FAEMG: Falta de ação governamental desencadeou crise do café

Os prejuízos assustam os cafeicultores mineiros, responsáveis por cerca de 50% da produção nacional. Para o diretor da FAEMG e presidente da Comissão Estadual do Café de Minas Gerais, Breno Mesquita, a falta de ação do governo foi preponderante para esse atual cenário. Ele também avalia quais medidas devem ser tomadas no intuito de salvar o produtor. Confira a entrevista.

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Os prejuízos já assustam os cafeicultores mineiros, responsáveis por cerca de 50% da produção nacional. Para o diretor da FAEMG e presidente da Comissão Estadual do Café de Minas Gerais, Breno Mesquita, a falta de ação do governo foi preponderante para esse atual cenário. Ele também avalia quais medidas devem ser tomadas no intuito de salvar o produtor e descarta qualquer comparação dessa crise do café, com a de 1929.

Qual fator o senhor acredita ter sido preponderante para essa atual crise do café?
Acredito que o fator primordial é que em 2012 a produção brasileira foi de ciclo alto, e como vínhamos de quase dois anos com preços remuneradores, o produtor investiu mais na atividade, e a safra deste ano, que é de ciclo baixo, não foi tão menor como em anos anteriores. Desde setembro do ano passado, discutimos com o governo essa preocupação. Como há essa bianuidade, ou seja, ano com safra alta, ano com safra baixa, e a deste ano seria menos acentuada, nós precisaríamos buscar mecanismos, que já existem, para que o café não chegasse ao ponto que chegou. Nós sabíamos que o mercado reage assim, que é extremamente especulativo. Estão especulando uma safra brasileira, tida como boa, como se ela fosse extraordinária. É normal esse movimento, o que nós queríamos e chamamos o governo para isso, era que no momento que iniciássemos essa colheita, nós já tivéssemos disponibilizado instrumentos para que os efeitos dessa especulação fossem neutralizados. Até agora, nada aconteceu, não saíram os recursos para o setor. Era uma coisa previsível, mas infelizmente as demandas não foram atendidas no tempo necessário.

Essa inércia do governo para atender as demandas dos cafeicultores, pode ocasionar uma debandada do setor para outras áreas agrícolas?
O café é uma cultura perene. Diferente do milho, do trigo, que se não der o resultado bom em um ano, você deixa de plantar. O café quando você planta, é difícil arrancá-lo, além de ser muito caro e antieconômico. Então não dá simplesmente para você largar, é uma morte lenta. Isso é o que nós queremos evitar. Infelizmente, se o produtor deixar de fazer o que deve na lavoura, a produtividade despenca. Se hoje amargamos um prejuízo de mais de R$ 100 por saca, sem os tratos culturais isso vai aumentar ainda mais. É uma situação muito complicada. Temos que fazer rapidamente as ações necessárias para evitar isso, ainda faltam 75% do café para ser colhido, se conseguirmos reverter essa situação em um curtíssimo espaço de tempo, salvaremos muitos cafeicultores.

Mas o senhor crê na boa vontade do governo para isso?
Olha a primeira questão é a seguinte: a cafeicultura é importante ou não para o Brasil? Não só para o cafeicultor, mas como um todo, ela é uma grande fonte geradora de emprego e recursos para alguns municípios. Se o café vai mal, o município também. Então o problema não é só do cafeicultor, é municipal. Tudo leva a crer que ainda é um setor extremamente importante e vital. Sendo assim, temos que cobrar para que as coisas que já deveriam ter acontecido, aconteçam. Temos conversado praticamente todos os dias com ministérios que são responsáveis pelo setor (Agricultura e Fazenda) e o que percebemos é que eles estão trabalhando para uma solução. Não posso garantir que vão resolver amanhã ou depois, mas não está faltando pressão por parte dos setores de produção na confecção de um programa que ajude o produtor.

Essa situação já tem afetado as exportações?
Hoje as exportações estão fluindo. Não como no ano passado que teve um ciclo alto. Quando o preço está competitivo, o produtor solta, comercializa, mas quando ele está mais baixo, segura. O que está faltando é recurso para o produtor segurar e esperar o melhor momento.

Quando se fala em crise do café no Brasil, historicamente nos remetemos a grande crise de 1929, no chamado “crack da bolsa de Nova Iorque”. O senhor vê semelhanças entre as situações?
Não, são situações completamente distintas. Hoje, nós temos um problema nos EUA, na comunidade europeia, mas em contrapartida, abrimos frente no Leste Europeu, que cresce bastante, nos países emergentes também. Ou seja, o café tem crescido a taxas histórias de 1 a 1,5% ao ano. O consumo não caiu no mundo. O maior problema é a especulação, falta política do setor para evitar os malefícios disso. Acreditamos que se o governo fizer os programas, temos a certeza que viveremos dias melhores. É preciso rapidez, pois a colheita não espera.
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gilmar silva gonçalves
GILMAR SILVA GONÇALVES

BARRA DA ESTIVA - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 06/08/2013

Somados a todos os comentários acima citados o Brasil tem que massificar a venda de cafe ainda mais no exterior, tornando o cafe  mais acessível a todos pois o que sei o café lá fora é um produto caro para se tomar, acredito que se o governo investir mais no marketing a procura irá aumentar e logicamente aumentará a oferta.
Jairo Pedro Cardoso
JAIRO PEDRO CARDOSO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 05/08/2013

Em todos os seguimentos da economia existem políticas públicas capazes de regurarem os preços no mercado. Quando o petróleo dá sinais de redução nos preços, a organização deles, diminue a produção e imediatamente os preços se elevam. No café, nada acontece, quantas sugestões acima, erradicar lavouras, mecanismos para diminuir o plantio, retenção do produto e outras alternativas que certamente viriam de encontro aos interesses dos produtores e toda a cadeira produtiva do café que movimenta e agiliza o fluxo circular da economia. Porém, não ha vontade políca e concordando com um comentarista acima, dizendo que o ministro é despreparado e que ele disse que o preço do café é psicológico, não seria o caso de perguntar a ele se os custos também são psicológicos e o prejuízo também o é ??

Saiba Sr. Ministro que os custos não são psicológicos e nem os prejuízos, quando eles ocorrem, como agora está ocorrendo, não tem outra forma, eles vão para o passivo aumentando o endividamento que ja não é pequeno ou temos que abrir mão de outros ativos para fazer face aos prejuízos, isso não é psicológico não, isso é real.
Jose robson Vescovi Ramos
JOSE ROBSON VESCOVI RAMOS

FUNDÃO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/08/2013

Neste descaso por parte do governo em fechar os olhos para a cafeicultura sem se preocupar com o futuro, percebo que vai acontecer com o cafe o que aconteceu com a seringueira(borracha) no Brasil no seculo passado, providencias não foram tomadas e outros Países passaram aproveitar da fraqueza do Brasil em administrar assuntos da agricultura, e outros vão aproveitar o espaço deixado para assumir a produção Brasileira, quando acordar para situação já e tarde, a vaca foi pro brejo. Se compararmos  o consumo mundial e os estoques de cafe, vejamos que não tem tanta produção assim a ponto de baixar  os preços, o problema e que o cafe passou ser um doente no CTI sem dono, (sem pai, mãe, parente, e um indigente) abandono a sorte, não apareçe ninguem do governo para comprar esta briga com a especulação etc... talves quando se voltar para a asunto será lamentavelmente tarde demais, ai não vamos encontrar os produção que já estarão quebrados com interesse e voltar a produzir, outros Países assumirão a produção.
Willes Silva
WILLES SILVA

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/08/2013

Bom a dia todos meus colegas do setor.



Faço uma comparação muito simples, mais real : ( Cafeicultura  e um paciente terminal com  cancer ) morte lenta e o médico ( governo ) nada faz, porque o ministro que ocupa a pasta da agricultura, é um despreparado para o cargo, sem poder de decisão e vem falar aos nossos ouvidos que o preço do café é psicológico. Acorda para a realidade sr. Ministro.

Willes.
GERMANO DE AZEVEDO RODOLFO
GERMANO DE AZEVEDO RODOLFO

DORES DO RIO PRETO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 02/08/2013

A PRESIDENTA DILMA QUER  ERRADICAR A  CAFEICULTURA , PARA ONDE VAMOS?
Domingos Ribeiro de Andrade
DOMINGOS RIBEIRO DE ANDRADE

BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 01/08/2013

Concordo com as opinioes acima e acrescento dizendo que o governo deveria reunir com os importadores de cafe para definir o futuro do arabica, pois de oito meses para ca o cafe de qualidade perdeu valor. Se o consumidor nao liga mais para qualidade de que adianta produzirmos arabica.
Fernando Barbosa
FERNANDO BARBOSA

SÃO PEDRO DA UNIÃO - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 01/08/2013

É lamentável não ter uma politica de Sustentabilidade para a Cafeicultura, a cada dia  que passa está sendo como se fosse meses e nada do Governo  intervir. Acredito que é super. simples resolver esse problema. O governo pode lançar mecanismo de retirar os resíduos catados do café no mercado e pronto. Também criar um sistema de Rastreamento de cafés de montanha  que emprega e pronto.
joão carlos remédio
JOÃO CARLOS REMÉDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 01/08/2013

Concordo com o Sr Jonas Torres, só que erradicar apenas 10% das lavouras ainda é pouco para baixar significativamente a produção, a ponto de os preços se tornarem remuneradores. Há tempo eu venho pedindo um plano governamental para reduzir as lavouras em produção e a criação de mecanismos para impedir novos plantios.

A cafeicultura atravessa, talvez, a pior crise de sua história e a letargia governamental em se tomar algum medida, deixa os cafeicultores mais desesperados. O ano está tão ruim que até com ocorrência de geadas, os preços baixaram e essa queda parece nunca ter fim.

A seguir como está, a quebradeira na cafeicultura será certa. Todos os que vivem exclusivamente do café não terão como arcarem com os seus compromissos, então, o fim parece estar cada dia mais perto. Pena que por uma morte lenta e sem nenhum alívio para todo este sofrimento!
daniel renno sampaio
DANIEL RENNO SAMPAIO

SANTA RITA DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 01/08/2013

PERFEITAMENTE SR. JONAS TORRES.
Jonas Torres
JONAS TORRES

ALFENAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 01/08/2013

Perfeito quando disse que é uma morte lenta. Poderíamos mudar isso com um programa auxiliado pelo governo para se retirar 10% das lavouras, é a unica maneira de evitar a morte lenta e dolorosa. Não vejo problemas nos EUA, os números la mostram que isso já é coisa do passado.



Bolsas americanas em máxima histórica, crescimento acima das expectativas, emprego crescendo a passos largos. Ja falamos isso faz muito tempo, ou diminuímos rapidamente a produção ou a morte será lenta. Até concordo com programas de ajuda, mas são medidas paliativas.



O Brasil abastece o mundo com os centrais e colombia em crise de produção, imaginem se eles recuperarem sua capacidade produtiva? Com todo este cenário ainda cresce nossos estoques internos. Até quando vamos tapar o sol com a peneira??