Tabela 1: Resultado da enquete sobre maiores desafios da produção de café atualmente.

Os produtores de café foram os que mais opinaram, com 36% dos votos, seguidos dos profissionais de consultoria e extensão que somaram 17,21%. Profissionais de outros setores da cadeia também participaram, como traders, torrefadores, corretores entre outros. Abaixo seguem alguns comentários sobre a enquete.
Os consultores Eduardo Cardoso Vieira, de Salvador, BA e Adilson de Paula Rezende, de Lavras, MG, acreditam que a assistência técnica ao produtor são aspectos importantes na produção de café. Eduardo enfatiza principalmente tecnologia e gestão, já Adilson, comenta que a moeda de troca do produtor de café é o número de sacas colhidas com qualidade por hectare, e que portanto, é imprescindível uma consultoria técnica de um especialista em todas as fases de produção. O preço de venda, no entanto, não seria um fator limitante, mas sim sua produtividade, segundo Adilson.
Já o consultor Luiz Augusto Pollo, de Alpinópolis, MG, diz que a produção atualmente no Brasil só esta à mercê do tempo, pois o cafeicultor teria acesso facilitado às novas tecnologias, bons técnicos e ferramentas adequadas para lhe assegurar condição de gerir bem seu empreendimento. Essa opinião também é aceita por Paschoal Gianneti Ventorim, do estado do Espírito Santo, que fala que o clima é um fator fora do alcance do homem, mas que mão-de-obra, mercado, competitividade e tecnologia são fatores importantes, porém, definidos pelo mesmo.
"As mudanças climáticas transformarão o cenário atual da produção cafeeira, independentemente de melhores preços recebidos pela saca, ou redução do peso da mão-de-obra no custo de produção. O setor agrícola será o primeiro a sentir os efeitos do aquecimento global, principalmente culturas perenes como o café", disse Roberto Romanelli Barata, de Pouso Alegre, MG.
Na visão do técnico em agropecuária Éder Lemos, de Carmo do Rio Claro, MG, o custo de produção é um gargalo a ser transposto, mas falta uma política agrícola específica e definida. Quem concorda com ele é o corretor de café Edson Seidi Koshiba,de Patrocínio, MG, que ressaltou também a queda do dólar como um grande desafio para o cafeicultor. Ele lembra que os insumos subiram de preço mesmo com a queda do dólar e diz que o custo da colheita foi maior esse ano pois a safra é pequena. "Com menos colheita e preço baixo o produtor não fica estimulado a vender café", enfatizou Edson.
Alexandre Neves, de São Paulo, SP, também fala do alto custo de produção e diz que ele é base para quase tudo (incluindo mão-de-obra regular e de safrista). Na opinião de Alexandre, o custo de produção torna o resultado do negócio menos viável e principalmente, mais exposto às oscilações de clima, baixo preço de remuneração e competição externa. Para ele,.os encargos de trabalhistas deveriam ser revistos.
Já Wilson Bocardi Machado, de São José dos Campos, SP, acha que atualmente o preço recebido pela saca não se apresenta atrativo para cobrir os custos de produção (principalmente para o pequeno produtor) assim como para alavancar os programas de melhoria de qualidade, devido ao elevado nível de investimentos de capital.
Luiz Roberto Saldanha Rodrigues, de Jacarezinho, PR, cita as políticas públicas como o maior desafio para a produção de café. Para ele, o estabelecimento de um sistema de seguro agrícola e uma política de preços mínimos seriam capazes de garantir a rentabilidade e sustentabilidade do setor produtivo.
Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint