Gilson Ximenes (CNC) fala sobre o GT Pensando em Café

Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), escreveu um artigo-resposta à entrevista sobre mercado e política do café concedida ao programa Roda Viva no último dia 21. Acesse e confira o conteúdo completo.

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Gilson Ximenes, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), escreveu um artigo-resposta à entrevista sobre mercado e política do café concedida ao programa Roda Viva no último dia 21. Confira abaixo o conteúdo completo.

Pensando em café

A história da política cafeeira no Brasil nos mostra certo afastamento do Governo Federal desde o momento em que se optou pela diversificação da pauta exportadora, ocasião a partir da qual o café deixou de ter a importância econômica de outrora, quando industrializou e estruturou o País.

Se sua força econômica não é a mesma do passado, é inegável a importância social da atividade, uma vez que a cafeicultura nacional movimenta mais de 8 milhões de postos de trabalho ao ano.

Também é inegável que os produtores se "fortaleceram" com a união - principalmente por meio de entidades como cooperativas, associações e sindicatos - demonstrada até os dias atuais, o que possibilitou a manutenção de nossas produções médias apesar da redução da área destinada à cafeicultura.

Portanto, causa estranheza assistirmos a material áudio-visual de lideranças políticas do Cerrado Mineiro mencionando a criação de um grupo de trabalho, com a filosofia "pensando em café", cuja intenção é "pensar nas várias fases da cafeicultura, desde a expansão, passando pelo levantamento estatístico, pelas variedades produzidas e pesquisas, até o comércio final".

A estranheza em questão se deve ao fato de esse GT ser constituído apenas por entidades do Cerrado Mineiro, as mesmas que se vangloriam por ter um parque cafeeiro praticamente todo mecanizado e que concordou, entre outros pontos, com o preço mínimo de R$ 261,69 para a saca de arábica tipo 6, bebida dura, implantado pelo Governo Federal.

Maior estranheza ainda surge devido ao fato de a maior parte do parque cafeeiro do Brasil não ser mecanizado e ter custos de produção superiores aos do Cerrado Mineiro, o que demonstra a defasagem do atual preço mínimo em relação à realidade do cinturão produtor nacional, mais especificamente no que diz respeito ao Sul de Minas, que possui topografia montanhosa e, consequentemente, possui altos custos com mão-de-obra.

A intenção frisada por essas lideranças políticas de "conhecer efetivamente o nosso parque, o tamanho que tem, a área produtiva, a idade do cafeeiro, a nossa capacidade produtiva, a necessidade de expansão ou não, bem como o que o mercado externo está buscando e qual é essa evolução de mercado para dar sustentação necessária, garantindo o mínimo de renda para que o produtor possa continuar sua atividade" realmente é muito importante para o estabelecimento do equilíbrio entre custos e preços, porém, sabidamente, isso não deve partir de um ou outro determinado segmento da cafeicultura nacional, principalmente em função da diversidade do setor no País.

Essa ideologia supracitada deve partir, como frisado inicialmente, por meio da união de todos os segmentos do setor privado produtor, como vem sendo feito ao longo dos anos, o que, se não dá a pujança necessária para a solução dos problemas financeiros e da falta de rentabilidade do setor, certamente evitou a extinção da cafeicultura em grande parte do Brasil.

O Conselho Nacional do Café - entidade que representa os segmentos cooperativo e associativo do café, respondendo por aproximadamente metade da produção nacional - apóia ações e projetos individuais e independentes que pensem em quaisquer tipos de melhorias ao setor, mas repudia aqueles que, egocentricamente, almejam se tornar mentores de políticas setoriais, as quais, segundo os próprios, serão as únicas responsáveis pelo saneamento dos problemas da cafeicultura nacional.

Atenciosamente,

Gilson Ximenes

Acesse o link e confira o conteúdo da entrevista sobre mercado e política do café, dada pelo Deputado Federal Silas Brasileiro.

Silas Brasileiro fala sobre mercado e política do café
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