FAEP quer medida urgente contra crise da cafeicultura

Uma das medidas urgentes para o produtor de café sair do sufoco é o estabelecimento do preço mínimo de R$ 355,00, compatível com o custo de produção, além do reescalonamento das dívidas do setor de todos os contratos, vencidos ou a vencer, uma vez que o cafeicultor não tem atualmente condições de cumpri-los. Essas e outras reivindicações foram enviadas ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, pelo presidente da FAEP, Ágide Meneguette.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 1 minuto de leitura

Ícone para ver comentários 3
Ícone para curtir artigo 0

Uma das medidas urgentes para o produtor de café sair do sufoco é o estabelecimento do preço mínimo de R$ 355,00, compatível com o custo de produção, além do reescalonamento das dívidas do setor de todos os contratos, vencidos ou a vencer, uma vez que o cafeicultor não tem atualmente condições de cumpri-los. Essas e outras reivindicações foram enviadas terça-feira (28/07) ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em ofício assinado pelo presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette.

Segundo ele, o cafeicultor do Paraná passa por uma grave crise e desde 2000 o setor vem lutando contra preços baixos e custos de produção elevados. Comparando o salário-mínimo com o preço do café recebido pelo produtor conclui-se que, em 1998, uma saca de café valia cerca de 1,82 salário-mínimo, hoje representa apenas 0,48. Isso fez com que o custo de mão-de-obra aumentasse 273% nos últimos dez anos, compara Meneguette.

Outro parâmetro utilizado para comparar a perda de receita do produtor é o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que variou 128,40% de 2000 para cá, enquanto o preço da saca de café ao produtor se manteve estável. Ágide Meneguette lembra que o Paraná, que já foi o maior produtor mundial de café, erradicou mais de sete mil hectares da cultura em 2009 e figura atualmente como sexto estado produtor. "Muitos produtores se desfizeram de seu patrimônio para cumprir suas obrigações e a maioria está endividada".

Além dos problemas de preço e custo, diz Meneguette, o produtor é prejudicado pela mistura de impurezas no café torrado e moído. Essa medida reduz a demanda do café em grãos e causa distorções no mercado. No total são sete os itens enumerados pelo presidente da FAEP. Veja a seguir:

1. Estabelecer o preço mínimo de R$ 355,00, compatível com o custo de produção;

2. Reescalonar as dívidas do setor de todos os contratos, vencidos ou vincendos, uma vez que o produtor não tem condições de cumpri-los;

3. Aceitar nos reembolsos das operações de Funcafé o café beneficiado;

4. Estabelecer ações para gerar estoques reguladores, que pode ser viabilizado com a implementação da proposta acima;

5. Disponibilizar maior número de contratos de Opções de venda;

6. Agilizar o processo de implementação do regulamento técnico de qualidade para o café torrado e moído, conforme Consulta Pública 49/2009 do Ministério da Agricultura;

7. Implementar a fiscalização de impurezas no café torrado e moído.

As informações são da Faep.
Ícone para ver comentários 3
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Gefferson Edson Ferreira Pinto
GEFFERSON EDSON FERREIRA PINTO

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO

EM 27/08/2009

A cafeicltura esteve sempre relacionada a outra fonte de renda dentro da propriedade rural, onde no final da safra o produtor tinha o café com um custo baixo, pois utilizava o leite, feijão, arroz e outros produtos como fonte de renda.

Atualmente, os produtores estão encurraldos em uma única cultura, onde se evita ter gastos ou riscos extras em outras atividades agrícolas. Agora perguntamos: O que está dando dinheiro no ramo agropecuário atualmente?

Difícil resposta! O que faremos para diminuir custos?Qual outra opção de renda ou outra atividade dentro de uma propriedade agrícola?

Pena que o preço do café esteja tão abaixo da linha de custo, pois a cafeicultura se mantém ainda pela agricultura familiar, que está começando a se desestruturar pela falta de geração de renda no campo.

Necessitamos de mais apoio político, pois boa vontade e coragem para trabalhar o cafeicultor tem de sobra. Queremos um bom preço no nosso precioso produto que é o café.
Decio barb0sa freire
DECIO BARB0SA FREIRE

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 12/08/2009

Antônio Augusto Reis: você está certo. A situação é de desequilíbrio econômico-financeiro. Uma ideia que me surgiu e que talvez ajude a amenizar o problema seria o governo subvencionar o cafeicultor que realizasse o esqueletamento total de sua lavoura, por
exemplo, em dez sacas de café por hectare. Seria uma maneira de diminuir a produção total anual.

Naturalmente, esta ideia deverá ser aperfeiçoada em termos de controle e valores. Se aproxima da subvenção dada pelo Governo para erradicar café na década de 1960, mas não é tão drástica.

Atenciosamente,
ANTONIO AUGUSTO REIS
ANTONIO AUGUSTO REIS

VARGINHA - MINAS GERAIS

EM 29/07/2009

A FAEP está expressando a realidade de mais de 80% dos produtores de café arábica do país.

Poderão ser retirados dessa relação as propriedades planas, mecanizadas e localizadas em qualquer parte do país e, dos grandes grupos empresariais que não precisam dessa atividade para viver, que demandam pouca mão-de-obra (hoje juntamente com os insumos, o gargalo dos custos de produção).

A situação é tão séria para as demais propriedades/produtores, que por ventura alguém receba de herança uma propriedade montada, sem necessidade de novos investimentos, dentro de um ano a dois, estará comprometido financeiramente e ou sua propriedade em estado de abandono.

Então fica a pergunta: como equacionar a situação presente e futura da maioria dos produtores que está carregando um passivo de 4,2 bilhões de reais que é a dívida da cafeicultura brasileira? (Já que é impossível manter-se na atividade com café sendo comercializado nos níveis atuais de R$ 240,00/saca).

Para pensar...

A dívida total da cafeicutura reprenta pouco mais de 3% do plano safra 2009/10 do país (107 bilhões de reais). Esta atividade, provavelmente emprega mais, do que todas as demais culturas juntas.

Será então, que não está faltando sensibilidade e vontade política, para dar um basta nessa situação de penúria em que se encontram a grande maioria dos produtores de café arábica e de seus auxiliares, distribuidos por mais de 1.800 municípios brasileiros?

Parabéns FAEP pela manifestação em defesa dessa atividade centenária e precursora do desenvolvimento experimentado pelo país.