Funcafé: deputados propõem pagar dívida com café
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados vai propor ao governo federal o pagamento da dívida do setor cafeeiro, estimada em cerca de R$ 2 bilhões, em sacas de café. Esse valor refere-se apenas à dívida para com o Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
A sugestão de conversão foi feita em audiência pública nesta quarta-feira pelo presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson José Ximenes, e acatada pelos integrantes da Comissão de Agricultura. Integrantes da Frente Parlamentar do Café, do CNC e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentaram a sugestão aos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Agricultura, Reinhold Stephanes.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café. Hoje 50 países produzem café no mundo. O país é responsável pela produção de 46 milhões de sacas do total de 131 milhões produzidos. A cafeicultura emprega 8 milhões de trabalhadores.
A idéia é que os produtores destinem 5% de sua produção anual para o pagamento da dívida existente até 31 de dezembro deste ano, e que o restante seja liquidado em até 20 anos. Com a proposta, espera-se também, entre outros objetivos, viabilizar a recomposição dos estoques governamentais de café, necessários ao abastecimento da agroindústria doméstica em casos, por exemplo, de queda na produção nacional.
Na opinião do deputado Carlos Melles (DEM-MG), que sugeriu a reunião e discutirá o assunto com o governo, a proposta é sensata, pois traz o produtor de volta para a normalidade, "deixando de ser mau pagador, de ser pagador de alto risco". Na audiência pública, Gilson José Ximenes reclamou da situação difícil por que passa a cafeicultura brasileira: "não nos interessa mais prorrogação de prazo para pagar dívida. Nós precisamos de dignidade e estamos aqui de joelhos, pedindo que essa cultura bicentenária não chegue ao fim", declarou.
O assessor técnico da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Ademiro Vian, concordou que prorrogações não são suficientes para resolver o problema do setor. Segundo ele, falta uma política que busque, por exemplo, ajustar os preços mínimos do café à realidade do mercado.
O presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, Breno Pereira de Mesquita, lembrou que a descapitalização dos produtores deve-se principalmente à depreciação do produto no mercado interno, desde 2005. Segundo Mesquita, os problemas no setor também se devem à elevação do custo de produção e a fatores econômicos, como juros altos e valorização do real antes da crise internacional.
De acordo com dados apresentados pelo CNC, o preço da saca do café aumentou apenas 23,2% nos últimos 14 anos, enquanto os insumos agrícolas tiveram aumento variando entre 316,7% (trator) e 566,7% (adubo). O diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Lucas Tadeu Ferreira, apresentou na reunião as políticas públicas de apoio à cafeicultura comercializada abaixo do custo de produção, da safra 2008/2009. Segundo ele, do orçamento total de R$ 2,3 bilhões previstos para o setor este ano, já foi repassado R$ 1,8 bilhão aos bancos até agora para apoio à cafeicultura. As informações são da Câmara dos Deputados.
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VARGINHA - MINAS GERAIS
EM 12/12/2008
A idéia é que os produtores destinem 5% de sua produção anual para o pagamento da dívida existente até 31 de dezembro deste ano, e que o restante seja liquidado em até 20 anos."
E as outras dívidas com outras origens como ficam? E as execuções judiciais em andamento decorrentes dessa política de renda que levou e está levando muita gente para o "buraco" ? E a sustentabilidade da atividade (renda para o produtor/seguro para a atividade/ manutenção e emprego para o pessoal nas propriedades)?
A produção está cansada de manifestar-se. Abram os ouvidos para a mesma, antes que acabe tudo ... e o conserto ficará mais caro para a nação (monetário e social).
Estamos perdendo a mão-de-obra no campo e nas cidades que vivem do café - estão migrando para outras cidades/atividades. Estão desorganizando o nosso sistema de produção com esta total falta de renda para o produtor.
Muitas atividades do dia a dia estão deixando de ser feitas nas propriedades por falta total de condições financeiras em contratar: desbrotas/podas/concerto de cercas, manutenção de estradas, etc.
O café foi, é e continuará sendo um produto sempre apreciado por todas camadas das populações, não só no Brasil mas em qualquer parte do mundo onde é introduzido. Avaliem a cadeia de empregos e giro monetário para um pais que produz 30% do café mundial, como é o nosso caso.
Já ajudamos muito o país. Transitoriamente estamos precisando de ajuda.
Abram o coração e incluam todas as dívidas ligadas à produção. Os produtores de café desse país merecem. (São uns bravos por terem sobrevido até agora).