ES: Produtores trocam café por eucalipto

A procura por madeira e os elevados custos de produção do café estão levando os cafeicultores do Espírito Santo a erradicarem suas lavouras nas regiões serranas para plantar eucalipto.

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A procura por madeira e os elevados custos de produção do café estão levando os cafeicultores do Espírito Santo a erradicarem suas lavouras nas regiões serranas para plantar eucalipto.

Segundo o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Venda Nova do Imigrante, Evair Vieira de Melo, a área de café arábica, que ocupava 240 mil hectares em todo o estado há oito anos, hoje fica em 220 mil hectares. Uma fatia de 20 mil hectares foi substituída por eucalipto, que já ocupa uma área de 50 mil hectares na região, informou Viviane Monteiro, da Gazeta Mercantil.

A ocupação de área por eucalipto visa substituir cafezais improdutivos e garantir renda, segundo o presidente da Cooperativa dos Cafeicultores das Montanhas do Espírito Santo (Pronova), Pedro Carnielli.

Conforme Vieira de Mello, os produtores de eucalipto ganham por ano R$ 1 mil por hectare vendido para serraria. Já a remuneração do produto destinado à indústria de papel e celulose varia entre R$ 500 a R$ 600 por hectare.

Carnielli acredita que a tendência é aumentar ainda mais a área plantada de eucalipto, enquanto que a produção de café deve crescer graças à produtividade, pois o cafeicultor está investindo muito em tecnologia para elevar a qualidade do produto.

Mas Vieira de Melo acredita que a área de eucalipto em relação a do café não deve superar 10% ou 15%. "Os cafeicultores só plantarão eucalipto nas áreas (altas) de difícil acesso para o café", considerou o secretário.

Frederico Daher, superintendente do Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café -CETCAF, concorda com Vieira de Melo. "O eucalipto está entrando nas áreas marginais do café. O cafeicultor está colocando eucalipto com sucesso nas áreas inaptas para o café, como uma alternativa de renda'', diz.

A estimativa é que os cafeicultores capixabas da região serrana tenham redução de 30% na produção da safra 2006/07 (colhendo em torno de 2,4 milhões de sacas) em relação as estimativas iniciais que previam 3 milhões de sacas. Mas a nova safra ainda deverá ficar maior que a do ano passado (estimada em 2 milhões de sacas), quando deveria ter sido maior (30%) por conta da bianualidade alta, mas foi reduzida pelos problemas climáticos.

Segundo o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Venda Nova, 20% da florada foi perdida por ataque de phoma, devido ao clima frio e chuvoso em meados de outubro, nas regiões mais altas.
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