Com o objetivo de verificar as possibilidades da reabertura da negociação dos contratos de café conilon no mercado de futuros agrícolas, a Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag/ES) iniciou conversações com os executivos da Bolsa B3, em São Paulo.
Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
O secretário de Agricultura do Espírito Santo, Octaciano Neto, encaminhou um ofício ao Conselho Nacional do Café (CNC) pedindo apoio para a consolidação do projeto, uma vez que, para ele, apesar do estado ter expertise nas áreas produtivas e de qualidade na produção de café conilon, falta expertise de mercado.
A reabertura dos contratos futuros do café conilon na Bolsa dará condição ao produtor de vislumbrar as tendências dos preços e, principalmente, ter a isonomia de tratamento e possibilidades mercadológicas já existentes na soja, no milho, no boi gordo e no café arábica. De acordo com o gerente de agroecologia e produção vegetal da Seag/ES, Marcus Magalhães, "não podemos deixar o café conilon fora dos mercados futuros. O que queremos dar aos produtores é a chance de acessar um mecanismo de proteção de preço utilizado globalmente”, disse.
Após a solicitação à B3, a Seag/ES buscou o apoio dos setores do mercado do café, tanto produtores quanto compradores, e, agora, será elaborado um plano de negócio junto à Bolsa para estudar a viabilidade da reabertura dos contratos futuros. Em nota, o presidente da Organização das Cooperativas do Espírito Santo (OCB/ES), Esthério Colnago, avaliou que a reabertura aos contratos futuros dará transparência ao mercado do conilon.
“Hoje o mercado se baseia na Bolsa de Londres e, com essa reabertura, passará ser na Bolsa de São Paulo. A principal vantagem é a transparência, pois todos saberão o preço e a disponibilidade do café no mercado. O conilon tem produtividade e qualidade, mas falta ainda informação. Com o conhecimento ficará mais fácil a tomada de decisões”, avaliou.
Já o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), Jorge Nicchio, afirmou que a Bolsa é um parâmetro para o cafeicultor negociar seu produto e uma oportunidade para que ele garanta um bom preço. "Sem dúvida o que define a necessidade dessa reabertura é o crescimento da importância do café conilon em nível mundial, nos últimos anos. Somos o segundo país maior produtor de conilon do mundo e também o segundo maior consumidor de café do mundo. O conilon ocupava cerca de 25% do mercado de café em meados de 1980, e a previsão é que até 2020 esse número chegue a 45%, ou seja, ele possui um destaque muito maior do que há 30 anos".