El Nino e suas consequências para regiões cafeeiras do Brasil

El Nino traz irregularidade e risco de estiagem no norte do Paraná e oeste de São Paulo em novembro e, principalmente entre janeiro e fevereiro. Na Mogiana, Cerrado e Sul de Minas a situação é normal. Para Zona da Mata, Espírito Santo e sul da Bahia, chove bem acima da média a partir de novembro, até pelo menos fevereiro.

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Hanes Barbosa Paixão, Remanso/BA: Queria saber se o fenômeno climático El Niño poderá intensificar a seca no nordeste. Ouvi dizer que o fenômeno El Niño será "engolido" por um tal de El Niño Modoki este ano. Estaria este segundo fenômeno já atuando no Pacífico? Já que as chuvas na região chegaram mais cedo...

Celso Oliveira, meteorologista da Somar: Prezado Hanes,

Segue um texto postado em 07 de outubro deste ano:

"El Niño forma-se ao longo do primeiro semestre de 2010, porém em uma área diferente do fenômeno clássico: a temperatura das águas do oceano pacífico encontram-se mais elevadas que o normal na maior parte das áreas analisadas (desvios entre 0,5°C e 1°C). Apenas nas áreas mais próximas da costa da América do Sul, a temperatura caiu e observa-se um desvio negativo de -0,5°C. Os desvios positivos muito pequenos não garantem atual influência do fenômeno El Niño sobre o Brasil.

As chuvas fortes registradas na Região Sul nas últimas semanas são normais e foram um pouco mais intensas por conta das águas mais quentes do Oceano Atlântico junto à costa do Brasil. Além disso, nas últimas semanas, um estudo sul coreano chamou bastante a atenção de todos por sugerir que exista um novo tipo de El Niño, além do fenômeno clássico. Alguns afirmaram que trata-se do "El Niño do futuro". Mas o fenômeno já é uma realidade. Ele já aconteceu, por sinal, no ano de 2004/05, quando mesmo com o aquecimento da água do Oceano Pacífico, o centro e sul do Brasil passou por uma grande estiagem entre fevereiro e março.

O resumo do estudo é simples. Não basta aquecer a água do Pacífico, como está acontecendo agora. A água precisa aquecer junto a costa da América do Sul. Se por um acaso, a água aquecer distante da costa da América do Sul, os efeitos de um El Niño clássico ou não são registrados ou são registrados de forma muito tênue. Diante disso, resta-nos analisar a evolução da temperatura das águas do Oceano Pacífico nas áreas mais próximas da América do Sul.

As previsões indicam que este aquecimento acontecerá de forma ainda mais defasada que a registrada nas áreas centrais. Até o mês passado, afirmávamos que o El Niño alcançaria um estágio maduro apenas entre janeiro e fevereiro de 2010. Isto ainda vale, porém para a área central do Oceano Pacífico. Já nas áreas próximas da costa, o aquecimento de pouco mais de 1°C acima do normal deve acontecer apenas em abril. Ou seja, durante boa parte do verão e início do outono, o Brasil estaria sujeito aos efeitos de um El Niño não-clássico, com aquecimento em uma área distante da costa da América do Sul.

Apenas em meados do próximo semestre é que o aquecimento em áreas mais próximas da América do Sul poderia trazer efeitos de um fenômeno clássico. Trata-se de algo bastante novo, porém que faz sentido quando observamos o passado (2004/05), presente (falta de chuvas regulares em alguns pontos do Paraná e Mato Grosso do Sul) e futuro, com a previsão de seis meses da Somar Meteorologia. Vale um monitoramento constante das próximas rodadas da previsão de seis meses e da previsão de aquecimento das águas do Oceano Pacífico."

Para Remanso, um El Niño clássico traria chuvas irregulares no verão. Entretanto, com o El Niño não-clássico, não há previsão de longos períodos de estiagem. Apenas entre a segunda quinzena de dezembro e primeira de janeiro, registraremos o veranico que acontece em todos os anos. Neste ano, ele se adiantará um pouco, já que as primeiras chuvas também se adiantaram.

Para o café vale: irregularidade e risco de estiagem no norte do Paraná e oeste de São Paulo em novembro e, principalmente entre janeiro e fevereiro. Mogiana, Cerrado e Sul de Minas Gerais = situação normal. Zona da Mata de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia chuvas bem acima da média a partir de novembro, até pelo menos fevereiro.

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