Ensei Neto: características territoriais criam nova classe de produtos
O leitor do CaféPoint Sérgio Parreiras Pereira, Pesquisador Cientifico do IAC - Centro de Café e Mediador da Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira no PEABIRUS, enviou um comentário ao colaborador do CaféPoint Ensei Neto pedindo sua opinião sobre a Indicação de Procedência e a visão do mercado em relação a isso. Ensei comenta que buscar por uma identidade territorial ou a Indicação de Procedência pelas origens produtoras de café se torna crucial para ter um lugar ao sol com destaque.
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Publicado em: - 2 minutos de leitura
Sérgio Pereira: Prezado amigo Ensei Neto, parece que a maioria das regiões e micro-regiões de café do Brasil estão partindo para Indicação de Procedência. Como você vê essa tendência e como o mercado internacional deverá receber essa nova forma de comunicar com o mercado? Será que nos enxergarão como um país de muitos sabores? Saudações Cafeeiras...
Ensei Neto: Prezado Sérgio, como você bem sabe, o café (a bebida) é um típico produto de "Terroir", palavra francesa que significa "território" e que, em sua essência, relaciona as suas características geoclimáticas à botânica e ao manejo feito pelo homem.
Assim sendo, criar uma conexão de um produto agrícola ao seu território de produção é algo que começou há quase um século atrás, quando os portugueses criaram a Denominação de Origem para o Vinho Verde, e que teve sua maior expressão com os franceses e seus emblemáticos vinhos.
Uma das discussões clássicas para o mercado do café está justamente em como criar diferenciação, uma vez que historicamente esta semente é tratada como uma simples commodity (= mercadoria), pujante, apaixonantemente arrebatadora junto aos consumidores, porém, anda assim, uma mercadoria agrícola. Nestes últimos dez anos instaurou-se a Era das Certificações, em grande parte por uma forte demanda do varejo europeu, que pretendia ter salvaguardas em relação à originação de produtos agrícolas, principalmente aqueles frescos e, digamos, levemente industrializados. Ao mesmo tempo, movimentos com cunho ambientalista e com foco humanitário surgiram como viés alternativo, ganhando gradativamente seu espaço.
Apesar de tudo, no frigir dos ovos, algo que se bebe porque é líquido (desculpe a clássica piadinha...), causa imediata percepção e identificação sensorial, permitindo uma classificação quase que inalcançável para a grande parte dos produtos agropecuários: a classificação por qualidade sensorial. Junte-se a isso o fato de que as características territoriais podem adicionar "temperos" mágicos às bebidas de cada origem, uma nova classe de produtos está criada.
Logo, fica claro que buscar por uma identidade territorial ou a Indicação de Procedência pelas origens produtoras de café se torna crucial para ter um lugar ao sol com destaque.
Porém, dois pontos devem ser enfatizados, em minha visão: a primeira é a de que só faz sentido ter uma IP ou DO extensões territoriais relativamente pequenas, dada a mutabilidade do clima; a segunda, a de que um programa o sucesso de uma certificação dessa natureza envolve um amplo e grandioso esforço de organização e consistentes (entenda-se investimentos contínuos) campanhas de marketing promocional, para que haja o reconhecimento do mercado.
É uma poderosa ferramenta de promoção, desde que corretamente empregada, podendo beneficiar todo o território de produção e sua gente, criando o sentimento mais importante para que a atividade agrícola continue: o orgulho de produzir algo bom e reconhecido pelo mercado.
Grande abraço,
Ensei Neto.
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CAMPINAS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 02/06/2011
Mais do que respondido!!!!!
Vamos buscar as regiões e seus efeitos no café!!!!!
O genótipo e o ambiente....Somados ao SABER fazer (pós-colheita)....
Grande abraço