Para empresários do setor, o Brasil deve encarar a agricultura de forma estratégica. Em um planeta onde aproximadamente 1 bilhão de pessoas passam fome, há uma "responsabilidade" e também uma grande oportunidade de negócios para o País. Para o presidente da Monsanto, André Dias, o desafio embutido neste cenário é dobrar a produção de alimentos de forma sustentável e, para isso, é preciso de mudanças no segmento.
"Em 40 anos, passamos de importadores de alimentos, em um contexto de 90 milhões de habitantes, para exportadores com o dobro da população", afirmou nesta quarta-feira durante o Global Agribusiness Forum, evento que reúne empresários, especialistas e representantes da cadeia produtiva agrícola em São Paulo (SP). "Isso foi possível graças à tecnologia, onde produzimos cada vez mais com menos."
O ex-secretário de agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag-Fiesp), João de Almeida Sampaio Filho, afirma que o setor sofre com a falta de representatividade política, com problemas de logística e infraestrutura (que geram perdas nas safras e tempo de espera alto nos portos para enviar os produtos para exportação), com falta de mão de obra qualificada e de "talentos".
Para Dias, a formação de engenheiros e cientistas está aquém do que o Brasil precisa. Por outro lado, ele afirma que a agricultura brasileira - ao contrário do que é visto na Europa e nos Estados Unidos - é um "negócio de jovens", que saem das lavouras para buscar qualificação e voltam aos campos com conhecimento. "No entanto, essa formação ainda não é suficiente."
O presidente da consultoria Luft Agro, Luciano Luft, afirma que o agronegócio brasileiro sofre com maquinário que é mal operado, o que gera manutenção inadequada e um tempo de reparo muito alto. "Precisamos de treinamento para que o trabalhador opere as máquinas de forma eficiente", diz. "As empresas estão gastando mais e produzindo menos."
Outro mecanismo que foi mencionado - e reclamado - por diversas vezes durante o evento é a criação de um seguro ao produtor. "Nos Estados Unidos, quando há quebra de safra, os produtores não são impactados porque há um seguro para isso", afirma. "Aqui, a renda do produtor é impactada diretamente e a cada quebra, o endividamento do produtor costuma subir em 50%", disse Sampaio Filho.
Futuro
Para as próximas décadas, a expectativa é que o consumo de produtos "verdes" aumente. A tendência é que os consumidores passem a exigir mais qualidade dos alimentos que consomem, o que deverá mobilizar até supermercados e restaurantes a comprar produtos com certificados sustentáveis, segundo o diretor-executivo do Center for Agricultural and Rural Development (Card), Bruce Babcock.
As informações são do Terra, adaptadas pela Equipe Cafépoint.
Global Business Forum - agricultura precisa ser vista de forma estratégica, dizem empresários
Em 40 anos, passamos de importadores de alimentos, em um contexto de 90 milhões de habitantes, para exportadores com o dobro da população. "Isso foi possível graças à tecnologia, onde produzimos cada vez mais com menos". Para o futuro, a expectativa é que o consumo de produtos "verdes" aumente.
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