As tendências, novidades e dificuldades enfrentadas pela cadeia produtiva do café estão sendo debatidas no 9º Simpósio Nacional do Agronegócio Café - Agrocafé. Durante a solenidade de abertura, que ocorreu na manhã desta segunda-feira (03), o presidente da Associação de Produtores de Café da Bahia, Sílvio Leite, convocou todos os participantes a definir as linhas para o futuro do setor. "A nossa realidade é a de preços bons e lucratividade péssima. Neste cenário, qual caminho nós temos? Onde queremos chegar? Então, vamos traçar nossas linhas de ação. Linhas que podem ser readequadas, mas que solidificam nossa busca".
O superintendente da Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia, Eujácio Simões, destacou os importantes avanços tecnológicos do setor, ressaltando os investimentos programados pelo Governo do Estado para elevar a produtividade e a qualidade do café baiano. "Este é um momento marcante para que possamos traçar os melhores caminhos para avançar no mercado internacional. Já estamos avaliando as necessidades de infra-estrutura e de logística para reduzir os preços da produção e aumentar a produtividade dos cafeicultores", revelou.
Para o embaixador Rubens Barbosa, que durante cinco anos foi presidente da APPC - Associação dos Países Produtores de Café (1994-1999), em Londres, a atual crise financeira mundial, gerada há cerca de dois anos pela 'bolha' imobiliária nos Estados Unidos, gerou uma desaceleração da economia, e não uma recessão. "Acredito numa desaceleração rápida da economia norte-americana e este ano o crescimento deve ficar entre 1% e 2%. Mas o Brasil está melhor preparado para enfrentar esta turbulência", disse, acrescentando que o país vive uma situação muito melhor que a vivida nos anos 90.
Para Barbosa, o grande desafio do cafeicultor é manter a venda estável, as vantagens competitivas, e focar mais os custos do que os preços. "Como é que o produtor vai reduzir seu custo além do que já está fazendo com aumento da produtividade, tecnologia?" questionou, respondendo que a redução do custo do produtor vem da maior racionalização da infra-estrutura, do transportes, da parte fiscal, da legislação, da melhor maneira de tributação social, pelo preço dos fertilizantes e, também, no caso dos produtores, de uma redução das taxas de juros e pela mudança na questão do câmbio. Para o embaixador, com a abertura do mercado brasileiro e com a redução das tarifas, hoje, o aumento da competitividade do produto brasileiro, não só agrícola, como industriais, passa necessariamente pela redução do Custo Brasil e também por uma revisão do comportamento do câmbio.
Rubens Barbosa lembrou diversas conquistas dos produtores e da cadeia café nos últimos anos, citando entre os exemplos o fato do produtor brasileiro ter criado condições para capturar uma grande parte, cerca de 90%, do preço FOB das exportações. "Nenhum outro país do mundo, do setor cafeeiro, conseguiu isso. O Brasil fez grandes avanços na comercialização: foi criado a Cédula do Produtor Rural, a CPR, que tem permitido aos cafeicultores diversificar suas estratégias de vendas e financiamento, pois antes eram 'prisioneiros' do preço spot".
O embaixador também disse que o conceito de sustentabilidade está banalizado. "A grande novidade que se ocorreu nos últimos anos é a entrada evidente do consumidor no mercado. Isto deve ser levado em conta; já que ele (o consumidor) passou a ter voz ativa", afirma, dizendo que por isso a qualidade do produto deve ser garantida. Ele cita como exemplo os selos de certificação, que garantem a diferenciação do produto, inclusive com a sofisticação é muito importante a rastreabilidade. "Nesse aspecto da sustentabilidade temos não só a preservação do meio ambiente, como também a redução do uso de recursos naturais e a valorização social e econômica dos produtores".
As informações são da assessoria de imprensa do evento.
Embaixador diz que cafeicultor deve focar nos custos
Para o embaixador Rubens Barbosa, que durante cinco anos foi presidente da APPC - Associação dos Países Produtores de Café (1994-1999), em Londres, a atual crise financeira mundial, gerada há cerca de dois anos pela 'bolha' imobiliária nos Estados Unidos, gerou uma desaceleração da economia, e não uma recessão. Para Barbosa, o grande desafio do cafeicultor é manter a venda estável, as vantagens competitivas, e focar mais os custos do que os preços. Ele lembrou diversas conquistas dos produtores e da cadeia café nos últimos anos, citando entre os exemplos o fato do produtor brasileiro ter criado condições para capturar uma grande parte, cerca de 90%, do preço FOB das exportações.<br>
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Publicado por:
CaféPoint
O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!