"O que se esperar do fenômeno La Niña em 2012? Será mais intenso ou menos intenso que 2011?"
Celso Oliveira, meteorologista da Somar:
"Desde julho, a temperatura da água do Oceano Pacífico junto à Linha do Equador vem caindo.
Entre agosto e setembro, o desvio chegou a -0,5°C (meio grau abaixo da média), porém os efeitos deste fenômeno começaram a ser percebidos apenas neste momento, em meados da primavera.
No momento, a temperatura está -0,7°C abaixo do normal, com tendência de rápido declínio ao longo do trimestre novembro/dezembro/janeiro. Estima-se que entre o fim da primavera e início do verão, o desvio alcance -1,5°C, sendo muito semelhante ao último, ocorrido na primavera verão 10/11.
E o La Niña? O que ele provoca nas áreas de café?
O La Niña aumenta a freqüência de chuva associada com frentes frias. Ou seja, o número de dias com tempo fechado, chuvoso e temperatura mais baixa que o normal aumenta em relação à anos neutros e com La Niña. Entretanto, vale salientar que um número de dias com chuva acima da média não significativa que o acumulado será maior que o normal. Nada impede que a chuva seja fraca. A Somar trabalha com várias simulações. Duas simulações delas indicam chuvas acima da média sobre o Nordeste e entre a média à abaixo da média para o Sudeste no decorrer do verão.
E para o outono?
Aí vale uma dica importantíssima. Muitos acreditam que em anos de La Niña, a chuva posterga, enquanto que em anos de El Niño, a chuva corta antes. A segunda parte da frase está correta: em anos de El Niño, a chuva corta antes do normal.
Entretanto, em anos de La Niña, pode acontecer as duas situações: chuva postergar ou cortar. Na realidade, quando chega o outono, o fenômeno La Niña perde um pouco de sua importância. Quem passa a mandar na chuva é o nosso Oceano, o Atlântico. Para a chuva postergar no Brasil, este oceano tem que está mais quente que o normal próximo da nossa costa, especialmente na costa do Norte e Nordeste. Caso isto aconteça e o Atlântico no Hemisfério Norte esteja mais frio que o normal, as chuvas avançam pela costa do Norte e Nordeste e Floresta Amazônica faz o papel de distribuir esta umidade pelas outras Regiões do Brasil ao longo do outono. A última vez que vimos isto foi em 2009.
Entretanto, quando o Oceano Atlântico não esquenta muito, a chuva diminui a partir de abril. E tivemos este caso neste ano, no primeiro semestre de 2011.
E para 2012?
A previsão de temperatura do Atlântico é bem mais difícil que a do Pacífico. Trata-se de um oceano menor, cuja temperatura muda muito rapidamente ao longo dos meses. Entretanto, as previsões preliminares indicam que 2012 será parecido com 2011. Ou seja, a chuva não deve postergar."
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