O modelo de uma biofábrica e os primeiros resultados obtidos na pesquisa que identificou um tipo de fungo utilizável no controle de microorganismos prejudiciais ao café serão apresentados em Lisboa, Portugal, entre os dias 2 e 4 de dezembro, na Biomicroworld 2009, Conferência Internacional Sobre Microbiologia Ambiental, Industrial e Aplicada que, nesta edição, aborda aplicações microbiológicas em diversas áreas, como a agricultura, medicina, ciências de alimentos e outras.
O trabalho é de autoria da pesquisadora Sara Maria Chalfoun, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), em parceria com o professor Carlos José Pimenta (Universidade Federal de Lavras -UFLA) e Marcelo Cláudio Pereira, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).
Fruto de mais de 20 anos de pesquisa, a invenção teve patente depositada em 2004 e está disponível como uma tecnologia em fase de transferência, à espera de alguma empresa que adquira o direito de exploração, mediante pagamento de royalties para as instituições criadoras. A tecnologia, segundo Sara Chalfoun, se refere a métodos de preservação do Cladosporium cladosporioides, já apelidado de "fungo do bem", para sua utilização no campo como agente bioprotetor, além de permitir o uso na produção industrial de enzimas, utilizadas em diferentes processos de proteção da qualidade do café.
"Foi a partir de inúmeros trabalhos realizados com o objetivo de identificar e controlar fungos que prejudicam a qualidade do café que descobrimos que um deles não era prejudicial. Ao contrário, ele se destacava por estar sempre associado a bebidas de qualidade", historia a pesquisadora Sara. Foi quando teve início a utilização do agente biológico de forma que, associado aos frutos e grãos de café, atuasse como bioprotetor contra fungos que possuem ação danosa sobre a qualidade e segurança do café. "Os fungos podem influenciar a qualidade do café produzindo metabólicos tóxicos ao homem ou agindo sobre os grãos, influenciando seu sabor, cor e odor", detalha a pesquisadora, acrescentando que a tecnologia permite otimizar o manejo das lavouras no sentido de preservar ou introduzir o agente protetor, permitindo que pelo menos um terço dos frutos presentes nos cafeeiros e que secam na planta antes da colheita não sejam comprometidos por estes fungos prejudiciais.
"Ele pode ser uma ferramenta única, segura e capaz de substituir o uso de produtos químicos que têm um apelo extremamente negativo", explica a pesquisadora.
Para Chalfoun, a tendência é a redução cada vez maior do uso de fungicidas sintéticos, o que vem ao encontro de relevantes preocupações com a saúde e com o meio ambiente. "Como a biodiversidade é muito grande, isso prova de que podemos aproveitar estes microorganismos", continua a pesquisadora, que considera a descoberta um marco para futuras aplicações de microorganismos como parte de processos e produtos que vão auxiliar na agroindústria e na agricultura em geral.
Biofábrica
A biofábrica foi desenvolvida para a manipulação e seleção do fungo. "Sua função é gerar produtos inovadores para aplicação na agricultura e indústria de produtos alimentícios", informa a pesquisadora, que espera que este projeto funcione também como vitrine. "É um movimento contagiante", assegura, enquanto comenta que a equipe já está sendo procurada por profissionais interessados em copiar o modelo.
O projeto de pesquisa foi inserido no Programa de Incentivo à Inovação na UFLA (PII) e contou com a assessoria do Instituto Inovação, ligado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O PII, por sua vez, foi criado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em parceria com o Sebrae, com a missão de promover a transferência do conhecimento em valor econômico, atuando como instrumento para transformação de projetos de pesquisa aplicada em inovações tecnológicas.
Na avaliação da pesquisadora Sara Chalfoun, o país vivencia um movimento de inovação tecnológica com a tendência dos governos de distinguir projetos inovadores, o que é motivo de comemoração. "Sinto que acordaram para a necessidade de desenvolvermos tecnologias ao invés de comprá-las a altos preços, como vem sendo feito até hoje", destaca. "Para nós é um caminho novo, mas que vale à pena", assegura.
As informações são da ASCOM EPAMIG/ URESM, resumidas e adaptada pela Equipe CaféPoint.
EPAMIG e UFLA: pesquisa identifica ´fungo do bem´
O modelo de uma biofábrica e os primeiros resultados obtidos na pesquisa que identificou um tipo de fungo utilizável no controle de microorganismos prejudiciais ao café serão apresentados em Lisboa, Portugal, entre os dias 2 e 4 de dezembro, na Biomicroworld 2009, Conferência Internacional Sobre Microbiologia Ambiental, Industrial e Aplicada que, nesta edição, aborda aplicações microbiológicas em diversas áreas, como a agricultura, medicina, ciências de alimentos e outras.
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