Governo vai prorrogar prazo para pagamento de dívidas
"Todas as dívidas que estão vencendo este ano e as que venceram até aqui terão que ser prorrogadas para o próximo ano", adiantou hoje (23) o ministro da Agricultura, Reinholds Stephanes. A opção de pagar as dívidas com café também deverá ser autorizada pelo governo. "O que está em discussão é a que preço vamos considerar o café, ao preço do mercado internacional, ao preço do custo operacional ou um outro preço que tem que ser estabelecido", comentou.
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O ministro comentou que algumas soluções deverão ser anunciadas nas próximas semanas, para atenuar as perdas dos produtores. Cinco medidas estariam decididas. Outras não chegaram a um consenso entre o Ministério da Agricultura e a áreas econômica do governo. Stephanes relatou o presidente Lula tomou conhecimento das decisões e "convocou uma reunião para a próxima semana", quando deverá ser anunciado oficialmente o pacote de ajuda aos cafeicultores.
Stephanes informou que este ano já foram realizadas três reuniões ministeriais, além de 8 a 9 reuniões entre técnicos do governo, "para ver o que é possível fazer na cafeicultura". De acordo com ele, o problema do café "é estrutural". "O desequilíbrio não é momentâneo, provocado pela crise, vem de alguns anos". Segundo ele, o custo operacional de produção, sem depreciação, seria de R$ 270/R$ 280 a saca de 60 kg, "embora o produtor considere que seja maior". O valor da saca no mercado estaria entre R$ 250/R$ 260 a saca.
Entre as cinco medidas negociadas está a prorrogação das dívidas do setor. Segundo Luana Lourenço, da Agência Brasil, o governo vai prorrogar o prazo para quitação das dívidas de produtores de café vencidas ou com vencimento em 2009. "Todas as dívidas que estão vencendo este ano e as que venceram até aqui terão que ser prorrogadas para o próximo ano", adiantou hoje (23) o ministro.
A opção de pagar as dívidas com café também deverá ser autorizada pelo governo. "O que está em discussão é a que preço vamos considerar o café, ao preço do mercado internacional, ao preço do custo operacional ou um outro preço que tem que ser estabelecido", comentou.
Nos próximos dias, o governo também deve liberar os R$ 2 bilhões, anunciados para as cooperativas agrícolas, para financiar o capital de giro e garantir a comercialização da safra. De acordo com Stephanes, o dinheiro deve estar disponível em 15 dias.
Ainda segundo o ministro, a primeira importante consequência da crise para a agricultura foi que as grandes tradings deixaram de realizar compras antecipadas da produção. Os bancos privados contraíram o crédito e dificultaram emprestar para o produtor. Desse modo, mesmo que o governo tenha tomado as decisões de política agrícolas, muitas delas não chegaram à ponta produtiva. "Há dificuldade para fazer o crédito chegar ao produtor. Os agricultores diminuíram a aplicação de tecnologia porque tecnologia significa custo, então a produtividade das lavouras este ano deve cair um pouco", afirmou o ministro. Com informações de Tomas Okuda, da Agência Estado.
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