A exportação brasileira de café deve apresentar recuo em receita cambial em 2009, em comparação com o recorde de US$ 4,5 bilhões alcançado em 2008. O volume embarcado acompanhará o desempenho em receita. A exportação de 28,5 milhões a 29 milhões de sacas de 60 kg em 2008, também próxima de recorde, dificilmente se repetirá em 2009, podendo ficar entre 5% e 6% abaixo, conforme avaliação do diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Guilherme Braga.
De acordo com Braga, é preciso aguardar previsões sobre a oferta de café pelo Brasil em 2009, para emitir avaliação mais ajustada. Os preços do café, no entanto, não devem repetir os resultados de 2008 e a receita cambial diminuirá. Segundo ele, o preço médio do café vinha apresentando elevação de 7% a 8% até setembro, em relação ao ano anterior.
A crise global, no entanto, derrubou os preços. A cotação internacional do café recuou de cerca de 130 cents por libra-peso até setembro, para 110 cents, correspondendo a uma baixa de 15%. Como muitos dos embarques já estavam contratados anteriormente, o recuo das cotações não foi notado em 2008, mas deverá se mostrar já no primeiro trimestre de 2009.
O diretor geral do Cecafé salienta que o volume exportado pelo Brasil em 2009 deve ser inferior ao de 2008, em virtude da menor oferta esperada. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve divulgar a primeira projeção para a safra 2009 no dia 8 de janeiro, mas é dado como certo que a produção será menor do que em 2008, por causa da bienualidade da cultura. Ele considera, no entanto, que o dólar a R$ 2,15 e R$ 2,20 pode melhorar a renda interna do setor, garantindo a competitividade do café brasileiro no exterior.
Quanto ao preço internacional do café, Braga observa que as cotações podem retomar o nível de 1,30 cents a libra-peso, valor verificado antes da crise, assim que os fundamentos do mercado voltarem a prevalecer, pois existe "um bom ajuste entre oferta e demanda". Entre outros fatores, segundo ele, é preciso que a oferta de crédito volte aos níveis normais. Braga comenta que o setor continua a enfrentar problemas na contratação de crédito por meio de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC).
Segundo ele, as linhas existem, mas o custo é elevado e os bancos tendem a disponibilizar menos do que o volume demandado. Estima-se que, em média, as taxas subiram de cerca de 3% para 7% a 8% para empresas exportadoras tradicionais, com demanda por volumes significativos. Pequenas empresas pagam juros de até 18% ante 12% a 14% antes da crise. Os prazos, no entanto, continuam dentro do normal para o setor, que é de 180 dias. "Os exportadores tiveram de se adaptar a essa nova realidade", diz Braga.
Ele pondera que a crise ainda não trouxe maiores reflexos para o mercado de café, além dos problemas de crédito e câmbio. "No exterior não se vê uma redução do mercado", salienta. No entanto, o aumento do desemprego e a recessão certamente trarão outros impactos. "Mas o café deve ser um dos últimos a ser afetado pela crise, por causa do baixo valor e por estar integrado à dieta", avalia. As informações são da Agência Estado.
Exportação não deve repetir desempenho de 2008
A exportação brasileira de café deve apresentar recuo em receita cambial em 2009, em comparação com o recorde de US$ 4,5 bilhões alcançado em 2008. O volume embarcado acompanhará o desempenho em receita. A exportação de 28,5 milhões a 29 milhões de sacas de 60 kg em 2008, também próxima de recorde, dificilmente se repetirá em 2009, podendo ficar entre 5% e 6% abaixo, conforme avaliação do diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Guilherme Braga.
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