Empresas buscam cafés com denominação de origem

A busca por aromas e sabores diferenciados é uma tendência que atravessa o universo gourmet. Há alguns anos, os conceitos de denominação de origem, conhecidos pela sigla DOC, e de terroir deixaram de ser exclusividade dos produtores de vinho e passaram a estampar rótulos de outros produtos, como o café.

Publicado por: CaféPoint

Publicado em: - 1 minuto de leitura

Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

A busca por aromas e sabores diferenciados é uma tendência que atravessa o universo gourmet. Há alguns anos, os conceitos de denominação de origem, conhecidos pela sigla DOC, e de terroir deixaram de ser exclusividade dos produtores de vinho e passaram a estampar rótulos de outros produtos, como o café. No Brasil, algumas regiões - ou denominações de origem - destacam-se como centros de produção. Entre elas Mogiana, Sul de Minas e Cerrado mineiro. Embora o consumo dos cafés especiais não passe de 1% ao ano, empresas de grande porte investem cada vez mais no setor, de olho no crescimento anual de aproximadamente 25%.

A exemplo da Café do Ponto, que já descobriu e explora esse filão, a Melitta acaba de lançar a linha Regiões Brasileiras. "Percebemos a oportunidade de lançar cafés diferenciados, explorando as diferentes características em aroma e sabor obtidas em função dos diferentes terroirs de cada região produtora", explica Isabel Tarsitano, diretora de marketing da empresa.

Segundo a barista e colunista de Menu Isabela Raposeiras, é importante a distinção de café regional e de terroir. "Em uma mesma região, existem terroirs distintos. No Cerrado, é possível ter cafés com aromas herbáceos, além de achocolatados e frutados", explica Isabela. Dessa maneira, a linha Regiões Brasileiras entra na categoria "cafés de origem". São cafés regionais que ressaltam algumas características. E elas os distinguem entre si. "Acho legal que uma multinacional faça isso. É uma iniciativa educativa para os consumidores, que podem se acostumar à terminologia, embora acredito que o produto esteja direcionado ao público que aprecia cafés gourmets", diz a barista.

Em um mercado consumidor de café que abarcava 97% da população, em 2008, segundo a sexta edição da pesquisa Tendências do Consumo de Café no Brasil, realizada pela InterScience, a empresa estipula metas mais ambiciosas que elevem para mais de 1% o consumo de cafés especiais. "É necessário um forte trabalho junto aos consumidores, conscientizando- os sobre as vantagens de provar cafés diferenciados", afirma Isabel.

"Os cafés do sul de Minas tendem a ter aromas mais pronunciados e sabores mais democráticos, diferentemente de outras regiões, que podem apresentar características sensoriais menos familiares", arrisca Isabela.

A reportagem é de Fábio Farah, para Revista Menu, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

Publicado por:

Foto CaféPoint

CaféPoint

O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

Paulo Henrique Leme
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/08/2010

Prezados,

Muito oportuna a reportagem. Esta iniciativa de grandes empresas do setor mostra que o consumidor brasileiro está em um processo de evolução constante, e que já existe espaço para produtos relacionados à origem, mesmo no mercado brasileiro de café.

Porém, falta muita coisa por se fazer, como por exemplo, definir e padronizar os cafés de cada região brasileira. Este seria o primeiro passo.

Outro ponto importante é usar uma identificação e um sistema de controle que garanta aos consumidores que o café atende aos padrões da região e que realmente é oriundo daquele local. Café com origem, sem qualidade, não gera valor.

Hoje, a única indicação geográfica reconhecida no Brasil no café é o café do cerrado mineiro. Existem outros projetos a caminho.

Agora vem a pergunta, é possível que os produtores de outras regiões ganhem algo com isso?

Um abraço,

Paulo Henrique Leme
P&A Marketing Internacional
Juliano Tarabal
JULIANO TARABAL

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS

EM 24/08/2010

Muito interessante a reportagem e principalmente os comentários da senhorita Raposeiras. Esta forma mais sofisticada de trabalharmos os conceitos enaltece em muito os cafés especiais e em particular os cafés regionais, ou com DOC, que no Brasil ainda não existe regiões com DOC em café, a região do Cerrado Mineiro esta em busca da mesma por ja possuir Indicação Geográfica (IG) e outras regiões caminham agora em busca também da IG. O Cerrado Mineiro, onde vivo e atuo na cafeicultura possui inumeras nuances provenientes de diversos terroirs que nem sempre até mesmo os especialistas conhecem. O processo de avaliação e identificação destes cafés ainda precisa evoluir muito, temos poucos profissionais com expertise para identificar tais cafés e suas especificidades e as próprias empresas que atuam no segmento precisam evoluir neste contexto e investir mais nesta procura e conhecer melhor o processo, pesquisar mais e se abrir mais a ele. Os profissionais ligados ao consumo de café, baristas, cafeologos, entre outros precisam também estreitar ainda mais seus laços com o setor produtivo e se abastecerem de conhecimento sobre o processo produtivo para desta forma construirem análises e comentários com uma riqueza ainda maior de assertividade e detalhamento. Sem duvida alguma construiremos oportunidades para que isso aconteça, nos colocamos inteiramente abertos para isso.

Saudações.

Juliano Tarabal
Superintendente
Fundação Café do Cerrado