Estoques insuficientes, mas com preços "comportados"
Segundo dados da Conab, o Brasil deve produzir entre 41,3 e 44,2 milhões de sacas de 60 quilos nesta safra (média de 42,75 milhões), quase 3 milhões a menos que a demanda estimada, que chega a 45,6 milhões de sacas. O problema é a falta de estoques. Segundo Luiz Hafers, diretor do Departamento de Café da Sociedade Rural Brasileira, pela primeira vez, o mercado vai trabalhar sem produto administrado pelo governo. No segundo semestre não haverá leilões governamentais para as indústrias obterem matéria-prima. Gilson Ximenes diz que certas referências "precisam ser quebradas". Enquanto outras commodities batem recordes, os preços do café seguem num ritmo bem comportado. "O valor da saca sempre correspondeu ao salário mínimo (hoje em R$ 380)", afirma.
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Gilson Ximenes, presidente do CNC (Conselho Nacional do Café), diz que a próxima estimativa de safra da Conab, com divulgação programada para abril, pode trazer um quadro ainda mais apertado. Para ele, a estiagem do semestre passado foi muito prolongada. As chuvas deste começo de ano talvez não tenham compensado o "déficit hídrico" anterior.
Para a nova safra o "carryover" (estoques de passagem) é suficiente para cobrir o déficit de 2,9 milhões de sacas, uma vez que soma 7,8 milhões. "Isso representa aproximadamente dois meses das necessidades do mercado", disse o diretor executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), Nathan Herszkowicz.
Já os estoques iniciais da colheita deste ano, segundo a Conab, devem encolher 55,8% em relação a igual período de 2007. Com uma "novidade histórica", segundo Luiz Hafers, diretor do Departamento de Café da Sociedade Rural Brasileira, pela primeira vez, o mercado vai trabalhar sem produto administrado pelo governo. O Ministério da Agricultura anunciou que vai manter a rotina de leiloar 100 mil sacas por mês. No começo do ano havia 652 mil armazenadas. No segundo semestre, portanto, não haverá essa opção para as indústrias obterem matéria-prima.
Em relação aos preços praticados, Herszkowicz diz que o mercado deve trabalhar na nova safra no patamar em que está, em torno de R$ 260 a saca para a variedade arábica - de melhor qualidade - e a R$ 200 para o conilon, semelhante ao robusta africano.
Gilson Ximenes diz que certas referências "precisam ser quebradas". Enquanto outras commodities batem recordes, os preços do café seguem num ritmo bem comportado. "O valor da saca sempre correspondeu ao salário mínimo (hoje em R$ 380)", afirma.
O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Bertone, diz que o ministério trabalha por uma política de ordenamento da safra nova, com financiamentos para todos os setores -produção, comércio e indústria. Segundo ele, o objetivo é tentar os R$ 300 para a saca do arábica, a fim de não haver risco ao manejo dos cafezais.
Além disso, o secretário disse que os desdobramentos da crise econômica nos EUA, maior consumidor mundial de café, também podem trazer repercussões. "Se houver restrição de demanda e manutenção da taxa de câmbio, a renda cai em reais. A economia dos Estados Unidos preocupa sim", diz o secretário.
Para Mauro Malta, diretor executivo da Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel), a crise nos EUA não deve derrubar a procura, mas pode interferir no que chama de "elasticidade dos preços".
As informações são de Gitânio Fortes, da Agrofolha.
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