Falta de crédito desagrada cafeicultores brasileiros
O CaféPoint realizou uma enquete para saber dos produtores de café brasileiros quais as maiores dificuldades encontradas hoje na atividade cafeeira. Diante dificuldades como perda de qualidade dos grãos, adversidades de tempo, dificuldade de comercialização, entre outros, o que mais preocupa os produtores é a falta de capitalização, vinda de muitos anos com a venda de café pelos mesmos níveis de preços, impedindo-os de se desenvolverem e investirem em suas lavouras.
Publicado por: CaféPoint
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Conforme dito, Willem Guilherme de Araújo, da Emater, de Guaxupé/MG, acredita que a maior dificuldade do cafeicultor brasileiro é a falta de crédito para poder gerenciar melhor sua atividade.
Antonio Augusto Reis, cafeicultor de Varginha/MG, expõe que o estoque da dívida é muito grande para a maioria dos produtores em função da falta de renda da atividade. Outro ponto ainda levantado por ele é em relação as políticas do governo. "A liberação de novos créditos só faz aumentar a dívida do produtor. O problema é estrutural (políticas)", comenta.
O cafeicultor João Carlos Remedio concorda que o maior problema da atividade é ficar vendendo café abaixo do preço por muito tempo. "Essa dificuldade econômica faz o produtor colocar o café no mercado a qualquer preço impedindo uma alta mais contundente. Queremos uma política para o café que impeça isso."
Willes Silva diz que sente dificuldade em definir a hora certa de vender o produto. Ele comenta que "existe grande variação de preços da mesma classificação do café nas diversas regiões produtoras".
Outra questão apontada por Willes é a falta de marketing agressivo dos cafés brasileiros, principalmente no mercado externo, uma vez que o Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo. "A Alemanha é o maior exportador de café solúvel do mundo e não colhe nenhum grão", comenta ele se referindo a agregação de valor que esse país consegue com a industrialização do café.
Fato que está também prejudicando cada vez mais os produtores é o aumento das exigências legais trabalhistas e ambientais. "Isso desorganiza ainda mais a estrutura administrativa dos produtores e, sem condições financeiras de adaptação, joga-os na rota da falência", comenta Antonio Augusto Reis. Esse problema também afeta o cafeicultor Joe Ferraz Prado Filho, que diz que as exigências elevam muito o orçamento.
Antônio Augusto destaca que não existe nada mais difícil do que administrar sem dinheiro, quebrado, sem crédito. A realidade de muitos hoje.
Joe Ferraz vê um grande problema na falta alavancagem dos mercados futuros, por meio de isenção de impostos e taxas. Entretanto, um passo parece já ter sido dado. Na semana passada o Conselho Monetário Nacional aprovou a criação de uma linha de crédito de comercialização com recursos do Funcafé para operações no mercado futuro. O dinheiro poderá ser destinado ao financiamento da constituição de margens e de ajustes diários, em operações de vendas a futuro, aquisição de prêmios em contratos de opções de venda e demais taxas e emolumentos necessários a este tipo de transação lastreada em café na bolsa de mercadorias e futuros nacional (BM&FBovespa).
O leitor do CaféPoint, Wilson Oslis Sanches, finaliza dizendo que todos os problemas apontados são importantes, mas todos para serem realizados da melhor maneira dependem primariamente de capacidade de investimento com juros baixos e crédito facilitado. "Sem possibilidade inicial de investimento nem adianta discutirmos os outros problemas".
Wilson desabafa dizendo que "mantinha 6 famílias no trabalho e hoje mantenho casas vazias, enquanto o governo financia casas na cidade deslocando mão-de-obra qualificada da cafeicultura para as cidades onde vão se submeter a sub empregos para sobreviver, deixando seus filhos à mercê de traficantes".
Equipe CaféPoint
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SÃO PAULO - SÃO PAULO - TRADER
EM 01/09/2010
O problema do crédito é que sai fora de hora e com vencimentos imprópios a melhoria de renda do produtor fazendo ele de refem e vendendo sua mercadoria em hora inapropiada.Maior exemplo foi este ano com a verba de colheita! estocagem etc...pois há quem defenda vender o máximo pelo mínimo fazendo média. Posteriormente por falta de orientação há quem confunda crédito com renda caindo na armadilha de plantar mais que no ano que vem melhora!e finalmente se enganar achando que abaixando o custo terá lucro! Tudo isto é
muito bonito porém errado pois enquanto não tivermos uma política de controle de fluxo para valorizarmos a nossa Mercadoria tudo será em vão! Ah me esqueci
é bom lembrar que já vendemos a metade da safra fazendo média e de agora em diante voces vão ter uma idéia melhor do que poderá ocorrer com a safra que vem pois esta que diziam ser de 55/60 milhões creio não dará nem 48 portanto
fiquem espertos com as informações plantadas.O mercado será do vendedor!
Abraço e tá mais.
DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO
EM 30/08/2010
Hoje tivemos uma reunião muito importante la na cidade de Campinas, reunião da Camara Setorial de Cafe do Estado de São Paulo. É incrivel como nossos assuntos são os mesmos.
Quando será que nos produtores vamos nos libertar e reorganizarmos esta cadeia produtiva].
Precisamos urgentemente darmos nosso grito de independencia. Dizer que este modelo de governança que ai esta não nos interessa mais mas, não iremos fazer isto só com discurso, precisamos de produtores corajosos e obstinados que não tenham medo de falar aquilo que estão vivendo, mostrar a todos que o que ai esta é vergonhoso.
Saudações.