FAEMG: Falta de ação governamental desencadeou crise do café
Os prejuízos assustam os cafeicultores mineiros, responsáveis por cerca de 50% da produção nacional. Para o diretor da FAEMG e presidente da Comissão Estadual do Café de Minas Gerais, Breno Mesquita, a falta de ação do governo foi preponderante para esse atual cenário. Ele também avalia quais medidas devem ser tomadas no intuito de salvar o produtor. Confira a entrevista.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Qual fator o senhor acredita ter sido preponderante para essa atual crise do café?
Acredito que o fator primordial é que em 2012 a produção brasileira foi de ciclo alto, e como vínhamos de quase dois anos com preços remuneradores, o produtor investiu mais na atividade, e a safra deste ano, que é de ciclo baixo, não foi tão menor como em anos anteriores. Desde setembro do ano passado, discutimos com o governo essa preocupação. Como há essa bianuidade, ou seja, ano com safra alta, ano com safra baixa, e a deste ano seria menos acentuada, nós precisaríamos buscar mecanismos, que já existem, para que o café não chegasse ao ponto que chegou. Nós sabíamos que o mercado reage assim, que é extremamente especulativo. Estão especulando uma safra brasileira, tida como boa, como se ela fosse extraordinária. É normal esse movimento, o que nós queríamos e chamamos o governo para isso, era que no momento que iniciássemos essa colheita, nós já tivéssemos disponibilizado instrumentos para que os efeitos dessa especulação fossem neutralizados. Até agora, nada aconteceu, não saíram os recursos para o setor. Era uma coisa previsível, mas infelizmente as demandas não foram atendidas no tempo necessário.
Essa inércia do governo para atender as demandas dos cafeicultores, pode ocasionar uma debandada do setor para outras áreas agrícolas?
O café é uma cultura perene. Diferente do milho, do trigo, que se não der o resultado bom em um ano, você deixa de plantar. O café quando você planta, é difícil arrancá-lo, além de ser muito caro e antieconômico. Então não dá simplesmente para você largar, é uma morte lenta. Isso é o que nós queremos evitar. Infelizmente, se o produtor deixar de fazer o que deve na lavoura, a produtividade despenca. Se hoje amargamos um prejuízo de mais de R$ 100 por saca, sem os tratos culturais isso vai aumentar ainda mais. É uma situação muito complicada. Temos que fazer rapidamente as ações necessárias para evitar isso, ainda faltam 75% do café para ser colhido, se conseguirmos reverter essa situação em um curtíssimo espaço de tempo, salvaremos muitos cafeicultores.
Mas o senhor crê na boa vontade do governo para isso?
Olha a primeira questão é a seguinte: a cafeicultura é importante ou não para o Brasil? Não só para o cafeicultor, mas como um todo, ela é uma grande fonte geradora de emprego e recursos para alguns municípios. Se o café vai mal, o município também. Então o problema não é só do cafeicultor, é municipal. Tudo leva a crer que ainda é um setor extremamente importante e vital. Sendo assim, temos que cobrar para que as coisas que já deveriam ter acontecido, aconteçam. Temos conversado praticamente todos os dias com ministérios que são responsáveis pelo setor (Agricultura e Fazenda) e o que percebemos é que eles estão trabalhando para uma solução. Não posso garantir que vão resolver amanhã ou depois, mas não está faltando pressão por parte dos setores de produção na confecção de um programa que ajude o produtor.
Essa situação já tem afetado as exportações?
Hoje as exportações estão fluindo. Não como no ano passado que teve um ciclo alto. Quando o preço está competitivo, o produtor solta, comercializa, mas quando ele está mais baixo, segura. O que está faltando é recurso para o produtor segurar e esperar o melhor momento.
Quando se fala em crise do café no Brasil, historicamente nos remetemos a grande crise de 1929, no chamado “crack da bolsa de Nova Iorque”. O senhor vê semelhanças entre as situações?
Não, são situações completamente distintas. Hoje, nós temos um problema nos EUA, na comunidade europeia, mas em contrapartida, abrimos frente no Leste Europeu, que cresce bastante, nos países emergentes também. Ou seja, o café tem crescido a taxas histórias de 1 a 1,5% ao ano. O consumo não caiu no mundo. O maior problema é a especulação, falta política do setor para evitar os malefícios disso. Acreditamos que se o governo fizer os programas, temos a certeza que viveremos dias melhores. É preciso rapidez, pois a colheita não espera.
Publicado por:
CaféPoint
O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!
Deixe sua opinião!

BARRA DA ESTIVA - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 06/08/2013

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 05/08/2013
Saiba Sr. Ministro que os custos não são psicológicos e nem os prejuízos, quando eles ocorrem, como agora está ocorrendo, não tem outra forma, eles vão para o passivo aumentando o endividamento que ja não é pequeno ou temos que abrir mão de outros ativos para fazer face aos prejuízos, isso não é psicológico não, isso é real.

FUNDÃO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 02/08/2013

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 02/08/2013
Faço uma comparação muito simples, mais real : ( Cafeicultura e um paciente terminal com cancer ) morte lenta e o médico ( governo ) nada faz, porque o ministro que ocupa a pasta da agricultura, é um despreparado para o cargo, sem poder de decisão e vem falar aos nossos ouvidos que o preço do café é psicológico. Acorda para a realidade sr. Ministro.
Willes.

DORES DO RIO PRETO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 02/08/2013

BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 01/08/2013
SÃO PEDRO DA UNIÃO - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS
EM 01/08/2013

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 01/08/2013
A cafeicultura atravessa, talvez, a pior crise de sua história e a letargia governamental em se tomar algum medida, deixa os cafeicultores mais desesperados. O ano está tão ruim que até com ocorrência de geadas, os preços baixaram e essa queda parece nunca ter fim.
A seguir como está, a quebradeira na cafeicultura será certa. Todos os que vivem exclusivamente do café não terão como arcarem com os seus compromissos, então, o fim parece estar cada dia mais perto. Pena que por uma morte lenta e sem nenhum alívio para todo este sofrimento!
SANTA RITA DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 01/08/2013

ALFENAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 01/08/2013
Bolsas americanas em máxima histórica, crescimento acima das expectativas, emprego crescendo a passos largos. Ja falamos isso faz muito tempo, ou diminuímos rapidamente a produção ou a morte será lenta. Até concordo com programas de ajuda, mas são medidas paliativas.
O Brasil abastece o mundo com os centrais e colombia em crise de produção, imaginem se eles recuperarem sua capacidade produtiva? Com todo este cenário ainda cresce nossos estoques internos. Até quando vamos tapar o sol com a peneira??