Fernando de Souza Barros: não vai faltar café

O leitor do CaféPoint Fernando de Souza Barros Jr., corretor de café, disse que "café não falta e não vai faltar como sempre dizem os nossos distibuidores, que devem ser ao redor de 8. Se pagar preço ele aparece." Ensei Neto, consultor em qualidade de café, comenta que grãos de boa/alta qualidade continuarão com oferta restrita, junto com o descolamento de preços por qualidade.

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O leitor do CaféPoint Fernando de Souza Barros Jr., corretor de café, de São Paulo/SP, enviou um comentário ao artigo "Demanda aquecida, oferta reduzida: vai faltar café?". Abaixo leia a carta na íntegra.

"Café não falta e não vai faltar como sempre dizem os nossos distibuidores, que devem ser ao redor de 8. Se pagar preço ele aparece. Mas, ocorre que o objetivo deles é descobrir a que preço os produtores e principalmente os nossos plantariam novas lavouras!? Aí o exercicio é mais complicado pois o produtor já está meio vacinado contra esta conversa!

E depois com a alta dos salários e o desenvolvimento de outras atividades a coisa vai ficando mais difícil. Sem segurança num sistema predatório, não acreditamos em super safra enquanto não melhorarmos a nossa comercialização e dermos mais segurança aos produtores! Eu diria que a U$350,00 a saca com contratos por 10 anos até poderíamos estudar o assunto!"

Ensei Neto, consultor em qualidade de café, comenta que grãos de boa/alta qualidade continuarão com oferta restrita, junto com o descolamento de preços por qualidade.

O leitor Marcus Magalhães, de Vitória/ES também enviou seu comentário dizendo: "Faltar não digo, mas a situação não ficará nada confortável".

E você, acha que vai faltar café no mercado brasileiro? Participe enviando seu comentário através do box de cartas abaixo.
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Material escrito por:

Natália Sampaio Fernandes

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Artur Queiroz de Sousa
ARTUR QUEIROZ DE SOUSA

CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 21/02/2011

Interessante o posicionamento do Sr. Fernando de Souza Barros. Ele consegue contradizer os fundamentos, as estatísticas de produção e consumo, e até o nervosismo dos especuladores das bolsas de NY e BMF.
Será que está pensando em adicionar fubá de milho, casca de café, para fazer render? - Lembre-se que o consumidor está mais exigente, e não mais aceita a picaretagem.
O produtor não tem como investir em novas lavouras, nem tão pouco em novas tecnologias, pois está endividado, não tem limite de crédito, e está descapitalizado. A tal ordem, que quando os preços subiram, já havia sido comercializado mais de 85% da safra. Ele está se animando, mas tem em si a relação de troca. 1 Salário mínimo tem que ser menor ou no máximo igual a 1 saca de café. 1 bezerro desmamado igual a 1 saca de café, e por aí vai. Não será ele tão equivocado, de cometer nenhuma loucura. Se o café está subindo de uma só vez, é porque alguém pagou essa conta, ficando pelo caminho, em tentar produzir cada vez mais, para tentar sair da baixa rentabilidade. Não creio que existe essa chance, mesmo porque a má remuneração foi no mundo inteiro, e Colômbia, Brasil, Vietnã, estão no mesmo barco.
Se não houver uma política de preços mínimos que garantam o custo de produção, um sistema de compra pelo Governo Federal, continuaremos a deriva nesse negócio chamado Café.
Carlos Eduardo de Andrade
CARLOS EDUARDO DE ANDRADE

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 21/02/2011

Poucos foram os analistas que escreveram a respeito da mudnaça de patamar de preços para o café no passado recente.Dentre os que tem insistido nessa tese está o Eduardo Carvalhaes.
Esta alta de preços do café pegou a maioria dos cafeicultores e cooperativas "no pulo".
Em minha visão o cafeicultor deve ficar muito atento a esse fato e agir com muita caltela,pois na verdade o número de cafeicultores que efetivamente conseguiram comercializar café nessas bases de preços é pequeno.
Nas últimas altas de preço de café muita gente ganhou dinheiro menos o cafeicultor.
Em minha experiência como extensionista chamo a atenção para que os cafeicultores não invistam exageradamente e nem façam planos de investimento de médio e longo prazo.
Normalmente o cafeicultor perde muito mais dinheiro quando café está com preço alto que em baixa.A maioria dos cafeicultores fazem besteira de toda sorte.
Os primeiros que irão correr atraz dos cafeicultores para tomar o dinheiro deles serão os vendedores. Vendedores de máquinas e equipamentos, vendedores de produtos para controle de pragas e doenças, vendedores disso e daquilo....
O papo de que o cafeicultor terá que investir em novas tecnologias, que o cafeicultor tem que dobrar a sua produtividade e que o café agora irá permanecer tantos anos nessas bases e que ele amargou mais de dez anos de crise e que agora chegou a vez dele e etc.
Esse papo de que o café de qualidade manterá sempre com um preço muito maior que o de qualidade inferior não é verdade. Se as condições climáticas forem favoraveis para se fazer café de qualidade (bebida dura ou bebida mole) aumentará a oferta de café de qualidade e a oferta de café de qualidade infeior(bebida rio) reduzirá.
Particularmente prefiro usar a discriminação por bebida do café ao invés de qualidade. Há um enorme mercado em vários paises, incluindo se ai o Brasil, para café bebida rio.
Cafeicultores do Brasil, não façam besteiras...! Se capitalizem...! Nada de comprar aquela terra do visinho a preço de ouro...! nada de encher os bolsos da Bayer, Basf, Syngenta, Paline, Ford, Toyta e etc.....
Guardem o máximo de dinheiro que conseguirem. Na agricultura a teoria da economia perfeita é uma verdade. o que regula preços é o equilíbrio entre oferta e demanda.

Marcos Roberto Dutra
MARCOS ROBERTO DUTRA

VARGINHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 21/02/2011

Com investimento em tecnologia podemos aumentar seguramente mais de 30% a produtividade das lavouras cafeeiras num prazo de 2 anos. Para esta safra (2011), em virtude de melhores tratos culturais pouco se irá alterar a produtividade
Roberto Ticoulat
ROBERTO TICOULAT

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 18/02/2011

Caro Fernando,

Como todos nós sabemos que café a US$ 350,00/saca média de 10 anos é ilusório, acho que aqueles que estão em locais menos propicios à produção nos moldes atuais deveriam aproveitar o momento e mudar para outra cultura que não exija tanta mão de obra e capital intensivo como o café.

Com a remuneração atual o correto seria realizar a conta e decidir se está apto a permanecer no mercado ou ficar pronto para alterar de cultura quando e se o mercado reverter.

Esperamos que o Brasil possa atender a demanda crescente por café no mundo, porém sem exagerar na quantidade produzida.

Talvez caberia ao governo, utilizando os mecanismos que possue, inbir um aumento exacerbado na produção de forma a daqui a 3 anos não termos de retornar aos prejuizos que fomos impostos nos ultimos anos.

Abraço,

Roberto Ticoulat
Vice-presidente Sociedade Rural Brasileira.
Marcos Antonio dos Reis Teixeira
MARCOS ANTONIO DOS REIS TEIXEIRA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE CAFÉ

EM 16/02/2011

Cafeicultores, dependentes de intempéries ambientais, disponibilidade de mão-de-obra, variação cambial e volatilidade de preços nos mercados físico e futuro. Com preços em alta tendem a renovar lavouras, plantar novas e melhorar os tratos culturais, mas não antes de se capitalizarem e estar prevenidos para a próxima safra.
Sabemos que em 2011 teremos safra de bienalidade negativa no Brasil e ainda baixa produção em alguns importantes países produtores, principalmente na América Central, assim denotamos continuidade de preços elevados para este ano e aumento do diferencial pago aos cafés de qualidade, pois estes serão ainda mais escassos no mercado em expansão e com consumidores mais aptos e informados a demandarem cafés especiais.
Luiz Eduardo
LUIZ EDUARDO

JACUTINGA - MINAS GERAIS - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 16/02/2011

Pelo cenário atual de demanda e oferta de café, eu tenho plena convicção que agora é a vez do cafeicultor !
Carlos Eduardo de Andrade
CARLOS EDUARDO DE ANDRADE

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 16/02/2011

Realmente o cenario econômico do agronegócio na atualidade é bem diferente do cenário de outrora. É de conhecimento geral que a produção de café é de alto risco e de custos muito alto.
Façamos uma análise rápida. O preço da arroba de boi está em torno de U$ 60,00. Qual cafeicultor irá aumentar a sua área de café e reduzir a sua área de pastagem? Qual atividade é de maior risco? Qual demanda mais mão-de-obra?
O preço do Algodão está nas núvens alguém irá deixar de cultivar uma cultura anual para passar para um perene?
A cana está em plena expanção e irá se expandir ainda mais. Principalmente com o nível tecnológico de produção, altamente intensiva em capital e economizadora de mão-de-obra.
Em relação a soja e ao milho. Falar qualquer coisa é chover no molhado.Os preços estão compensadores e quem está na atividade também não irá se aventurar.
Nas regiões de montanha a cafeicultura está com uma dificuldade enorme para se colher em razão da falta de mão-de-obra no campo e das exageradas exigências inexequíveis do Ministério do Trabalho, mais especificamente a famosa NR 31. Niguém consegue cumpri-la.
Ainda em relação as regiões de montanha houve uma grande substituição de vários lavouras de café por florestas de eucalípto e este movimento ainda irá persistir em razões diversas dentre elas a alta demanda por madeira para móveis e construção civil e a baixa necessidade de mão-de-obra e a alta rentabilidade e o baixo risco.
Outro aspecto são as exigências climáticas para se produzir café. Para se produzir café há necessidade de condicionantes mais restritos que para demais atividades.
Para o cenário atual teremos um aumento de produção de café provavelmente em outros países, mas também não muito grande em razão das mesmas variáveis existirem por lá e produzir café na atualidade exige conhecimento e domínio tecnológico.
A produção agropecuária irá passar para outro patamar de responsabilidades, direitos, deveres, remuneração, nível de comercialização altamente profissional e exigira´novos paradígmas e planejamento de longo prazos. Parabéns pelo artigo.