GEPA: "Café latino-americano é o rei do comércio justo"

A organização de comércio justo mais antiga da Alemanha, GEPA, que começou a trabalhar com produtores da América Latina, disse que o café latino-americano é o rei nos supermercados. Estima-se que em 2012, os consumidores alemães gastaram 650 milhões de euros (US$ 881,54 milhões) em produtos com selo de comércio justo.

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A organização de comércio justo mais antiga da Alemanha, GEPA, que começou a trabalhar com produtores da América Latina, disse que o café latino-americano é o rei nos supermercados. A organização, com sede em Wuppertal, começou a trabalhar com produtores de café, chá e banana, que vendia nas chamadas lojas do “terceiro mundo”, onde o consumidor sabia que, com sua compra, favorecia aos produtores provenientes de países em desenvolvimento.

Entretanto, o selo “comércio justo” se estendeu aos supermercados, lojas de desconto, lojas gourmet, restaurantes e cafeterias. Também, o número de produtos tem aumentado e agora maneja uma ampla gama, desde alimentos, até flores e têxteis. Estima-se que em 2012, os consumidores alemães gastaram 650 milhões de euros (US$ 881,54 milhões) em produtos com selo de comércio justo.

O café segue sendo o rei entre todos os produtos desde que a organização foi fundada e 1974. Durante um seminário para organizações de migrantes, Jorge Inostroza, chileno e especialista em mecadotecnia da organização, explicou a um público multicultural as vantagens do comércio justo. Ele explicou, por exemplo, porque a maioria dos produtos tem uma embalagem interna de alumínio: para que se conservem em bom estado por mais tempo, mas com a desvantagem de que o alumínio é ruim para o meio-ambiente. Os produtos de comércio justo não têm embalagem de alumínio.

Inostroza explicou o sistema de valores da organização: a proteção ao meio-ambiente, a igualdade laboral entre homens e mulheres e o pagamento justo por seus produtos, que permitem cobrir seus custos de produção, garantir rendimento e, inclusive, uma margem adicional que permita melhorar sua qualidade de vida, como investir em infraestrutura, educação e saúde. O trabalho infantil está proibido. A GEPA trabalha com 170 cooperativas de todo o mundo. Do programa, beneficiam-se mais de 1,4 milhão de produtores da Ásia, África e América Latina.

“Cerca de 45% das organizações sócias da GEPA provêm da América Latina, com as quais existe uma relação muito profunda que começou com o café, primeiro produto que a GEPA começou a comercializar na Alemanha, e segue sendo o rei do comércio justo. É uma relação de muitos anos e é muito mais fácil que a existente entre Europa e África, marcada todavia por muitas dificuldades e obstáculos existentes em países africanos”.

A organização outorga contratos por três anos e, em alguns casos, financiamento prévio. Esse é o caso de uma cooperativa fundada em Honduras em 1993, integrada por mulheres. A Coordenadora de Mulheres Campesinas de La Paz (COMUCAP) é formada por 256 mulheres que vivem no município de Marcala e exporta anualmente 3 contêineres de café ouro à Alemanha. “Por estar integrada por mulheres, a cooperativa não tem um reconhecimento legal, contra o que seguimos lutando, porque isso se traduz em falta de créditos, em não poder exportar, tendo que fazer isso através de outras organizações”.

O especialista chileno recordou o início da GEPA, quando chegaram os primeiros contêineres de café da Nicarágua, que chegaram alterados. Ainda assim foram torrados, mas o resultado foi um sabor amargo e muito concentrado. “Hoje em dia, a GEPA tem 70 marcas de café para todos os gostos”.

Para ilustrar o gigantesco negócio de café, Inestroza destacou que antes que surjam os grãos nas plantas, já foram vendidos três vezes os cultivos. “Se a China produzisse café, seria um desafio pela gigantesca capacidade de produção que tem”.

Os consumidores alemães, os mais econômicos da Europa, ocupam o quarto lugar no consumo de produtos de comércio justo, que custam um pouco mais que os produtos tradicionais. Os que mais consomem são os suíços, seguidos dos ingleses e os holandeses. “Isso está mudando, porque na Alemanha há uma discussão muito profunda sobre as mudanças ecológicas; isso está relacionado ao desenvolvimento tecnológico e industrial na Alemanha, que aspira ser uma potência em tecnologia meio-ambiental. Boa parte da sociedade está mudando sua ótica frente ao consumo e a economia e a prova disso é que somente em Berlim, há uns 30 supermercados de produtos orgânicos que abriram durante a última década”.

A reportagem é do http://www.dw.de, adaptada pelo CafePoint.
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