A ausência de chuva, que persiste desde o final do ano passado, tem afetado de maneira drástica a produção nas lavouras. Foram registradas quedas de até 30% nos cultivos de café, principalmente do tipo Conilon, e de 15% na produção de leite.
Segundo dados do Incaper, os meses de novembro e janeiro são normalmente de bastante chuva, o que não ocorreu este ano. Para as plantações de café, as chuvas de verão são essenciais para a qualidade do produto, que nesse período se encontra na fase de enchimento dos grãos. O mesmo prejuízo ocorre nas pastagens que quando reduzidas afetam a produção do gado leiteiro.
O cafeicultor Inácio Briorchi teve queda de 25% na produção, que abrange uma área de 90 hectares. “Para mim a seca foi ainda mais devastadora, pois não uso sistema de irrigação na propriedade. Ano passado tive uma colheita de 3,2 mil sacas de café, neste ano terei sorte se conseguir mais de 2 mil”, lamenta.
Em Jaguaré, até mesmo propriedades com sistema de irrigação sofreram com a forte seca. Além da falta de chuva, há quatro anos produtores reivindicam ao Idaf e outros órgãos competentes a construção de uma barragem para armazenamento de água, porém o pedido ainda não foi atendido. “Há dez anos tenho 20 hectares de propriedade irrigados. Na última semana tivemos uma boa precipitação, mas a ausência de barragem não nos permitiu armazenar essa água para as irrigações. Com isso, perdi quase 30% da minha produção, sendo que a perda seria nula se houvesse barragem”, conta o produtor Antonio Sebastião Zuqui.
No rebanho leiteiro capixaba, a falta de chuvas afetou, principalmente, a alimentação do gado. Além de secar as pastagens, o forte calor leva os animais a passarem mais tempo em regiões de sombra, afastadas do pasto. Somado a isso, houve aumento nos custos de produção da atividade. O alimento do gado está mais caro, devido, sobretudo, à queda da safra de milho e soja nos Estados Unidos.
Política
Em 14 de janeiro foi sancionada a nova Política Nacional de Irrigação, que busca incentivar a ampliação da área irrigada no país, aumentando a produtividade de forma sustentável e reduzindo os riscos climáticos para a agropecuária. A partir da decisão, projetos públicos e privados de irrigação poderão receber incentivos fiscais, especialmente nas regiões com os menores indicadores de desenvolvimento social e nas consideradas prioritárias para o desenvolvimento regional.
As informações são da FAES e do SENAR-ES
Espírito Santo: estiagem afeta produtividade da agropecuária no Estado
Com mais de vinte dias sem chuva, produtores rurais registram perdas na produção de café e leite, que chegam a 30% e 15%, respectivamente
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