Futuros recuam, mas fevereiro ainda acumula alta

Os contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) mantiveram movimento de queda, pela segunda sessão consecutiva. Mas os contratos ainda acumulam valorização este mês, de cerca de 7%, diante do quadro de baixa oferta no curto prazo.

Publicado por: CaféPoint

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Os contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) mantiveram movimento de queda, pela segunda sessão consecutiva. Mas os contratos ainda acumulam valorização este mês, de cerca de 7%, diante do quadro de baixa oferta no curto prazo.

O corretor Mario Frioli, da Link Investimentos, informa que as commodities, em geral, atravessam por um momento de baixa. Os investidores evitam ativos de risco, por causa da crise no norte a África e no Oriente Médio, em particular na Líbia. A exceção é o petróleo, que alcançou ontem o nível mais alto desde 29 de setembro de 2008.

O conflito no norte da África "trouxe aversão ao risco e volatilidade às commodities", acrescenta Frioli. A tensão no Oriente provocou fuga para ativos seguros como iene, franco suíço e os títulos do Tesouro norte-americano. O euro, por sua vez, continuou sustentado pela expectativa de alta dos juros.

Tecnicamente, os futuros de café romperam importantes suportes, como a mínima de quarta-feira, a 268,35 cents, e o nível psicológico de 268 cents. O mercado estava sobrecomprado e vai aliviando indicadores. De acordo com Frioli, os próximos suportes são 262 cents e 255 cents.

Ontem o vencimento maio encerrou em baixa de 480 pontos ou 1,78% e fecharam a 264,65 cents. O vencimento marcou mínima de 262,10 cents (menos 735 pontos). A máxima foi de 270,50 cents (mais 105 pontos).

O período de aviso de entrega do contrato março começou na quinta-feira da semana passada mas apenas ontem foram notificados os dois primeiros lotes, sinalizando falta de interesse na entrega. Os fundamentos do café seguem inalterados. As vendas de origem são fracas. Os estoques caem. Ontem houve queda de 4.016 sacas, para 1.596.465 sacas no estoque certificado da ICE.

Na BM&FBovespa os contratos futuros de arábica seguem com estrutura invertida (os mais próximos valorizados em relação aos vencimentos mais distantes). O contrato março, cujo período de notificação de entrega começa na quarta-feira (2), tem em aberto 2.243 lotes e encerrou ontem em baixa de US$ 7,85, a US$ 350,55 a saca. Setembro, o mais líquido, com 8.111 lotes em aberto, caiu US$ 6,65, para US$ 332,15 a saca.

A oferta de grãos de qualidade não deve se normalizar no curto prazo. A produção de café da Colômbia em 2011 deve ser de 9 milhões a 9,5 milhões de sacas, informou ontem o presidente da Federação Nacional dos Cafeicultores (Fedecafe), Luis Genaro Muñoz. A Colômbia produziu 8,9 milhões de sacas em 2010, volume 14% maior em relação ao ano anterior, mas abaixo da meta de 9 milhões de sacas.

Os contratos futuros de café robusta na Bolsa de Londres (Liffe) fecharam em baixa. O vencimento maio recuou US$ 39 ou 1,65%, para US$ 2.329/t. Há pouco, maio caia 1 dólar, 0,04%, a 2.328 dólares/t.

O mercado físico de café voltou a ficar lento, por causa da queda dos contratos futuros na Bolsa de Nova York nos últimos dois pregões. "O comprador baixou as bases de preço, mas o vendedor ficou na dele", informa um corretor de Santos (SP). "A diferença de preço dificultou o fechamento de negócios", acrescenta.

O comentário na praça de Santos é que café tipo 6, com 20% de catação, tinha oferta de comprador a R$ 510/R$ 515 a saca. O vendedor, no entanto, manteve preços anteriores à queda dos futuros, pedindo R$ 530 a saca.

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informam que o mercado brasileiro teve pressão por causa das baixas nos valores internacionais. Com as recentes quedas, quase não ocorreram negócios.

O indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 513,41 a saca,, recuo de 0,6% em relação ao dia anterior. A moeda norte-americana fechou a R$ 1,664, recuo de 0,7% no mesmo período.

O indicador Cepea/Esalq do robusta (conillon) tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 213,74/saca, queda de 0,6% em relação ao dia anterior. Já para o tipo 7/8 bica corrida, o indicador ficou em R$ 205,02 a saca, recuo de 0,6% no mesmo período - ambos a retirar no Espírito Santo.

O diretor Rodrigo Branco Peres, do Café do Centro, uma das principais torrefadoras de grãos gourmet do País, informou ontem que a escalada das cotações do café, em particular dos grãos de melhor qualidade, tipo gourmet, tem permitido a recuperação da renda no campo, mas a indústria enfrenta dificuldade para repassar o aumento. O momento é difícil e deve se estender por mais tempo, pois a elevação do preço do café é constante e persistente, disse.

Levantamento preliminar do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostra que os embarques de grãos verdes em fevereiro, até o momento, alcançaram 1.730.637 sacas, representando baixa de 1%, em relação ao observado no mesmo período do mês anterior. Em janeiro passado foram embarcadas 2.724.044 sacas. Este mês foram emitidos certificados de origem de 2.530.788 sacas, resultado 3,9 maior em comparação com o mesmo período do mês passado.

As informações são da Agência Estado, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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