Encafé: IN 16 preocupa agentes da cadeia de café
"Cafés de baixa qualidade tem atrapalhado o setor. Os preços do café torrado e moído não sobem", comentou o Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic), Almir José da Silva Filho, durante o 18º Encafé (Encontro Nconal das Indústrias de Café), realizado de 12 a 16 de novembro, em Natal/RN. O evento discutiu principalmente a Instrução Normativa 16, que determina um padrão mínimo de qualidade para café torrado e moído. Ewaldo Wachelke, do Café Casa Verde, acredita que o grande calcanhar de aquiles da IN 16 é a análise sensorial e a questão do técnico responsável por analisar a bebida.
Publicado por: CaféPoint
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O evento discutiu principalmente a Instrução Normativa 16, que determina um padrão mínimo de qualidade para café torrado e moído. De acordo com a normativa, os cafés deverão ter nota mínima 4, (escala de zero a dez), de acordo com análise sensorial de bebida. Além disso, apenas serão aceitas comercializações de cafés com até 1% de impureza.
O fato de a IN 16 ter sido aprovada e que entrará em vigor logo em fevereiro próximo preocupa os industriais. Durante as palestras e debates do Encafé, muitos demonstraram desconfiança em relação às decisões e ações que serão tomadas pelo Mapa para classificação e fiscalização dos cafés torrados e moídos.
Durante espaço para discussões, Ewaldo Wachelke, do Café Casa Verde, citou que o grande calcanhar de aquiles da IN 16 é a análise sensorial e o técnico responsável por analisar a bebida. Ele acredita que será difícil calibrar 400 pessoas para esse tipo de classificação.
Eduardo Carvalhaes, do Escritório Carvalhaes, comentou que análise sensorial de bebida é coisa particular de cada provador. "O que me preocupa é saber quem é que vai provar esses cafés", frisou. Segundo ele, é necessário muitos anos para se adquirir experiência como provador.
José Lúcio Campos, diretor-presidente da Café Itaú, disse que a IN 16 não deve trazer impacto negativo, uma vez que visa melhorar a qualidade, mas também se mostrou preocupado em relação a como será feita a fiscalização.
"O que será feito com 26% do café inferior que hoje circula no mercado ?", essa foi a pergunta de Manoel Assis, da Mitsui Alimentos, e de outros participantes. Segundo ele, esse volume poderá impactar diretamente no preço do produto.
O diretor do Dipov (Departamento de Inspeção de Produtos Vegetais) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Maçao Tadano, participou do evento como representante do Ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Ele destacou que em um ano, a IN 16 vai ser um marco. "Os atores serão beneficiados e o sucesso irá depender da competência de todos". Além disso, ele acrescentou uma citação de Napoleão que diz: Impossível está no dicionário dos fracos.
Os debates durante o 18º Encafé foram bastante calorosos, com muitas participações e opiniões divergentes.
Natália Fernandes, Equipe CaféPoint, de Natal/RN
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SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO
EM 19/11/2010
Deve ser tarefa sim, da Indústria Torrefadora, entender seu próprio produto com mais critérios e rigores para poder poder fornecer mais qualidade no produto ao consumidor. Levo em conta o fato que existe profissionais habilitados no mercado, centros de pesquisas e universidades no Brasil que têm condições em abastecer a demanda da Indústria por pessoas a implementar a ferramenta de Análise Sensorial em seus centros de conhecimentos.
Também, é um avanço para a própria área de conhecimento em Análise Sensorial, uma vez que irá ser abastecida com mais dados a respeito dessa bebida maravilhosa que é o café.

SÃO CARLOS - SÃO PAULO
EM 16/11/2010
Creio que a preocupação da indústria acerca do COMO calibrar 400 profissionais é bastante válida. Aliás, creio que 400 sejam insuficientes, depende muito da dinâmica das avaliações. Em todo caso, é tarefa hercúlea obter um grupo homogêneo desta magnitude para uma tarefa complexa como a prova do café.
Existem projetos em curso para o desenvolvimento de instrumentos para automatização deste processo. Não que o provador seja substituído; o que se pretende é fornecer uma ferramenta que facilite o trabalho de prova, segregando inicialmente os cafés que se encontram nos extremos de classificação, ou seja, os muito bons e os muitos ruins. Deste modo, os provadores ficam responsáveis por avaliar aqueles cafés intermediários, principalmente para situá-los entre as categorias de paladar.
Uma das tecnologias é a Língua Eletrônica desenvolvida pela EMBRAPA Instrumentação Agropecuária, licenciada, mas que ainda não entrou em produção. Outra tecnologia, denominada OpTongue, está sendo desenvolvida pela empresa BRSensor Ltda de São Carlos, com apoio da FAPESP e da ABIC.
Tais tecnologias têm potencial para auxiliar os provadores de café nesta atividade, porém nenhuma das duas foi considerada como ferramenta auxiliar na IN 16. Creio que se fosse dada mais atenção e apoio para as tecnologias desenvolvidas em nosso país, com dinheiro público, para apoiar as normativas de nossos ministérios, não somente estaríamos dando prova de responsabilidade fiscal, mas também, resolvendo problemas se valendo da criatividade e competência de nossos pesquisadores, que se esforçam dia-a-dia para criação de soluções que apoiem nossa economia.
Como um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento destas duas tecnologias, inéditas a nível mundial, sindo que há ainda muita distância entre a indústria e a academia, distância esta que não colabora em nada para a solução do problema.