Entidades aguardam renegociação de dívidas dos produtores capixabas

Carta assinada por representantes da Faes, Fetaes, OCB/ES e Unicafes foi enviada ao Mapa em novembro de 2015. Pedido segue em análise no Ministério da Fazenda.

Publicado em: - 2 minutos de leitura

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Por Thais Fernandes

No mês de novembro de 2015, entidades do setor rural do Espírito Santo se reuniram para pedir a renegociação das dívidas dos produtores do estado ao governo federal. O encontro resultou na assinatura da carta sobre a “Crise Hídrica e Renegociação das Dívidas dos Agricultores do ES”, que buscava discutir a dívida do setor contabilizada em créditos agrícolas, alegando que os prejuízos do agronegócio com a crise hídrica e econômica impossibilitavam o pagamento dos débitos.

Na época, o CaféPoint mostrou a situação das lavouras do Estado na reportagem Seca no Espírito Santo: cafeicultores podem perder parte de suas lavouras, que mostrou como cafeicultores conviviam com a seca severa.

Fruto verde em cafezal capixaba no mês de novembro de 2015 // Foto: Thais Fernandes / Café Editora
Fruto verde em cafezal capixaba afetado pela seca, no mês de novembro de 2015 // Foto: Thais Fernandes / Café Editora


No texto da carta, as entidades capixabas pedem “Prorrogação, em até 10 anos, das parcelas de crédito rural vencidas em 2015 e 2016, em todo território estadual, para todas as linhas, as modalidades de aplicação e as atividades agropecuárias, desde que oriundas de recursos públicos, com a possibilidade de anistia parcial, quando couber”. Além desta, outras 11 medidas são propostas no documento assinado por representantes da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes), Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Espírito Santo (Fetaes), da Organização das Cooperativas Brasileiras do Estado do Espírito Santo (OCB/ES) e da União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária do ES (Unicafes), além de deputados e deputadas estaduais.

A iniciativa, no entanto, ainda não chegou ao objetivo da prorrogação. “Houve várias reuniões em nível estadual, onde a SEAG construiu um documento oficial e apresentou em Brasília, até então haviam conseguido inserir a prorrogação integral no orçamento do governo federal, no entanto o mesmo não possui recursos financeiros para tal”, afirma o analista de Mercado do Sistema OCB-Sescoop/ES, Alexandre Ferreira.

O Ministério da Agricultura (Mapa) informou ao CaféPoint que a negociação está sendo realizada com o Ministério da Fazenda e que o secretário de Política Agrícola do Mapa, André Nassar, tem feito reuniões para discutir o tema. No final de dezembro passado, o governo federal prorrogou por um ano o pagamento das dívidas dos produtores rurais da região da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que abrange alguns municípios do Espírito Santo. A medida suspendeu até 31 de dezembro deste ano a cobrança das operações de crédito. Confira o texto da Medida Provisória No - 707, de 30 de dezembro de 2015.

Contudo, segundo a OCB/ES, a medida não é suficiente para o caso dos produtores capixabas. “O governo prorrogou por um ano com uma condicionante quase impraticável, o produtor teria que realizar o pagamento de 20% do montante total, deixando muitos produtores sem condições de renegociação. Muitos não terão condições de financiar novamente suas atividades”, argumenta Ferreira, que completa sobre o risco para os produtores, caso não consigam renegociar suas dívidas: “Prático e simples: o produtor que já está endividado não terá condições de tocar sua lavoura”.
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macnairlopes
MACNAIRLOPES

COLATINA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 22/03/2016

Boa tarde e pena que não podemos contar com o mínimo do governo todos os produtores com quem converso estão na mesma situação não tem como pagar os financiamentos e comprar insumos para as lavouras o pior é que o nome vai para a lista do spc tem como piorar mais acho que não
mario dimas sperandio
MARIO DIMAS SPERANDIO

ITAGUAÇÚ - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 22/03/2016

È muito dificil ter uma perspectiva de futuro em virtude das dificuldades que passamos, nós, agricultores capixabas: crise hidrica,  inoperançia dos governos em todas esferas, endividamentos, sem crédito, um sentimento total de abandono e descaso com quem contribui  para segurança alimentar da nação, com custos de produção elevados e a alta estima em baixa oque provavelmente podera acarretar a situações de descontrole emocional com prejuizos maiores para as familias e a sociedade capixaba
Sergio soares da silva
SERGIO SOARES DA SILVA

SANTA TEREZA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 22/03/2016

Infelizmente estamos passando pormuitasdificuldades e, eu mesmo não consegui comprar insumos para esta safra e não sei como fazer para honrar as dívidas talvez o único jeito seja vender a propriedade é assim pagar; mas o que reserva o futuro para minha família? Triste pois vemos no cenário político tantas obras inacabadas e abandonadas e nós simplesmente que produtores apenas um prazo maior é uma carência para pagarmos e podermos trabalhar tranquilo e com dignidade.