Fenicafé: "a palavra de ordem é cautela", diz Gilman

A crise do setor cafeeiro nacional esteve mais uma vez em pauta. Desta vez, o assunto foi muito comentado durante a abertura da XII Feira de Irrigação em Café do Cerrado, a Fenicafé 2009. O secretário de Agricultura do Estado de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, foi enfático e disse que o produtor tem que ter cautela e gestão. "O produtor tem que criar conduções e soluções para atravessar a turbulência, que é inevitável", salientou.

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A crise do setor cafeeiro nacional esteve mais uma vez em pauta. Desta vez, o assunto foi muito comentado durante a abertura da XII Feira de Irrigação em Café do Cerrado, a Fenicafé 2009, que está sendo realizada em Araguari, no Triângulo Mineiro. O secretário de Agricultura do Estado de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, foi enfático e disse que o produtor tem que ter cautela e gestão. "O produtor tem que criar conduções e soluções para atravessar a turbulência, que é inevitável", salientou.

O secretário considera que deve ser injetado capital na atividade produtiva e diz que o consumo deve ser mantido, assim como o crédito. Gilman falou ainda sobre o Código Ambiental Brasileiro, assunto que esteve em pauta durante a reunião do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Agricultura (Conseagri). O encontro, coordenado por Viana, que também é presidente do Conseagri, contou com a participação de 17 Estados.

Os representantes do setor agrícola defendem a proposta de mudança no código, que deve ser levada este ano para votação no Congresso. "O código vigente foi criado em 1965 e não condiz com a realidade atual do agronegócio brasileiro", afirma Gilman Viana. Ele lembra que, mesmo com o código, entre as décadas de 1960 e 1980, o próprio governo brasileiro estimulou a abertura de novas fronteiras agrícolas para evitar o êxodo rural, aumentar a produção de alimentos no país e desenvolver regiões mais carentes.

"Agora querem voltar com o Código e impedir a atividade em áreas que estão há anos ocupadas pela atividade agropecuária. O que esses produtores vão fazer? E a população brasileira vai comer o quê?", questiona Viana.

Um estudo da Embrapa demonstra que, de acordo com o código original, apenas cerca de 25% do território nacional está liberado para exploração de atividades agropecuária e industriais. O restante é considerado Área de Reserva Indígena, Área de Preservação Permanente (APP), ou Área de Reserva Legal. No caso do Centro-Sul do país, as áreas de Reserva Legal correspondem a 20% da área de propriedade. Já as APPs, incluem áreas de nascentes, matas ciliares, várzeas, topos e encostas de morros. Ou seja, teriam que deixar de produzir boa parte das fazendas de café plantado nos morros do Espírito Santo e sul de Minas.

Entre as propostas do setor agropecuário para o novo Código Florestal está a incorporação das APPs com a área de reserva legal. Ou seja, uma fazenda que já tenha 20% da sua área considerada Área de Preservação Permanente ficaria isenta de reservar mais 20% de área de reserva legal. "Se isso não mudar, a atividade se tornará insustentável. Imagine, para o agricultor familiar, ter que deixar de produzir em até 40% da sua propriedade", alerta o secretário Gilman Viana.

Outras reivindicações do setor são a permissão da manutenção da agricultura em APPs nas áreas consolidadas do Centro-Sul; permissão de recomposição de áreas desmatadas também com florestas plantadas que deem utilização econômica. O setor agrícola também quer a regularização da questão fundiária e dos passivos ambientais, além do pagamento aos proprietários rurais por serviços de manutenção e conservação da floresta, conhecidos como serviços ambientais.

As informações são da assessoria de comunicação da Fenicafé.

Figura 1
O secretário de Agricultura do Estado de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, durante seu discurso na Fenicafé 2009.
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José Nunes Filho
JOSÉ NUNES FILHO

RECIFE - PERNAMBUCO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/04/2009

Neste momento de crise internacional e que está atingindo o nosso país, temos que investir cada vez mais em tecnologias que garantam a produtividade e qualidade do produto a ser colhido. Aqui em Pernambuco estamos avaliando cultivares de café arábica sob condições irrigadas visando o agricultor familiar, especialmente da região de Garanhus (Agreste Meridional), onde existe razoável oferta de águas para irrigação do tipo localizada.

Na Região da Mata também vem se avaliando cultivares de café conilon provenientes do INCAPER/ES, embora as precipitações superiores ao Agreste não garantam elevadas produtividades devido à distribuição das mesmas serem concentradas fora da época de floração e granação, tornando-se imprescindível a utilização da irrigação suplementar para sustentabilidade da atividade, que sem dúvida, é uma alternativa para as áreas de Assentamentos, gerando emprego e renda durante a enressafra da cana que coincide com a colheita do café (maio a agosto).

No entanto esse período é o mais chuvoso na Região, necessitando de secadores artificiais para melhorar a secagem, e consequentemente, a qualidade dos grãos. Isto seria possível contruindo-se secadores coletivos em determinadas comunidades de assentados. O mercado está próximo com torrefadores e consumidores. Acredito no potencial desta cultura aqui, desde que haja estímulo a diversificação, pois sabemos que a cana de açúcar vem sendo cultivada há quase 500 anos, portanto é uma cultura tradicional.

Vejo também uma alternativa para a agricultura irrigada no Sertão: o café conilon, em consórcio com especies frutíferas, que hoje é uma realidade mesmo com a crise que ocorre mundialmente. Sendo o café um produto não perecível, possibilitaria um período de estocagem para garantia de ofertas do produto em função da demanda internacional, principalmente.
Magno Reis
MAGNO REIS

SANTO ANTÔNIO DO AMPARO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 27/03/2009

Muito feliz em suas palavras, o momento realmente é de cautela pois não se desiste de ser cafeicultor de uma hora para outra por ser lavoura perene.
A questão ambiental tem mesmo que ser revisada para se adequar a pequenas propriedades.
Minas Gerais tem focado esforços em criar alternativas e fortalecer o regime de agricultura familiar através da EMATER da EPAMIG e iniciativas privadas como o FORÇA CAFÉ em Santo Antonio do Amparo, Sul de MG.
O Problema é que o sotor cafeeiro está em situação critica, trabalhando no prejuizo a vários anos, enquanto o governo Federal finge que desconhece a situação.
Parabens ao Secretário.