Celso Oliveira, meteorologista da Somar: Prezado Hanes,
Segue um texto postado em 07 de outubro deste ano:
"El Niño forma-se ao longo do primeiro semestre de 2010, porém em uma área diferente do fenômeno clássico: a temperatura das águas do oceano pacífico encontram-se mais elevadas que o normal na maior parte das áreas analisadas (desvios entre 0,5°C e 1°C). Apenas nas áreas mais próximas da costa da América do Sul, a temperatura caiu e observa-se um desvio negativo de -0,5°C. Os desvios positivos muito pequenos não garantem atual influência do fenômeno El Niño sobre o Brasil.
As chuvas fortes registradas na Região Sul nas últimas semanas são normais e foram um pouco mais intensas por conta das águas mais quentes do Oceano Atlântico junto à costa do Brasil. Além disso, nas últimas semanas, um estudo sul coreano chamou bastante a atenção de todos por sugerir que exista um novo tipo de El Niño, além do fenômeno clássico. Alguns afirmaram que trata-se do "El Niño do futuro". Mas o fenômeno já é uma realidade. Ele já aconteceu, por sinal, no ano de 2004/05, quando mesmo com o aquecimento da água do Oceano Pacífico, o centro e sul do Brasil passou por uma grande estiagem entre fevereiro e março.
O resumo do estudo é simples. Não basta aquecer a água do Pacífico, como está acontecendo agora. A água precisa aquecer junto a costa da América do Sul. Se por um acaso, a água aquecer distante da costa da América do Sul, os efeitos de um El Niño clássico ou não são registrados ou são registrados de forma muito tênue. Diante disso, resta-nos analisar a evolução da temperatura das águas do Oceano Pacífico nas áreas mais próximas da América do Sul.
As previsões indicam que este aquecimento acontecerá de forma ainda mais defasada que a registrada nas áreas centrais. Até o mês passado, afirmávamos que o El Niño alcançaria um estágio maduro apenas entre janeiro e fevereiro de 2010. Isto ainda vale, porém para a área central do Oceano Pacífico. Já nas áreas próximas da costa, o aquecimento de pouco mais de 1°C acima do normal deve acontecer apenas em abril. Ou seja, durante boa parte do verão e início do outono, o Brasil estaria sujeito aos efeitos de um El Niño não-clássico, com aquecimento em uma área distante da costa da América do Sul.
Apenas em meados do próximo semestre é que o aquecimento em áreas mais próximas da América do Sul poderia trazer efeitos de um fenômeno clássico. Trata-se de algo bastante novo, porém que faz sentido quando observamos o passado (2004/05), presente (falta de chuvas regulares em alguns pontos do Paraná e Mato Grosso do Sul) e futuro, com a previsão de seis meses da Somar Meteorologia. Vale um monitoramento constante das próximas rodadas da previsão de seis meses e da previsão de aquecimento das águas do Oceano Pacífico."
Para Remanso, um El Niño clássico traria chuvas irregulares no verão. Entretanto, com o El Niño não-clássico, não há previsão de longos períodos de estiagem. Apenas entre a segunda quinzena de dezembro e primeira de janeiro, registraremos o veranico que acontece em todos os anos. Neste ano, ele se adiantará um pouco, já que as primeiras chuvas também se adiantaram.
Para o café vale: irregularidade e risco de estiagem no norte do Paraná e oeste de São Paulo em novembro e, principalmente entre janeiro e fevereiro. Mogiana, Cerrado e Sul de Minas Gerais = situação normal. Zona da Mata de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia chuvas bem acima da média a partir de novembro, até pelo menos fevereiro.
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