Ao analisar intervalos específicos, as remessas brasileiras ao exterior em dezembro de 2023 somaram 4,116 milhões de sacas e geraram US$ 800,1 milhões, o que gerou alta de 27,1% em volume e de 11,6% em receita em relação a dez/2022. Já no acumulado dos seis primeiros meses do ano safra 2023/2024 (julho a dezembro), as exportações de café do Brasil chegaram a 22,993 milhões de sacas, crescimento de 18,5% em relação ao mesmo período anterior. A receita cambial registrou recuo de 2,2% e chegou a US$ 4,488 bilhões.
Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, avalia que, no primeiro semestre, exportou-se menos devido à menor disponibilidade do grão após duas safras [2021 e 2022] impactadas por adversidades climáticas. “Além disso, o segmento exportador continua a enfrentar entraves logístico. Se eles não existissem, provavelmente exportaríamos até 2 milhões de sacas a mais”, projetou.
O café arábica foi o mais exportado durante os 12 meses de 2023, sendo responsável por 78,5% do total embarcado (30,818 milhões de sacas) e o canéfora (conilon + robusta) representou 12% (4,708 milhões de sacas). Segue-se o solúvel (3,671 milhões de sacas, ou 9,4%), torrado e torrado & moído (50.377 sacas, ou 0,1%).
Entre os destinos dos grãos brasileiros estão, em primeiro lugar, os Estados Unidos. Apesar da queda de 24,2% em comparação a 2022, os estadunidenses importaram 6,067 milhões de sacas, 15,5% dos embarques totais. A Alemanha está em segundo lugar, com a aquisição de 5,014 milhões de sacas (-26,7); segue-se a Itália, com 3,131 milhões de sacas (-6,8%), o Japão, com 2,386 milhões de sacas (+27,4%) e a Bélgica, com 2,201 milhões de sacas (-24,6%).
Vale destacar como destino a China, que saiu da 20ª posição em 2022 para o 6º lugar na lista de principais parceiros comerciais dos cafés brasileiros. O país asiático – que em 2023 sinalizou aumento no consumo da bebida e superou os Estados Unidos como o maior mercado de cafeterias de marca no mundo (com 49.690 pontos de venda segundo o World Coffee Portal) – foi o responsável pela importação de 1,480 milhão de sacas no ano passado, crescimento de 278,6% na comparação com 2022, com a compra de 390.879 sacas.
Depois seguem: a Turquia em 7º lugar, com 1,365 milhão de sacas (+30,6%); o Reino Unido em 8º lugar, com 1,298 milhão de sacas (+64); a Holanda (Países Baixos) em 9º, com 1,233 milhão de sacas (+34,6%); e a Colômbia em 10º, com 1,162 milhão de sacas (-32,6%).
Quanto às importações de grãos brasileiros, segue-se o México (+500,7%), o Vietnã (+487,7%) e a Indonésia (+134,9%). Ferreira explica que esses dois países asiáticos ampliaram as compras de conilon e robusta brasileiros para suprir a baixa devido às quebras de safra. Já o México importou cafés verdes nacionais para consumo interno e reexportações, principalmente de solúvel.