Boletim Carvalhaes: Safra recorde não dissipa apreensão no mercado de café

Mesmo com expectativa de uma colheita brasileira histórica em 2026/27, participantes do Seminário Internacional do Café em Santos apontam estoques baixos, avanço do consumo, riscos climáticos e instabilidade global como fatores que mantêm elevado o grau de incerteza no setor

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O Boletim Carvalhaes publicado na sexta-feira (22) faz uma análise do XXV Seminário Internacional do Café de Santos, que aconteceu entre 19 e 21 de maio e do qual participaram cerca de mil pessoas, do Brasil e de pelo menos mais 24 países, para discutir o mercado e questões como os efeitos da geopolítica global e os entraves da logística brasileira. 

“As palestras e debates apresentaram alto nível e refletiram as imensas incertezas com o mercado de café, brasileiro e global, nos próximos meses”, diz o boletim semanal. “Boa parte deles tem quase certeza de uma safra brasileira de café 2026/2027 recorde e, mesmo assim, preocupação com o comportamento do mercado no novo ano-safra”, continua o boletim. 

Segundo o informe, entre as preocupações estão problemas climáticos, que devem se agravar com a chegada, nos próximos meses, do El Niño, estoques baixos em países produtores e consumidores, consumo resiliente e crescente (principalmente na Ásia, com a conquista mensal de novos consumidores) e instabilidade geopolítica global, além de juros, preço do petróleo, combustíveis, fertilizantes e defensivos em alta. 

“Esse cenário, que tende a se agravar, torna inviável projetar o futuro do mercado de café”, diz o Boletim Carvalhaes. Ainda segundo o informe, na quinta-feira (21), o Ministério da Agricultura publicou portaria que define o direcionamento e a contratação de R$ 7,368 bilhões (fonte: Globo Rural) em recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) destinados ao financiamento da cafeicultura para 2026/2027. 

Em meio a oscilações diárias fortes e rápidas, os contratos de café nas bolsas de Nova York e Londres tiveram balanço positivo na semana passada.

Contratos de arábica

Na sexta-feira (22), os contratos de arábica para julho próximo na ICE Futures US oscilaram 410 pontos entre a máxima e a mínima, batendo, na máxima do dia, US$ 2,7430 por libra-peso, em alta de 140 pontos. Encerraram o dia a US$ 2,7235 por libra-peso, com queda de 105 pontos (0,38%). Na quinta-feira (21) subiram 510 pontos (1,90%), e na quarta-feira (20) caíram 185 pontos (0,68%). Na terça-feira (19) subiram 595 pontos (2,25%), e na segunda-feira (18) recuaram 270 pontos (1,01%). 

Somaram alta na semana passada de 545 pontos (2,04%) e queda na semana retrasada de 790 pontos (2,87%). Na semana anterior a ela, caíram 1.160 pontos (4,05%). Esses contratos, para julho próximo, somaram queda em abril de 535 pontos (1,81%) e subiram 1.490 pontos (5,40%) em março. Caíram em fevereiro 3.310 pontos (8,93%) e, em janeiro, 1.700 pontos (5,21%).

Contratos de robusta

Na ICE Europe, os contratos de robusta para julho próximo bateram na sexta-feira (22), na máxima do dia, US$ 3.481 por tonelada – alta de US$ 82. Fecharam o pregão a US$ 3.456, alta de US$ 57 (1,68%). Na quinta-feira (21) subiram US$ 71 (2,13%) e na quarta-feira (20) caíram US$ 17 (0,51%). Na terça-feira (19) subiram US$ 39 (1,18%) e na segunda-feira (18) recuaram US$ 59 (1,75%). 

Na semana passada, somaram alta de US$ 91 (2,70%) e na semana retrasada, caíram US$ 49 (1,44%). Subiram US$ 50 (1,49%) na semana anterior a ela. Em abril, somaram queda de US$ 44 (1,29%) e em março, de US$ 147 (4,14%). Recuaram US$ 385 (9,78%) em fevereiro e subiram US$ 121 (3,17%) em janeiro.

Estoques certificados 

Os estoques de café arábica certificados na ICE Futures caíram, na sexta-feira (22), 1.658 sacas. Estão em 449.567 sacas – 50,9% do total registrado há um ano, quando somaram 883.197 sacas, caindo, nesse período, 433.630 sacas. 

Esses estoques caíram 16.838 sacas na semana passada e na semana retrasada, 10.640 sacas. Recuaram 25.189 sacas na semana anterior a ela.  

Em abril, caíram 58.191 sacas e em março subiram 80.245 sacas. Em fevereiro, recuaram 41.508 sacas e em janeiro, 17.434 sacas. Subiram 46.196 sacas em dezembro e caíram nos meses anteriores: em novembro, 24.769 sacas; em outubro, 138.209 sacas; em setembro, 140.279 sacas; em agosto, 60.425 sacas e em julho, 70.552 sacas.  

Em 2025, os estoques certificados pela ICE Futures US, recuaram 53,76%, acumulando perdas de 526.812 sacas.

Contratos em R$

Os contratos para julho próximo na ICE Futures US fecharam na sexta-feira (22) a R$ 1.811,41. Encerraram sexta-feira passada (15) a R$ 1.789,28, e a sexta-feira anterior a ela (8) a R$ 1.799,00.

Mercado físico brasileiro

No mercado físico brasileiro de arábica, ao longo da semana passada, os compradores alteraram diariamente o valor de suas ofertas, acompanhando as variações do real frente ao dólar e o sobe-e-desce na ICE em Nova York. 

Os cafeicultores que ainda têm lotes de café arábica da safra atual (2025/2026) relutam em vender nas bases de preços praticadas pelos compradores, mas, diariamente, saem alguns negócios.

Embarques

Até sexta-feira (22), os embarques de maio estavam em 1.297.606 sacas de café arábica, 381.855 sacas de café conilon e 176.056 sacas de café solúvel, totalizando 1.855.571 sacas embarcadas contra 1.970.771 sacas no mesmo dia de abril. 

Emissão de certificados de origem 

Até sexta-feira (22), os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em maio somaram 2.204.559 sacas, contra 2.339.618 sacas no mesmo dia de abril. 

A bolsa de Nova York – ICE, entre o fechamento da sexta-feira (15) até o da sexta-feira (22), subiu 545 pontos ou US$ 7,21 (R$ 36,25) por saca nos contratos para entrega em julho próximo. Em reais, as cotações para entrega em julho próximo na ICE fecharam na sexta-feira (15) a R$ 1.789,28 por saca, e, na sexta-feira (22), a R$ 1.811,41. 

Também na sexta-feira (22), nos contratos para entrega em julho, a bolsa de Nova York fechou em baixa de 105 pontos.

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Escritório Carvalhaes

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