Eduardo Sampaio (UTZ): a sustentabilidade não está completa enquanto o consumidor não foi educado

Eduardo Sampaio é engenheiro agrônomo, consultor, produtor e representando da UTZ Certified no Brasil. Em entrevista ao CaféPoint, Eduardo fala sobre a atual situação da cafeicultura, preços, sustentabilidade e certificação e as expectativas para o futuro da atividade cafeeira. Acesse e assista a entrevista.

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Eduardo Sampaio é engenheiro agrônomo, consultor, produtor e representando da UTZ Certified no Brasil. Em entrevista ao CaféPoint, Eduardo fala sobre a atual situação da cafeicultura, preços, sustentabilidade e certificação e as expectativas para o futuro da atividade cafeeira. Assista abaixo.

Entrevista com Eduardo Sampaio, da UTZ Certificação from AgriPoint Portais on Vimeo.



Destaques da entrevista:

"O Brasil fez uma revolução na sua área de produção e está muito produtivo, porém seus custos aumentaram. Isso acabou impactando o preço mundial do café."

"Devemos passar alguns anos interessantes com preço, mas precisa de mais profissionalismo no campo para entregar o que o mundo precisa de qualidade."

"Em relação a sustentabilidade, o produtor sempre busca prêmio. Já existem produtores valorizando o relacionamento comercial de longo prazo, onde vende futuro, entrega seus cafés e valorizando também a gestão."

"O prêmio é consequência, não é objetivo principal da sustentabilidade."

"A UTZ é uma certificação de café, cacau e chá e o Brasil é seu maior fornecedor de café. Quase 40% do volume da UTZ sai de fazendas brasileiras. Nosso papel é balancear suprimento e demanda, implementar gestão, integrando toda cadeia."

"Para 2011 estamos com sistema de rastrabilidade mais apurado."

"O capítulo mais difícil, não só da UTZ mas de todas certificações, é mostrar o trabalho da certificação para o consumidor, visto que a sustentabilidade não está completa enquanto o consumidor não foi educado."

"Fazemos várias campanhas com supermercados na 'srea de comunicação e com torrefações, onde se mostra o valor e a dificuldade da agricultura."

"A agricultura não é arte de produzir as coisas empacotadas."

"A educação do consumidor nos próximos 10 anos deve permanecer com foco para que ele tenha noção de suas responsabilidade, ou seja, que sejam consumidores responsáveis."

"O produtor está acostumado entregar o seu café perguntando quanto vale, mas ele tem que se tornar um bom vendedor, conhecendo sua matéria prima."

"Tendo conhecimento do tipo de café que produz, pode precificar as qualidades. Com isso feito, ele pode estabelecer quanto pode ter de lucro em cima do custo de produção estabelecido."

"Tem dois jeitos de vender café, por precisão e por opinião. Na medida do possível tem que especular menos e realizar mais, ou seja, se tornar mais profissional."

"O Brasil, aumentando seu gerenciamento de lavoura vai produzir automaticamente mais cafes de qualidade."

Uma lição de casa a ser feita pelo Brasil é que deve implementar toda parte de certificação também dentro da torrefação, via Abic, sendo um exemplo para os outros países que são produtores e grandes consumidores no futuro."

"O barista é uma figura que faz a ponte de sustentabilidade para o consumidor final."

"Começamos focar no médio e pequeno produtor."

"O Brasil é o maior exportador de café certificado do mundo."
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Marcio Heleno de Carvalho Junqueira
MARCIO HELENO DE CARVALHO JUNQUEIRA

SÃO LOURENÇO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 15/02/2011

Caro Eduardo, sou UTZ ano 3 e até agora consegui melhorar minha gestão do negocio, a sustentabilidade social e ambiental mas a economica,não.Sou finalista assíduo na BSCA e Illy mas fora isso não consigo ágio no meu produto certificado.
Robson França Rodrigues
ROBSON FRANÇA RODRIGUES

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 10/02/2011

Concordo com as fala do senhor João Carlos Rémedio e só acrescentando uma coisa na minha opinião deveria mudar o modo como a Abic,direciona suas póliticas de qualidade junto a nós produtores,ela á Abic se contradiz com suas politicas de qualidade,pois até pouco tempo atrás estava pressionando o governo para libera a importação de café do Vietnã para diminuir seus custo que segundo ela estavam bastante elevado.
Pergunto aos senhores. Como podem ela fala de qualidade que todos nós sabemos que o café do Vietnã é de pessíma qualidade?
Celso Luis Rodrigues Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 09/02/2011

Prezado Eduardo Sampaio
Formidável essa sua manifestação. Você foi capaz de alinhavar dilemas com as quais convivemos de forma muito objetiva e dentro de uma linguagem usual por quem opera mercado mas praticamente inacessível para aqueles de dele ficam de fora.
Compareça mais nesse espaço democrático.
Abçs
Celso Vegro
João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 09/02/2011

Gostaria de saber o que é especular e realizar na cafeicultura? A impressão que eu tenho lendo esse e outros artigos é que enquanto o cafeicultor estiver vendendo seu produto a preços baixos ele não é especulador. Na medida em que ele segura parte de sua produção à espera de preços melhores ele passou a ser o vilão da história; o especulador.

Se os preços não forem compensadores, pode se ter todas as certificações do mundo que o setor estará em crise. Não sei se venderemos café a R$800 ou menos de R$200, mas, quem segura seu café à espera de preços melhores não pode ser taxado de especulador. Afinal o café é seu e faz dele o que quizer.

O consumidor em geral será educado a tomar um bom café à medida que a indústria oferecê-lo. Nunca saberemos a diferença entre o melhor e o pior café sem termos vivenciado essa diferença. Produzimos o melhor e tomamos o pior. Sorte a todos!