No trabalho realizado, considerou-se apenas a renda agrícola, que é calculada através da multiplicação do volume de produção da safra pelo valor dos preços recebidos por produtores nas principais praças do país. Entretanto, não foi avaliada a rentabilidade do setor, índice que leva em consideração a renda deduzida dos custos de produção.
O aumento de produção que proporcionou o incremento na renda dos produtores de café em 48%, conforme apontado no estudo da AGE/MAPA, não tem como causa a melhoria de preços, mas sim a bienalidade positiva da produção neste ano, uma vez que o café é uma cultura perene, alternando um ano de safra alta seguido por outro de colheita com menor volume.
Ao avaliarmos a evolução dos preços versus os custos de produção do setor café, verificaremos que a rentabilidade é negativa. Isto é, os custos totais dos produtores superam sua renda, fato que têm levado o setor a operar com prejuízo. Levantamento recente realizado pela Sociedade Rural Brasileira ilustra esta situação:

Diante disso, sugerimos que o setor do Ministério da Agricultura responsável pelo acompanhamento da renda agrícola não se detenha apenas na evolução dos preços e da produção, acrescendo, neste levantamento, a análise dos custos, o que permitirá uma real verificação da situação econômica do setor, não correndo, dessa maneira, o risco de se passar à sociedade uma imagem distorcida da situação do produtor rural brasileiro.
Gilson Ximenes
Presidente
O cafeicultor Gilson Ximenes preside pela quarta vez o Conselho Nacional do Café. Mineiro de Três Pontas, comandou a entidade entre 1995 e 2001, por três mandatos consecutivos. Primeiro diretor do Departamento Nacional do Café durante a gestão do ministro da Indústria e Comércio, Andrade Vieira, atualmente Ximenes é diretor de produção da Unicoop (União Cooperativa Agropecuarista Sul de Minas), em Três Pontas (MG). O cafeicultor presidiu também a Cocatrel (Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas) e a própria Unicoop, ambas associadas ao CNC.