Equador: projeto desenvolve novos clones de robusta

Buscando posicionar-se novamente como produtor mundial de café robusta, variedade que atualmente apresenta déficit de produção, o Equador pretende investir US$ 100.000 em projeto financiado pela Cofenac e Dublinsa para renovar os cafezais e incrementar 50.000 hectares da variedade. A idéia é abastecer a indústria local e satisfazer a demanda internacional.

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Buscando posicionar-se novamente como produtor mundial de café robusta, variedade que atualmente apresenta déficit de produção, o Equador pretende investir US$ 100.000 em projeto financiado pela Cofenac e Dublinsa para renovar os cafezais e incrementar 50.000 hectares da variedade. A idéia é abastecer a indústria local e satisfazer a demanda internacional.

Na fazenda Denise, em Isidro Ayora, desenvolve-se o primeiro Centro Experimental de Café Robusta, criado em junho de 2007, em convênio com o Conselho Cafeeiro Nacional (Cofenac) e a empresa Dublinsa. Ali são realizadas experiências com 33 clones para obter o melhor café para a semeadura da variedade robusta.

Luís Duicela, diretor técnico da Cofenac, conta que esses clones são uma boa alternativa de produção. "Esta planta é de polinização cruzada, e, portanto, necessita de outras para fecundação". No momento, cinco dos 33 clones terão suas primeiras colheitas nos próximos meses. As plantas são originárias do Oriente, onde existe um clima tropical úmido. Segundo Luís, elas foram adaptadas a uma zona mais seca para evitar pragas.

Freddy Bustamante, presidente da Dublinsa, assinala que a meta da indústria é produzir em dois anos até 150.000 hectares anuais. "Nós podemos produzir até um milhão, o que está bem além do que fazemos hoje". A Cofenac resolveu, em dezembro de 2006, renovar os cafezais da variedade robusta e o resultado disso foi a criação em 2007 do Centro Experimental em Isidro Ayora.

Segundo notícia do Centro de Inteligência do Café, com base no elcomercio.com, a produção de café do Equador diminuiu mais da metade nos últimos treze anos. Em 1995, havia 530.000 hectares, agora há 220.000 hectares.
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Leopoldino Figueiredo Júnior
LEOPOLDINO FIGUEIREDO JÚNIOR

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 18/07/2008

Quem começou estas mudanças na cafeicultura do Equador fui eu, a convite da empresa Elcafé, em 2005, e à revelia do agrônomo citado pela reportagem, que dizia não ser possível plantar café sem sombra, nem seria viável o espaçamento 3m x 1m para robusta.

Na primeira apresentação que fiz na sala de reuniões da indústria Elcafé, mostrando fotos tiradas em lavouras aqui do ES, a reação dos representantes dos órgãos públicos equatorianos foi de desconfiança, de que as fotos seriam "montagem" de computador, tamanho assombro diante de tanta produtividade.

Na segunda e terceira vezes que estive por lá, a convite da Ard-pronorte, uma empresa americana que desenvolve projetos no terceiro mundo com verbas da USAID, fui com alguns desses agrônomos à Amazônia Oriental, em visita a pequenos cafeicultores indígenas.

Lá, identifiquei plantas com potencial para serem matrizes clonais, inclusive encontrei plantas de conilon perdidas em lavouras na floresta, que segundo produtores, foram plantadas com sementes vindas do Brasil há mais de 40 anos.

O INIAP, Instituto de Pesquisas, possuía um jardim clonal abandonado, com 7 clones já testados, que foi reativado por minha insistência. Na Primeira Conferência Nacional de Café no Equador, em abril, durante minha palestra, perguntei onde estavam os responsáveis pela cafeicultura equatoriana durante esses últimos 20 anos em que deixaram os produtores à própria sorte.

Na verdade, os atuais clones foram selecionados por mim, e não foram "adaptados a uma zona mais seca para evitar pragas", porque eu disse, apesar de duvidarem, que podiam ser plantados em Guayas sem problemas, como de fato aconteceu.

Gostaria de utilizar desse meio para externar minha revolta em ver o cinismo e a cara de pau desses senhores que tanto prejudicaram os cafeicultores de um país inteiro durante tanto tempo, insistindo em técnicas obsoletas e negando a aceitar mudanças, que agora aparecem como atores principais dessa transformação, sem nem ao menos reconhecerem o meu nome, já que por eles tudo teria se mantido como estava.

Semana passada, a trabalho no México, conversando com um equatoriano que testemunhou todo o processo, ele me dizia, revoltado, que na primeira oportunidade, estando no Equador, vai falar da nossa indignação à imprensa.

Oxalá!