Segundo Silas, o movimento teve a participação de políticos eminentes, mas faltou a presença da base governista, que foi representada apenas pelo deputado Odair Cunha (PT/MG). "Nenhum outro se fez presente e essa foi realmente uma falha da organização do nosso SOS Café", afirma, dizendo que os parlamentares são a voz ativa do povo junto ao governo Federal.
Brasileiro disse ainda que a cadeia produtiva tem que entender que só existe um caminho "E este caminho é o do governo. Não há outra solução se não tivermos amparado pelos governantes", completa.
"Temos que negociar e afinar as nossas pretensões dentro de Brasília. De nada adianta chegarmos na capital Federal com 20, 30 lideranças, quando na verdade basta apenas duas ou três com o mesmo discurso. O governo não sabe mais qual proposta adotar. Um parlamentar que às vezes não tem nenhuma ligação e nem conhece a cafeicultura, apresenta propostas. Depois, outro chega com uma proposta diferente e assim vai", declara, ao dizer que as lideranças devem fazer propostas concretas e adotar a mesma política em toda cadeia.
Para ele, a fase hoje é diferente. "Não é mais aquela de dar 'murro na mesa', como aconteceu diversas vezes. É necessário dialogar. Precisamos definir o nosso real objetivo e apresentá-lo ao governo. O governo entende perfeitamente que a palavra é renda e que sem ela não adianta discutir outros fundamentos, mas esta renda tem que ser discutida dentro do CDPC (Conselho Deliberativo da Política do Café), envolvendo toda a cadeia café e não somente a produção. O trabalho isolado será exaustivo e sem o governo, ele será em vão", salienta.
Para Brasileiro, é hora de amadurecer, organizar, negociar e não protestar. "Devemos apresentar propostas factíveis. De nada adianta sonhar, há uma realidade presente na crise mundial e ela se estende a nosso país, portanto devemos apresentar propostas reais, que podem ser realizadas", finaliza.
Recuperação de preços
Segundo o secretário, os preços do café no Brasil devem recuperar-se, assim como no mercado internacional, diante dos fundamentos positivos. E, assim que efetivamente saírem os contratos de opção de venda, as cotações podem rapidamente chegar a R$300,00 por saca no Brasil. Brasileiro afirmou que em abril devem sair enfim as opções de venda, envolvendo R$ 900 milhões, ou 3 milhões de sacas a um preço alvo de R$300,00 por saca.
Para o secretário, a redução do ritmo do crescimento no consumo no Brasil e no mundo não preocupa, porque a demanda ainda vem evoluindo. Além disso, o país está por colher uma safra pequena, o que é fator de sustentação aos preços, além dos problemas em outras nações cafeeiras, como na América Central e Colômbia.
Recentemente, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) mudou suas metas para o consumo no Brasil. Antes se esperava que o consumo atingisse 21 milhões de sacas em 2010. Agora tal meta passa para 2011 ou 2012, o que é reflexo da crise mundial, entre outras questões. Em 2008, a demanda interna foi de 17,6 milhões de sacas. A Organização Internacional do Café (OIC) também reduziu sua projeção do consumo mundial.
Com informações da Agência Safras e assessoria de comunicação da Fenicafé.

O secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Silas Brasileiro.>
