólares me parece modesto em dois ou três anos. Essa explosão não nos serve, pois vão plantar muito e virá tudo como dantes no quartel de Abrantes. No entretempo, aproveitemos.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Cartas enviadas pelos leitores do CaféPoint ao artigo de Luiz Marcos Suplicy Hafers, "Estoques de café: no fim". Abaixo segue resposta do autor.

Mario José Monnerat Vianna, trader, Niterói/RJ

O campo não faz parte das preocupações desse governo, mesmo sendo o grande responsável pelo superávit comercial brasileiro. E não é apenas no café que vemos o descaso dos formuladores de políticas públicas.

Exatamente quando precisarmos dos estoques "reguladores", não os teremos. O consumo está crescendo mais do que a produção, e já em 2008 serão bem próximos. No próximo ano (2009) teremos uma safra menor do que a atual, pela bianualidade do arábica. Provavelmente, a produção será menor do que a demanda, ou muito próxima, e não teremos mais estoques.

Como consumidor, me preocupo seriamente com tal situação, pois será necessário que os preços subam para controlar a demanda, diminuindo o consumo. Isso já está acontecendo com vários produtos agropecuários, e deve continuar assim ainda por muitos anos.

Antonio Augusto Reis, produtor, Varginha/MG

Os estoques governamentais, até recentemente acima de 20 milhões de sacas, já nos prejudicaram muito. Tudo era motivo para não deixar os produtores ter um pouco mais de renda. Café começava subir o governo leiloava seus estoques e o café abaixava (às vezes abaixo do custo de produção).

Agora, o governo está chegando quase ao final de seus estoques de café. Seria prudente, como o Sr. mesmo sugere, formar um novo estoque estratégico (política contra cíclica) nos próximos anos de forma gradativa, para manter a segurança nos cumprimentos dos contratos externos e no abastecimento do mercado interno.

Se nesse estudo em andamento, novamente de renegociação de dívidas, o governo realmente tiver interesse em sanar as dívidas dos produtores e cooperativas de café, hoje em mais de 2 bilhões de reais, era só convertê-las através do histórico de valores que tanto o Sr. Dr. Hafers conhece.

Antônio de Pádua Gomes Barbosa, Eng. Agrônomo, Manhuaçu/MG

Tem gente boa do assunto falando em café a 200 ou mais dólares para curto prazo, gostaria de saber o que pensa sobre estas possibilidades, em se pensando nos estoques internacionais e capacidade de aumento de produção de outros países produtores, principalmente no aumento de produção e uso do conilon para blends, em substituição ao arábica.

Resposta de Luiz Marcos Suplicy Hafers

Caros leitores,

Esperança e confiança. Quis chamar atenção a uma situação que a meu ver quase que passa desapercebida.

Para o Mario José eu diria que a situação é outra. A época dos estoques foram feitos para a lavoura. Não diria que o governo não liga para a lavoura. Faz parte de um queixume que não contribui. Temos que mostrar problemas mas também apontar soluções.

Ao sr Antônio Augusto diria que passou a época de controle de preços. Precisamos sim de políticas contra cíclicas para evitar altas e baixas que não servem nem ao produtor nem ao consumidor. Quero regras, não intervenções.

Ao Antônio Padua, digo que tem razão. Vai subir, e duzentos dólares me parece modesto em dois ou três anos. Essa explosão não nos serve pois vão plantar muito e virá tudo como dantes no quartel de Abrantes. No entretempo, aproveitemos.

Acesse as cartas na íntegra.

Rodrigo Cascalles, equipe CaféPoint
QUER ACESSAR O CONTEÚDO? É GRATUITO!

Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no CaféPoint.

Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!

Ícone para ver comentários 1
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Joseph Crescenzi
JOSEPH CRESCENZI

ITAIPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 13/02/2008

Como o ilustre Sr Luiz Marcos Suplicy Hafers diz, está na hora de regras de longo prazo. Já vimos intervenções, alguns quase golpes. Regras que estimulam a produção sensata em função da demanda estimada, pois qualquer 10% de excesso na produção, no ciclo bianual, faz preços virem abaixo.

Estes excessos devem servir de fonte para formar os estoques reguladores, sabendo da certeza do problema climático que trará a falta na capacidade de atender a demanda. Se estes estoques reguladores, que existem de qualquer forma, estejam na mão do consumidor e não na mão do produtor, o produtor estará sempre na mão de quem detém este "superavit" de matéria prima.

O produtor, por meio de cooperativa, ou entidade governamental, deve ter como retirar os eventuais excessos do mercado para que sejam liberados na sua falta. Isso seria o ideal. Somente assim, o produtor tem como controlar seu destino econômico. Mas também teremos que pensar estes mecanismos para que os mesmos não incentivem a superprodução.