Celso Oliveira, meteorologista da Somar: Prezada Elenice,
Olhei as previsões apresentadas desde janeiro até julho e sou obrigado a concordar que a previsão errou nos últimos meses em Montanha, no norte do Espírito Santo. Até abril, quando foram registradas precipitações acima da média, as previsões foram razoáveis. Mas a partir daí, houve estiagem não prognosticada pela simulação. Apesar de indesejável, o erro em um momento de transição de uma La Niña para um El Niño, infelizmente, é comum. E a explicação está justamente na variação da temperatura do Oceano Pacífico (retorno do El Niño), algo que as simulações não identificam com precisão. A elevação da temperatura gera bloqueios atmosféricos, que estacionam as frentes frias sobre uma determinada região do país. Isto aconteceu nos últimos meses entre São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul e, quem ficou a norte deste bloqueio (caso de Montanha), passou por uma condição tropical, com sol e calor.
A temperatura continua subindo e as simulações ainda estão bastante voláteis. Quem acompanha mensalmente as tabelas, deve ter percebido que em algumas cidades, as mudanças foram significativas. Diante disso, ainda não é possível afirmarmos categoricamente que choverá muito na região em novembro. Entretanto, todas as simulações (e não apenas a tabela) indicam que realmente choverá mais e, normalmente (climatologicamente), primaveras com Niños fazem com que a chuva retorne antes do tempo. Só que no verão, esta mesma chuva corta abruptamente.
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